Livros

Giovanna está a transformar um edifício dos anos 60 na nova livraria de Lisboa

A Good Company só vai ter livros em inglês — tanto de autores portugueses como internacionais. Também vai servir vinhos e café.
O processo não está a ser fácil.

“Depois da pandemia, perdemos a conexão com a nossa vizinhança e desapareceram aqueles lugares que eram realmente um espaço para a comunidade.” Giovanna Centeno lamenta a forma como Lisboa tem mudado nos últimos anos. Para contornar esta situação “cada vez mais preocupante”, está a criar no Campo Pequeno, a poucos metros da Culturgest, uma nova livraria.

A Good Company vai ficar num edifício dos anos 60 onde, no passado, se erguia uma loja de móveis. Nas estantes irão morar apenas livros em inglês, tanto de autores internacionais como de escritores portugueses cujas obras foram traduzidas.

Acredita que este é um projeto que faz todo o sentido — mais em Lisboa do que “em qualquer outro lugar do mundo”. Porquê? “É uma cidade que cada vez mais tem interesse das pessoas dos outros países da Europa, da Austrália e Estados Unidos”, conta à NiT.

Ao mesmo tempo, vai dar resposta aos portugueses que gostam de ler em inglês, mas que na capital têm dificuldade em encontrar livrarias com propostas que se adequem aos seus gostos. “Há projetos que servem muito bem a nossa cidade, como a Ler Devagar e muitas outras. Não me sentia confortável em ter uma competição direta com elas. Optei por adicionar algo que faltava.”

Pretende que o espaço seja muito aconchegante, porque sempre foi assim a sua relação com a literatura. A ajudá-la tem Samuel, o marido natural dos Estados Unidos. Já Giovanna mudou-se do Brasil para Portugal em 2019. Formou-se em Literatura Comparativa e Ciências Políticas na Suíça. “Depois de ter concluído os estudos, não queria ficar lá. Vim na mesma época em que finalmente consegui cidadania portuguesa graças ao meu bisavô.”

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♬ original sound – Giovanna C

Profissionalmente, sempre esteve ligada ao mundo dos livros. Nos últimos anos trabalhou como freelancer na área de consultoria editorial. Trabalha com várias escritoras e ajuda-as a terem bons manuscritos e a um nível compatível ao mercado americano. “Também as ajuda a arranjarem agentes e nos contratos. É uma assistência completa.”

Paralelamente à livraria e a este emprego, está a criar um site para a Good Company — que espera lançar em abril ou maio. “Queremos oferecer uma experiência que ainda não existe no mundo dos livreiros em Portugal: uma página bonita com um design coeso e que seja realmente focado na experiência de compra.”

Só uns meses depois, por volta de agosto, é que deverá inaugurar o espaço físico da marca. As obras começaram em janeiro e o processo não tem sido fácil. Os últimos inquilinos deixaram lá mezaninos “que não estavam muito bem construídos e que não íamos conseguir utilizar”. Resultado? Tiveram de ser demolidos. “Agora estamos a finalizar os designs com a nossa arquiteta e a ver os orçamentos com várias empreiteiras.”

Além da vertente de livraria, o negócio vai ter um café e também servirá vinho. “Queremos ter um espaço em que as pessoas se possam conhecer e estar juntas”, realça a empreendedora de 27 anos.

A tudo isto vai-se juntar a cave, que será ideal para aqueles que pretendem ficar a trabalhar no computador sem perderem a confortabilidade. É nesta mesma área que decorrerão diferentes eventos com escritores, conversas, provas de vinho, entre outras. No total, a loja vai ter cerca de 400 metros quadrados.

A decoração vai homenagear o passado de Lisboa, mas com um toque de modernidade — juntará o melhor dos dois mundos, portanto. “Queremos honrar a arquitetura dos anos 60 e pretendemos ter apontamentos de designers portugueses”, destaca.

Giovanna acredita que a localização é perfeita. A livraria vai ser inaugurada na Avenida Visconde de Valmor, ou seja, é acessível para quem anda de transportes públicos, tem três estações de metro ao pé, é bike friendly e também é boa para quem tem mobilidade reduzida, porque fica numa zona mais plana. Confessa, porém, que antes de escolher o Campo Pequeno, tinha pensado em abrir em Santos, mas percebeu que “é um local muito saturado”.

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