Livros

Há um projeto na Margem Sul que está a transformar frigoríficos em bibliotecas

Os livros podem ser lidos a qualquer hora ou dia da semana, em Sesimbra. Para isso, basta abrir a porta do frigorífico.
Em Sesimbra, não há desculpas para não ler.

Inicialmente, aos sábados, eram trocados livros, numa espécie de biblioteca ao ar livre, em vários pontos do concelho de Sesimbra. Mas agora, muito por culpa da mudança das condições climatéricas, está a ser desenvolvido um projeto totalmente inovador que transforma frigoríficos em bibliotecas.

Entre os objetivos da iniciativa, impulsionada pelo Movimento Social Utopia Global, que une a Universidade Sénior da Quinta do Conde ao Grupo Desportivo de Alfarim e ainda recebe o apoio da Junta de Freguesia do Castelo, está o facto de o grupo querer garantir um bom acondicionamento e estado dos livros ao mesmo tempo que passam a poder ser disponibilizados a qualquer hora ou dia da semana sem que seja preciso uma pessoa para intermediar o livro do leitor.

Em 2017, o projeto nasce com o nome “Bibliotecas Frigoríficas – livros fresquinhos” na aldeia de Alfarim. Hoje, o concelho já soma nove frigoríficos e 25 voluntários, “dos sete aos 72 anos”, que se juntam para fazer acontecer uma iniciativa que promove e incentiva o desenvolvimento de hábitos de leitura entre os cidadãos.

No geral, estes frigoríficos já fazem parte da arte pública e urbana de todo o concelho de Sesimbra. Ao abri-los, as estantes estão a funcionar como as que se encontram nas bibliotecas públicas, disponibilizando livros que devem ser, depois de lidos, devolvidos ao frigorífico ou trocados por outros. 

“Temos uma biblioteca muito rica e variada que nos permite substituir os livros uma vez por mês”, esclarece Vera Gaspar em entrevista ao jornal Setubalense, acrescentando que “há até mesmo frigoríficos que têm os seus padrinhos, que tomam conta deles e dão-nos o feedback das pessoas. Gostamos de envolver as pessoas e elas gostam de participar e colaborar, isso é muito gratificante”.

Inicialmente, a ideia das Bibliotecas Frigoríficas, consolidou-se, conta Vera Gaspar, “com o lançamento de um pedido de frigoríficos para reciclagem nas redes sociais, rapidamente satisfeito pelos internautas. A criatividade, a capacidade de reinvenção e de adaptação não têm limites e por isso resolvemos dar um aspeto mais apelativo e atrativo aos frigoríficos”.

Com a ajuda de vários jovens e de entidades como a CERCI, a Associação de Pais do ATL da Azoia e o apoio logístico de várias empresas e negócios locais os primeiros electrodomésticos foram personalizados e colocados nos diversos pontos que criam uma rede concelhia de espaços informais de leitura.

Estas novas versões de bibliotecas, onde é possível encontrar os tais “livros fresquinhos”, podem ser encontradas em Alfarim, no largo; na Aldeia do Meco, em frente ao salão de jogos; dois na Lagoa de Albufeira, um junto à Escola de Windsurf Meira Pro-Center e outro na Liga dos Amigos da Lagoa de Albufeira; em Caixas, junto ao café Baratinha; na Azoia, junto ao café 20age; em Santana, junto à paragem principal; e mais dois frigoríficos na freguesia da Quinta do Conde, um no Parque da Várzea e outro junto ao Mercado Municipal.

Estão ainda a ser preparados outros dois frigoríficos para serem colocados na Aiana de Cima e na Cotovia. E futuramente, segundo Vera Gaspar, “poderão eventualmente surgir mais em locais como Almoinha, Maçã ou vila de Sesimbra”.

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