Livros

Mercado editorial ao rubro: José Rodrigues dos Santos troca Gradiva pela Planeta

Ao fim de 21 anos, o escritor termina a relação com a editora portuguesa, para se mudar para a multinacional espanhola.
A editora publicou os 30 livros do escritor.

A novidade que ninguém no mundo editorial esperava chegou.  Ao fim de 21 anos com a editora Gradiva, José Rodrigues dos Santos parte para uma nova relação. O escritor e jornalista português acaba de assinar um acordo com a gigante espanhola Planeta que irá publicar já o próximo livro do autor, em outubro.

Num comunicado emitido no passado dia 17 de maio, a Planeta de Livros Portugal revelou que “irá publicar o novo romance de José Rodrigues dos Santos, em outubro de 2022. “É com enorme entusiasmo que iniciamos este trabalho conjunto com o autor mais vendido em Portugal, com 23 romances editados, mais de 3 milhões de exemplares vendidos e publicado em mais de 20 línguas”, lê-se na nota.

A relação de José Rodrigues dos Santos com a Gradiva começou há mais de duas décadas e foi lá que o escritor lançou os seus 30 livros. Desde então, vendeu mais de três milhões de exemplares em todo o mundo, tornando-se no autor mais lido do país.

O último título, “Jardins de Animais com Alma”, lançado em outubro de 2021 — e que até agora vendeu 60 mil exemplares —, deu à editora um lucro superior a 200 mil euros.

O fundador, Guilherme Valente, garantiu ao “Expresso” que “a sua saída representa um rombo orçamental que obrigará a Gradiva a redistribuir energias e recursos, mas não mais que isso”.

Segundo a mesma publicação, “este era um desfecho anunciado. Há um ano que o jornalista e escritor estava a ponderar se aceitava ou não o convite da Planeta”.  O proprietário da Gradiva garante ao jornal que desta separação não ficaram má­goas. “Na verdade, vivi sempre com o fantasma de que alguém o levasse”, confessa, aqui citado pelo mesmo meio.

No entanto, o meio editorial está a levantar algumas questões relacionadas com a ética da editora Planeta nesta transferência mediática. Manuel de Freitas, diretor-geral da Penguin Random House em Portugal,  critica a postura da editoria espanhola: “O autor não estava à procura de nova editora. E há uma regra de base que nos orienta: não aliciar autores de outras editora”, explicou, aqui citado pelo “Expresso”.

A Gradiva foi criada por Guilherme Valente em 1981. A editora portuguesa tem no portfólio autores como Eduardo Lourenço, Umberto Eco, George Steiner, João Lobo Antunes, António José Saraiva, Hubert Reeves, Michael Cunningham, Kazuo Ishiguro, Carl Sagan e Ian McEwan.

 

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