Livros

A histórica livraria Ulmeiro vai reabrir em Benfica — com uma galeria de arte

O espaço já teve várias vidas, mas estava encerrado desde 2016. Agora aposta num novo conceito, sem perder a identidade.
José fundou a livraria em 1969.

A livraria Ulmeiro já foi um dos principais da freguesia de Benfica, em Lisboa. Mas, tal como aconteceu em vários outros casos durante o Estado Novo, foi obrigada a fechar em março de 1971 por decisão do governo de Marcelo Caetano, apenas três depois depois da inauguração.

Chegada a democracia, os responsáveis voltaram a declarar o amor aos livros com um relançamento do projeto que ganhou uma enorme credibilidade e tração entre os lisboetas e turistas. Porém, em 2016, a ditadura da economia revelou-se demasiado violenta e a Ulmeiro fechou mais uma vez. A boa notícia é que os livreiros são pessoas sonhadoras e resistentes, por isso o projeto vai renascer no próximo ano.

“Foi uma das livrarias que registaram mais apreensões de livros e sempre defendemos a liberdade de expressão”, conta à NiT José Antunes Ribeiro, o fundador do projeto. O livreiro realizou dezenas de sessões culturais antes e depois do 25 de abril. Passaram por lá nomes como Zeca Afonso, Carlos Paredes, Vitorino, Francisco Fanhais ou Mário Viegas.

Porém, entre as sessões mais importantes da história da Ulmeiro, o fundador destaca as conversas com o professor Agostinho da Silva, o poeta francês Léo Ferré e Lawrence Ferlinghetti, o fundador da livraria norte-americana City Light Books.

“Por aqui também passaram Hélia Correio, Lídia Jorge, Maria Ondina Braga, Anónio Lobo Antunes, David Mourão-Ferreira, Dinis Machado e Ruy Belo”, acrescenta José Antunes Ribeiro, de 81 anos.

O espaço de Benfica está encerrado há sete anos, mas desde 2019 que os livros da Ulmeiro podem ser consultados e comprados na Fábrica Braço de Prata, em Marvila, com outra gerência.

Quando terminarem as obras de renovação, os 28 metros quadrados deste rés do chão vão manter aquele ambiente clássico que todos conhecemos. E claro que não faltarão as edições próprias da casa, nomeadamente a Memórias de Benfica. O objetivo é dar dar palco a autores que nasceram ou viveram na freguesia, com livros para miúdos e literatura portuguesa, “temáticas que promovam o debate de ideias” e obras típicas de alfarrabistas.

Na parte de baixo da loja, mesmo na cave de 80 metros quadrados, vão decorrer as iniciativas culturais. “Funcionaremos como galeria de arte onde vamos realizar sessões de poesia, leituras, apresentações de livros e muitas outras atividades”, revela o fundador. Também haverá, claro, “algumas surpresas”.

“Somos uma livraria de bairro e pretendemos ser um espaço de ligação ao bairro. As nossas atividades vão dar prioridade ao espaço onde estamos inseridos”, conclui José Antunes Ribeiro.

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