A livraria italiana mais famosa de Arroios mudou de casa. A Piena inaugurou oficialmente a nova morada a 23 de setembro e além de ganhar mais metros quadrados, passou para uma freguesia diferente (a poucos metros da anterior) e alargou o conceito, que agora junta livros, café e bar.
O projeto continua a ser liderado por Sara Cappai, da Sardenha, e Elisa Sartor, de Milão. As duas amigas, ambas com 40 anos, conheceram-se através do Instagram. Sara chegou a Lisboa em 2020 com experiência no mundo livreiro e editorial independente italiano.
Vive por cá há cerca de dez anos, depois de se ter apaixonado pelo país quando cá estudou arquitetura e, desde então, dinamizou vários projetos de design e criou um coletivo de workshops de culinária italiana chamado Mani in Pasta.
Juntas fundaram o Azuleggo, um clube de leitura dedicado à literatura italiana. O nome brinca com a palavra “azulejo”, tão típica da cultura portuguesa, e “leggo”, que significa “leio” em italiano. Criaram um canal no Telegram e organizaram sessões informais durante meses. Com o tempo, a ideia evoluiu e em 2022 nascia a Piena.
A nova loja fica agora na freguesia de Santo António, junto aos Capuchos e antes do Campo dos Mártires da Pátria. “Continuamos na mesma área, para não perder os clientes habituais que moram nos Anjos, Arroios ou Estefânia”, diz Elisa Sartor à NiT.
A mudança aconteceu quase naturalmente, depois de perceberem que o espaço anterior, com apenas 27 metros quadrados, já não acompanhava a programação cultural cada vez mais ativa da livraria. “Sentíamos necessidade de ter um espaço maior, onde pudéssemos acolher melhor as apresentações e os eventos”, explica.
A oportunidade surgiu por acaso. “Ela tinha loja na mesma rua e falava com o antigo inquilino deste espaço. Percebeu que ele estava com vontade de sair e fez a ponte entre nós”, recorda. “Ficámos logo apaixonadas pelo espaço, vimos um potencial enorme e decidimos apostar.”
O edifício tem já uma longa história. Antes de se tornar livraria, foi uma cervejaria artesanal e, durante a pandemia, chegou a funcionar como espaço de cowork. O conceito foi mudando, mas o ambiente de partilha e conversa manteve-se.
A nova Piena mantém “o mesmo espírito” da primeira loja, mas com outra dimensão. “A anterior era muito pequenina e só abrigava a livraria”, conta Elisa. “No último ano tínhamos acrescentado duas mesinhas fora para quem quisesse tomar um chá ou uma cerveja. Agora, demos um salto: juntámos livraria e bar.”
O espaço está dividido em dois pisos. No rés-do-chão ficam a maior parte dos livros, todos em italiano, e o balcão de café e bar. No mezzanine estão os títulos infantis, banda desenhada e várias mesas para quem quiser passar o dia a ler, trabalhar ou estudar. “Quando temos apresentações ou workshops, transformamo-lo num espaço para eventos”, refere.
A decoração continua a seguir a identidade da primeira loja. O mobiliário foi desenhado pelo mesmo carpinteiro italiano e o ambiente mantém-se fiel à ideia original. “Queríamos manter o espírito acolhedor”, sublinha. “É um lugar onde se pode estar tranquilo, num ambiente calmo e agradável.”
O horário também foi alargado e agora abre das 9 às 21 horas. A ideia é que funcione como livraria, café e espaço de encontro ao longo de todo o dia.
Três anos depois da abertura da primeira loja, a comunidade em volta da Piena continua presente. “Os clientes de sempre continuam a vir”, garante Elisa. “E estamos também a criar novos laços com os vizinhos portugueses. Mesmo quem não lê em italiano vem conversar, tomar café, beber uma cerveja.”
Carregue na galeria para conhecer melhor o espaço.

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