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Começou a lavar os carros dos chefes e agora é CEO de uma empresa que fatura milhões

Rui Pedro Bairrada, fundador da Doutor Finanças, conta a sua história no novo livro “De Estafeta a CEO e de CEO a Chairman”.

Quando tinha 18 anos, Rui Pedro Bairrada trocava as noites no Bairro Alto pelo trabalho como estafeta no Deutsche Bank, onde ficava até às duas da manhã a separar faturas por código postal. “Ficava até às duas da manhã a fazer aquilo”, conta à NiT. Também entregava correio no edifício, arquivava documentos. Fazia quase tudo, até lavar o carro dos administradores. “Era bom porque saía da garagem com os BMW”, recorda com uma gargalhada.

Havia uma lógica por detrás de todo esse esforço. “Como eu não gostava de estudar, tinha de ser a minha melhor versão em tudo o que me dessem para fazer.” Foi esse princípio que garante tê-lo ajudado a subir na hierarquia do banco e a dar início ao percurso que viria a mudar a sua vida. Em 2014, fundou a Doutor Finanças. Atualmente, aos 48 anos, assume o cargo de chairman da empresa e conta agora a sua história em “De Estafeta a CEO e de CEO a Chairman”, o novo livro apresentado a 6 de novembro.

Natural da Lapa, em Lisboa, admite que nunca foi um aluno de destaque e que tinha “pouco jeito para a escola”. Percebeu rapidamente que o caminho teria que ser outro, menos tradicional. “Tratei sempre toda a gente por igual. Nunca houve distinção entre o segurança do banco e o presidente. Em cada função que me dessem, dava a melhor versão de mim”, explica.

Garante que foi essa atitude que o ajudou a progredir. De estafeta passou para a contabilidade, depois para a área comercial e, mais tarde, para o crédito habitação, a área onde acabaria por lançar a sua carreira. Não tinha formação específica, mas aprendia com os superiores e aceitava tarefas de todos os departamentos.

Aos 30 anos surgiu a hipótese de passar para a área de private banking, mas a aguardada proposta acabou por nunca surgir. “Disseram-me que eu não tinha capacidade porque não falava inglês e não tinha formação superior. Estereótipos que surgem muitas vezes.”

Esse episódio marcou-o e levou-o a decidir-se por outro caminho. Por achar que não teria mais espaço para crescer, demitiu-se. Foi por essa altura, em 2014, que criou a Doutor Finanças, uma empresa dedicada a ajudar clientes a encontrar as melhores opções de crédito habitação.

O que começou como um projeto pequeno transformou-se numa referência nacional no setor da intermediação de crédito. Hoje, a empresa fatura mais de 23 milhões de euros por ano, já está presente em Espanha e Itália, e tem mais de 280 trabalhadores.

É esse percurso que partilha no livro de 240 páginas. “O sucesso das organizações tem a ver com as pessoas. Sempre percebi que o meu papel era servir os outros. Tenho uma vontade gigante de acrescentar valor e ajudar as pessoas à minha volta”, nota.

Essa forma de estar também se reflete no papel de líder e comunicador. Rui Pedro Bairrada dá palestras em várias zonas do País e repete sempre a mesma mensagem às equipas e funcionários: “Tragam um sonho”. Acredita que muitos funcionários trabalham apenas para receber um salário “mas não têm um objetivo pessoal”.

Esse tema é explorado no novo livro que atualiza a obra publicada há dois anos: “De Estafeta a CEO”. A nova edição aprofunda a fase mais recente da vida do autor — a transição de diretor executivo para chairman — e fala do desafio que enfrentou ao afastar-se das decisões do dia a dia da empresa. “É uma posição mais passiva, mais estratégica. Fala-se menos, ouve-se mais.”

A obra mistura memórias com lições práticas, as chamadas “dicas de um estafeta que chegou a CEO”, e funciona como guia motivacional. “Quis partilhar a minha história e inspirar outros a acreditarem que sonhar alto custa tanto como sonhar baixo. Somos nós que comandamos a nossa vida e, se fizermos por isso, conseguimos alcançar os nossos objetivos.”

Admite que nem sempre tudo correu bem e que muitos duvidaram das suas capacidades. “Quando se atinge um certo patamar, com determinada visibilidade, há sempre quem duvide: ‘Como é que alguém que não gosta de ler, que não fala inglês e que não tem formação superior chega aqui?’”

Durante anos, sentiu a pressão de ter de provar o seu valor. “Sou muito grato ao burnout que tive, porque sem isso não me teria tornado CEO e não teria vivido estes últimos anos da minha vida. Também sou grato ao CEO que me disse que eu não tinha capacidade para certa função. Às vezes, as piores notícias são os maiores empurrões.”

Hoje continua a sonhar alto para a Doutor Finanças. Um dos seus objetivos é fazer da empresa “mais um unicórnio em Portugal”, uma startup avaliada em mais de mil milhões de euros. E também pensa em novos projetos pessoais. “Daqui a uns anos quero abrir uma fundação e continuar a acrescentar valor a nível mais pessoal, para continuar a ajudar os outros. É isso que me dá energia.”

O livro está atualmente à venda por 15,93€, graças a um desconto de 10 por cento. No entanto, o valor habitual (sem promoções) será de 17,70€.

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