Livros

Há uma nova livraria inclusiva para conhecer no Porto

A Livraria aberta define-se como queer, mas é muito mais do que isso. Abriu em junho e quer ser um espaço de liberdade.
O bem-estar de todos é um dos focos

Numa altura em que o setor literário em Portugal atravessa — como muitos outros — uma situação difícil, abrir uma livraria é quase um ato de coragem. Ou de loucura, dependendo do ponto de vista.

Seja qual for o caso, há uma nova livraria que precisa de conhecer: a Livraria aberta. Fica no Porto, abriu a 28 de junho e define-se como uma “livraria queer”.

Embora tenha realmente uma ligação a todas as questões LGBTI, é muito mais do que isso. E quer ser uma livraria de bairro, onde todos se sintam bem, independentemente de qualquer rótulo que possam colocar-lhe.

“Para nós, queer é tudo o que não é normativo. Pessoas que estão à margem são também queer e podem ter mais do que uma exclusão”, conta à New in Porto um dos sócios do projeto, Paulo Brás.

Isto quer dizer que uma pessoa pode ser marginalizada porque é de uma minoria sexual, pela sua classe social, por uma deficiência física ou tudo isto em simultâneo. É por isso que a Livraria aberta pretende ser o mais abrangente possível e incluir todas as minorias.

Antes de saber mais sobre o que vamos encontrar nesta livraria, convém perceber de onde veio toda a ideia. Este era um sonho já antigo de Paulo Brás e de Ricardo Braun. O casal de 32 e 35 anos, respetivamente, está junto há cerca de oito anos e partilha a paixão pela literatura e pelas artes em geral. Paulo é formado em Literatura, foi durante vários anos produtor cultural e é investigador nesta área. Ricardo, por sua vez, está ligado aos bastidores do teatro, à dramaturgia e à tradução.

“Tínhamos vontade de ter um projeto próprio e a pandemia acabou por acelerar o processo. Como aconteceu com muita gente, tivemos mais tempo para pensar e surgiu uma oportunidade que de outra forma talvez não existiria.”

Conhecedores do panorama livreiro do Porto, começaram a delinear todo o conceito do projeto no final do ano passado e aproveitaram a pausa do segundo confinamento para preparar tudo. Assim começou a ser pensada esta livraria, de estilo minimalista tanto no mobiliário e decoração como até nas próprias estantes. Aqui não há grandes prateleiras do chão ao teto carregadas de livros onde parece que não há espaço nem para mais um. A ideia é mesmo que haja uma sensação de leveza, até pelas estantes meio vazias.

Quanto aos livros, embora tenham temáticas mais associadas às minorias, à identidade de género ou à orientação sexual, vão muito além disso. Há poesia, romance e tudo o que possa procurar. Há uma secção infantojuvenil que pretende ser ainda mais abrangente e os livros são escolhidos conforme os responsáveis achem que se enquadram no conceito.

Há autores e livros que podem ser considerados mais ligados a estas temáticas, mas aqui podem ser até mais importantes os personagens. Não há uma regra rígida. Até nas estantes os livros estão classificados por autor e não por género ou temática.

“Temos aqui um pouco de tudo, mesmo livros que não são óbvios enquanto LGBTI. Podem ser feministas, de mulheres negras, de pessoas com deficiência, narrativas de e sobre pessoas excluídas, essencialmente.”

O catálogo neste momento ainda é reduzido, mas está a ser construído aos poucos, com ajuda de alguns clientes. E se não encontrar o livro que procura, pode sempre pedir para encomendar. Para já, pode comprar os livros na loja ou através das redes sociais, mas o site da livraria está já a ser preparado e em breve será possível também fazer as suas compras online.

Está também a ser pensada a inclusão de uma programação cultural regular, algumas conversas, atividades para crianças e, eventualmente mais para a frente, até a publicação de alguns livros.

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