Livros

Mais de quatro séculos depois, Oxford deixa de imprimir livros

Foi só em 1969 que deixaram de escrever as atas da universidade à mão. Era uma questão de prestígio e tradição.
Universidade data do século XI.

Uma das mais antigas universidades do mundo tem também uma editora com séculos de vida e que é um verdadeiro símbolo britânico. Porém, no próximo dia 27 de agosto, a prestigiada Oxford University Press chega ao fim. Pelo menos dentro da universidade. É o adeus a algo ímpar.

A fundação da Universidade de Oxford data de 1096 mas o primeiro livro a ser publicado naquela academia foi “Comentário ao Símbolo Apostólico”, do Bispo Rufino, lançado em 1478. Só em 1586, numa altura em que por cá “Os Lusíadas” já tinham sido editados, é que a editora começou a operar de forma continuada. A decisão chegou por decreto real.

Foi o início de uma tradição que virou algo especial no Reino Unido. O seu estatuto é comparado pelo “El Pais”, à BBC e ao serviço nacional de saúde britânico. Durante mais de quatro séculos, a editora de Oxford fez questão de manter o seu estatuto intocado.

Nos tempos de maior expansão do império britânico, a editora cresceu também. No seu auge, chegou a ter mais de seis mil funcionários, contando com representação em mais de 50 países. Em todo este tempo o prestígio aliava-se a uma foram diferente de fazer as coisas. Até 1969, por exemplo, as atas da universidade ainda eram escritas à mão, pese embora há muito que a máquina de escrever estivesse massificada.

Ao longo dos séculos, a Oxford University Press publicou estudos, livros, ensaios que iam aos mais diversos temas, das ciências à religião, da literatura à filosofia. Mais do que as vendas, era uma questão de prestígio publicar um livro com o selo da editora.

Em 1989, o serviço começou a sair dos corredores da universidade e a ser feito fora de portas. Foi o início de um processo de lento declínio. Com a pandemia, o pouco que faltava e que ainda era feito dentro de casa precipitou-se para o fim.

Os últimos serviços encerram a 27 de agosto. Os 20 funcionários ainda ligados à editora serão colocados noutros departamentos da universidade. A editora não desaparecerá, mas pela primeira vez em mais de quatro séculos Oxford deixará de imprimir livros dentro de portas. É o fim de uma era.

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