A escritora, bióloga e professora universitária Clara Pinto Correia morreu aos 65 anos. Foi encontrada esta terça-feira, 9 de dezembro, na sua casa em Estremoz.
Filha de José Manuel Pinto Correia, Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e de Maria Adelaide da Cunha e Vasconcelos de Carvalho Amado, viveu vários anos em Angola, onde descobriu o gosto pela biologia. Era irmã da jornalista Margarida Pinto Correia.
Como autora, teve uma influência marcante na sociedade portuguesa. A sua carreira literária começou em 1983 e o romance mais conhecido é “Adeus, Princesa”, publicado quando tinha apenas 25 anos.
A história passa-se numa vila alentejana e acompanha Mitó, uma rapariga do liceu que é também a principal suspeita da morte do namorado, um alemão da Base Aérea de Beja. Um jornalista e um fotógrafo de um jornal de Lisboa deslocam-se à vila para recolher informações e testemunhos sobre um caso complexo, no qual cada interveniente tem uma versão própria dos factos, muitas vezes contraditória.
“Os dois jornalistas acabam por ir inesperadamente ao encontro de uma história de amor e morte no coração do Alentejo. E se tudo isto parece estranhamente familiar e moderno, é porque o drama terrível que, em 1985, dizia estritamente respeito ao Alentejo se apoderou hoje do país inteiro”, lê-se na sinopse.
Entre outros títulos da sua autoria estão “Ponto Pé de Flor”, “Antares”, “Um Homem Tem Que Lutar”, “Não Podemos Ver o Vento” e “A Maravilhosa Aventura da Vida”.
Em janeiro de 2003, esteve envolvida numa polémica que a afastou da vida pública. Foi acusada de plágio num artigo escrito para a revista “Visão”. “Eu estava nos Estados Unidos. Na altura não havia Google. As pessoas começaram a ligar-me para casa, a dizer que eu tinha plagiado não sei o quê. Nem sequer sabia do que estavam a falar. No segundo dia, telefonou a minha mãe a dizer: ‘Não respondas a nada do que as pessoas te perguntarem. Estão a aproveitar tudo o que dizes para fazerem de ti parva.’ E eu calei-me”, contou à “Sábado” em janeiro deste ano, numa citação recuperada pelo “Correio da Manhã”.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu à notícia, deixando uma nota pública onde apresenta à família, amigos e admiradores os seus “afetuosos sentimentos, consternado pela sua partida prematura”.
“Clara Pinto Correia juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros. Não deixou nunca ninguém indiferente. Daí o sentido de ausência por todos partilhado neste momento”, lê-se no comunicado.

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