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Escritora francesa Annie Ernaux vence Prémio Nobel da Literatura 2022

A autora de 82 anos é a 17.ª mulher a ser distinguida com o maior galardão da literatura mundial.
Francesa Annie Ernaux ganhou o Prémio Nobel da Literatura de 2022.

O Prémio Nobel da Literatura de 2022 foi atribuído à escritora francesa Annie Ernaux. A distinção foi anunciada esta quinta-feira, ao meio-dia pela Academia Sueca em Estocolmo, na Suécia.

Nascida em 1940, na Normandia, Annie Ernaux é uma escritora e professora francesa. A sua obra literária é maioritariamente autobiográfica, e remete para os grandes temas da história e da sociologia. É a 17.ª mulher a ser distinguida com o maior galardão atribuído à literatura mundial.

Michel Houellebecq, Anne Carson, Adonis, Ngugi Wa Thiong’o e Salman Rushdie eram alguns dos escritores apontados como principais candidatos à distinção deste ano. Em 2021, o Nobel foi atribuído ao romancista e contista Abdulrazak Gurnah. Nascido na Tânzania, mas residente no Reino Unido desde os anos 60, o escritor foi galardoado, segundo a Academia Sueca na altura “pela sua capacidade de mergulhar de forma intransigente mas também compassiva nos efeitos do colonialismo e nos destinos dos refugiados que estão num abismo, divididos entre culturas e continentes”.

Desta vez, numa conferência transmitida online, justificaram a entrega do prémio a Annie Ernaux  “pela coragem e acuidade clínica com que ela põe a descoberto as raízes, alienações e constrangimentos coletivos da memória pessoal”.

 

Nascida em 1940 na Normandia, “o seu trabalho literário que lida com a experiência de classe e género começou cedo”, diz o presidente do júri. É autora de “O Acontecimento” (2021), “Uma Paixão Simples” (2020) e “Os Anos” (2008), vendidos em Portugal. Neles, aborda temas como o aborto e questões de género e de classe. Ernaux faz “literatura para todos”, afirmou o presidente do júri. 

O Nobel de Literatura é considerado um dos prémios mais prestigiados atribuídos pela Academia Sueca. Todos os anos, os cinco finalistas são escolhidos a partir de uma lista de autores indicados por entidades e academias literárias de vários países e ex-Prémios Nobel. Estes nomeados não sabem, no entanto, que o são. Todo o processo é secreto.

O importante para o júri é a “qualidade literária do autor”, que tem de se destacar por um talento que o faça brilhar entre os outros escritores. Quem o explicou foi a romancista Ellen Mattson, escolhida este ano para explicar as regras pelas quais a Academia Sueca se rege. Não há um limite de idade para se poder receber esta distinção, mas Ellen Mattson lembra que às vezes é preciso uma vida inteira para que um autor se consume como um escritor excelente, razão pela qual a maioria dos premiados tem mais de 30 ou 40 anos.

A Academia Sueca é composta por 18 membros que leram todas as obras dos candidatos finalistas. Para se ser o eleito, é preciso recolher pelo menos um voto a mais do que metade das indicações do júri. Sete dos últimos dez premiados são europeus e só, agora, 17 escritoras receberam o Nobel da Literatura, num total de 118 laureados.

O Prémio Nobel foi instituído em 1901 e cada vencedor do galardão literário recebe um prémio monetário de aproximadamente 985 mil euros. No seu testamento, o inventor Alfred Nobel, confiou à instituição sueca a missão de recompensar a cada ano o “autor da obra literária mais transcendente de inspiração idealista”.

O único escritor português distinguido com o prémio foi, em 1998, José Saramago. Outros nomes da literatura nacional foram nomeados, mas nunca conquistaram o galardão, como é o caso de João Gonçalves Zarco da Câmara, João Bonança, António Correia de Oliveira, Maria Madalena de Martel Patrício, Teixeira de Pascoaes, Júlio Dantas e Miguel Torga.

Este ano já foram anunciadas as distinções do Nobel para a área científica de Medicina, Física e Química. Na sexta-feira, 7 de outubro, será a vez do Nobel da Paz e na próxima segunda-feira, 10 de outubro, o da Economia.

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