Livros

Já sabemos quando vai reabrir a histórica Livraria Ulmeiro em Benfica

O percurso da loja sempre foi marcado pelos obstáculos. Foi encerrada em 1971 durante o Estado Novo e novamente em 2016.
Está prestes a voltar.

Após dez anos encerrada, a Livraria Ulmeiro, em Benfica, volta a abrir portas a 1 de março. Para celebrar a ocasião, a Junta de Freguesia lançou um desafio à comunidade: ilustrar 15 personalidades ligadas à história deste espaço e, consequentemente, à localidade de Lisboa onde se insere.

Os vencedores vão ser imortalizados no Passeio Ulmeiro, que poderá ser visitado entre o antigo prédio da alfarrabista e o número 19B da Avenida do Uruguai, onde vai ser inaugurada.

A escolha vai ser feita pelas pessoas, que poderão escolher de um leque de 27 homens e mulheres da cultura — de áreas diferentes, como o teatro, cinema, poesia e literatura. Para votar, basta ir à página de Facebook da Junta de Freguesia de Benfica e dar um gosto nas suas fotografias favoritas.

Foi fundada em 1969 por José Antunes Ribeiro, e a sua história sempre foi marcada pelos obstáculos. Tal como aconteceu em vários outros casos durante o Estado Novo, foi obrigada a fechar em março de 1971 por decisão do governo de Marcelo Caetano, apenas três anos depois da inauguração.

Chegada a democracia, os responsáveis voltaram a declarar o amor aos livros com um relançamento do projeto que ganhou uma enorme credibilidade e tração entre os lisboetas e turistas. Porém, em 2016, a ditadura da economia revelou-se demasiado violenta e a Ulmeiro fechou mais uma vez. 

“Foi uma das livrarias que registaram mais apreensões de livros e sempre defendemos a liberdade de expressão”, conta José à NiT. O livreiro realizou dezenas de sessões culturais antes e depois do 25 de abril. Passaram por lá nomes como Zeca Afonso, Carlos Paredes, Vitorino, Francisco Fanhais ou Mário Viegas.

O espaço de Benfica está encerrado há sete anos, mas desde 2019 que os livros podem ser consultados e comprados na Fábrica Braço de Prata, em Marvila, com outra gerência.

Quando terminarem as obras de renovação, os 28 metros quadrados deste rés do chão vão manter aquele ambiente clássico que todos conhecemos. E claro que não faltarão as edições próprias da casa, nomeadamente a Memórias de Benfica. O objetivo é dar palco a autores que nasceram ou viveram na freguesia, com livros para miúdos e literatura portuguesa, “temáticas que promovam o debate de ideias” e obras típicas de alfarrabistas.

A cave de 80 metros quadrados do espaço irá acolher iniciativas culturais. “Funcionaremos como galeria de arte onde vamos realizar sessões de poesia, leituras, apresentações de livros e muitas outras atividades”, revela o fundador. Também haverá, claro, “algumas surpresas”.

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