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Mariana Alvim: “Demorei mais de 10 anos a escrever este romance”

A autora fala com a NiT sobre o seu primeiro livro para adultos, "O Amor que Escolhemos", lançado no início de julho.

Quando tinha apenas 13 anos, Mariana Alvim já sabia o que queria fazer da vida. Disse à professora de português que sonhava ser escritora e nunca abandonou essa ideia, apesar de o percurso a ter levado por outros caminhos. Trabalhou em marketing, escreveu guiões para os “Morangos com Açúcar”, tornou-se uma das vozes mais conhecidas da rádio e da televisão e criou o podcast “Vale a Pena”, onde conversa regularmente com escritores e outras figuras públicas sobre livros. O projeto de publicar um romance para adultos, no entanto, acabou por ficar em pausa durante vários anos, enquanto conciliava a carreira na rádio, na RFM, com a vida familiar e a maternidade de três filhos.

Agora, aos 47 anos, concretiza esse objetivo com “O Amor que Escolhemos”, o primeiro romance para adultos, lançado a 9 de julho pela Porto Editora. O livro acompanha três amigas em diferentes fases da vida e aborda temas como famílias tóxicas, relações no trabalho, homofobia, inseguranças e a coragem de deixar de aceitar menos do que merecemos.

À NiT, Mariana Alvim explicou como nasceu o sonho de escrever, recordou a experiência como guionista, falou sobre a influência do podcast na sua forma de ler e escrever e revelou por que acredita que a amizade pode ser uma das formas mais honestas de amor.

Sempre disse que queria ser escritora. Quando percebeu que esse era realmente o seu sonho?
Lembro-me perfeitamente de dizer à minha professora de Português, aos 13 anos, que queria ser escritora. Esse sonho nunca desapareceu. Trabalhei vários anos em marketing, fiz cursos de escrita criativa nas férias e depois do trabalho, até que decidi arriscar. Passei pelo guionismo, pela rádio e pela televisão, mas escrever romances era um objetivo que esteve sempre presente.

Este é o seu primeiro romance para adultos. Porque surgiu agora?
Na verdade, comecei a escrevê-lo há mais de dez anos. Houve muitas interrupções porque a vida aconteceu pelo meio: trabalho, filhos e outros projetos. Só mais tarde, quando a Porto Editora me desafiou a mostrar aquilo que tinha escrito, senti que era o momento certo para o terminar.

O que a levou a escrever “O Amor que Escolhemos”?
Queria escrever sobre temas com os quais as pessoas se identificassem. O livro fala de amizade, mas também de famílias tóxicas, colegas de trabalho narcisistas, casamentos longos, homofobia e inseguranças. São conversas que tenho muitas vezes com amigos e que sinto que merecem ser exploradas na ficção.

Há quem veja a amizade entre mulheres como uma relação marcada por rivalidade. Quis contrariar essa ideia?
Nem pensei nisso. Simplesmente não acredito nesse estereótipo. Quis mostrar a amizade destas três mulheres, com as suas imperfeições, vulnerabilidades e momentos difíceis. A amizade também passa por dizer verdades e apoiar-nos quando precisamos de mudar.

O podcast “Vale a Pena” mudou-a enquanto leitora e escritora?
Sem dúvida. Hoje sou uma leitora completamente diferente da que era quando comecei o podcast. Descobri muitos autores portugueses e estrangeiros e isso fez-me crescer. Curiosamente, também tornou a escrita mais desafiante, porque leio livros extraordinários e penso muitas vezes que nunca conseguirei escrever assim. Mas continuo convencida de que a melhor forma de aprender a escrever é ler.

A capa do primeiro romance para adultos lançado por Mariana Alvim.

Foi guionista dos “Morangos com Açúcar”. O que trouxe dessa experiência para os romances?
Sobretudo o treino dos diálogos. Nos guiões aprendemos a contar histórias através das conversas entre as personagens e isso ficou muito presente na minha escrita. Gosto de fazer avançar a narrativa através do diálogo. Além disso, o ritmo da televisão ensinou-me a ser mais objetiva e a manter a história sempre em movimento.

Quais são as maiores diferenças entre escrever um romance e um guião?
Na televisão há uma pressão diária muito grande. Todos os dias havia um episódio para entregar e toda a equipa dependia desse trabalho. Num romance o processo é mais solitário e dá-nos mais liberdade, embora também exija muita disciplina. Quando a editora entra em cena, voltamos a ter prazos, mas continua a ser uma experiência completamente diferente.

Qual das três protagonistas foi a mais difícil de escrever?
Talvez a Catarina, porque é a personagem mais diferente de mim. A Laura e a Vitória também deram trabalho, porque queria que os leitores percebessem que, apesar de terem percursos semelhantes, são mulheres completamente diferentes.

O livro fala muito de recomeços e de deixar de aceitar menos do que merecemos. O que espera que os leitores retirem desta história?
Espero que se identifiquem. À medida que envelhecemos conhecemo-nos melhor e percebemos aquilo que queremos e aquilo que já não aceitamos. Se alguém acabar o livro e sentir vontade de mudar alguma coisa na sua vida, seja um trabalho, uma relação ou uma amizade, então já valeu a pena escrevê-lo.

O livro “O Amor que escolhemos”, editado pela Porto Editora, está à venda online por 15,98€.

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