Muitas vezes associado apenas a bares, restaurantes e discotecas, o Bairro Alto, em Lisboa, é também casa de espaços culturais que se podem visitar durante o dia. O mais recente abre já esta semana, a 29 de novembro. Chama-se Utopia 111 e chega com um conceito que une diferentes áreas. Embora os livros estejam em destaque, também vai encontrar esculturas, serigrafias, quadros e até CDs. O objetivo? “Ser muito mais do que uma livraria”, conta Luís Gonçalo, um dos fundadores, à NiT.
A ideia, explica, é criar um local onde diferentes expressões artísticas convivem lado a lado e onde o público possa entrar sem pressa, descobrir novos autores, ouvir música, beber um copo de vinho e, no futuro, assistir a conversas e pequenos concertos. “Queremos que aqui se consuma cultura em todos os formatos, não apenas livros”, revela.
Luís criou este projeto ao lado de Júlia Oliveira. Ambos com 25 anos, formaram-se em Ciência da Informação e História da Arte, respetivamente, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A história da Utopia, porém, começa muito antes, ainda no Armazém 111, antiga livraria gerida pelos pais de Júlia que chegou a ter duas lojas e, mais tarde, se dedicou apenas a feiras do do livro.
Agora, numa espécie de passagem de testemunho, renasce com um novo nome e uma ambição ainda maior. A Utopia 111 apresenta-se como uma livraria alfarrabista, embora este termo não seja suficiente para descrevê-la. Afinal, Luís Gonçalo diz que o objetivo sempre foi criar “um espaço cultural de inclusão” onde caibam palestras, mesmo quando não são sobre literatura, pequenos concertos e muitas formas de arte”.
A escolha do Bairro Alto não fazia parte dos planos, mas quando surgiu a oportunidade, os amigos souberam que tinham de agarrá-la. Além de ser uma zona história e movimentada, está rodeada de espaços com forte identidade artística, como a Casa do Comum ou a Galeria Zé dos Bois. “Estávamos a ver várias zonas de Lisboa, como Alcântara e Belém, mas aqui fez sentido”, confessa.
O nome do projeto também tem uma história curiosa. O “111” recupera o legado do Armazém 111, que por sua vez nasceu numa loja com esse mesmo número. Já “Utopia” surgiu do desejo que tinham de criar algo que não tivesse muita presença na zona.
Ali, as paredes estão forradas de estantes recheadas de livros — que também chegam às mesas espalhadas pelo espaço. A música ambiente, os copos de vinho, o café e as revistas disponíveis para folhear com calma também convidam o público a entrar e ficar. “Não queremos ser uma grande cadeia. Queremos, sim, ser um espaço onde as pessoas possam estar um bocadinho e não vir apenas comprar um livro.”
No que diz respeito à literatura, a oferta é vasta: há romances, álbuns fotográficos, livros de arte, música, filosofia, sociologia, títulos comerciais e obras de autores consagrados. “Não estamos fechados numa lógica de raridades como é comum numa alfarrabista, embora também os tenhamos”, realça.
Os preços começam nos 3€, embora maioria dos livros custe entre 5€ e 10€. No entanto, há algumas propostas mais especiais cujos valores podem chegar aos 40€ e 50€.
A Utopia 111 também vende CDs de música, sobretudo rock clássico, jazz, música erudita, entre outros. Ali estão representados ícones como Tina Turner, Bruce Springsteen e Andrea Bocelli. “Dentro de cada área queremos ter um pouco de tudo, para ser um espaço para toda a gente”, afirma o fundador.
As expectativas são altas, também alimentadas pelo feedback de quem vive nas redondezas. Uma semana antes da abertura oficial, uma moradora entrou por curiosidade e, ao ouvir o conceito, deixou uma frase que chamou a atenção de Luís Gonçalo: “A comunidade é que agradece.” “É esse o novo objetivo. A livraria oferece um serviço e a comunidade apoia a livraria.”
Carregue na galeria para conhecer alguns dos livros que são chegam a Portugal em novembro.

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