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Nesta livraria, só se vende um título por semana. E toda a decoração é inspirada nessa obra

As escolhas de Yoshiyuki Morioka vão alternando. O espaço, em Tóquio, transforma-se numa galeria de arte inspirada no livro da vez.

Num mundo onde o entretenimento tem cada vez mais oferta, há um espaço no outro lado do mundo que rema contra qualquer corrente consumista. A ideia pode soar estranha, mas numa pequena livraria em Tóquio, no Japão, vendem-se cópias de um só título, de cada vez.

A loja chama-se Morioka Shoten, abriu em 2015, e fica num do bairros mais sofisticados da cidade, Ginza. Segue a filosofia minimalista que o dono, Yoshiyuki Morioka, defende. Todas as semanas, escolhe um título novo, seja um romance, uma biografia ou um mangá, de qualquer parte do mundo. E, durante seis dias, só vende exemplares dessa única obra.

O livreiro teve a ideia quando trabalhava noutra livraria. “Lá, tinha cerca de 200 livros em stock e costumava organizar vários lançamentos por ano. Durante esses eventos, muitas pessoas visitavam a livraria à procura de um único livro”, contou ao jornal “The Guardian”.

Passou a acreditar que seria possível sustentar um negócio dessa forma, fugindo do ritmo do mundo atual, que parece oferecer opções ilimitadas de tudo. Vender apenas um título pode parecer arriscado, mas a verdade é que o responsável acredita que a curiosidade constante por parte dos clientes em descobrir qual será o próximo livro e tema da decoração mantém o conceito vivo.

A verdade é que Morioka transforma o espaço numa exposição inspirada no livro da semana, com várias obras de arte que estejam relacionadas com o mesmo. A criatividade não tem limites. Se um título falar sobre flores, pode encher o espaço com elas. Num dia inspira-se numa floresta, no dia seguinte, numa casa de chá. Uma vez, colocou 100 sacos de pano nas paredes, cada um a representar uma página do livro escolhido da vez.

Uma das instalações.

“Além disso, peço aos autores e editores que estejam na livraria o máximo de tempo possível. Esta é uma tentativa de transformar o livro bidimensional em alguma experiência e ambiente tridimensionais. Acredito que os clientes, ou leitores, devem sentir como se estivessem a entrar dentro do livro”, acrescenta.

Antes de visitar o espaço, os clientes podem verificar qual é o livro da semana através das páginas oficiais do Morioka Shoten. A experiência na loja dependerá totalmente da escolha.

A livraria ocupa um edifício histórico, de 1929, que até ao final da Segunda Guerra Mundial abrigou a editora de propaganda japonesa Nippon Kobo, responsável pelo jornal “Nippon”. Coincidentemente, Morioka possuía uma coleção considerável de obras do género da época da guerra que acabou por vender para financiar a abertura.

No interior, a filosofia minimalista espelha-se no design. As paredes e o teto em betão bruto foram pintados de branco e o pavimento, também de betão, foi mantido no estado original. Os únicos móveis são um aparador antigo, que serve como balcão, a mesa de trabalho pessoal do responsável e uma pequena mesa central onde o livro fica em exposição.

Embora “o mercado de livros atual pareça estar a perder espaço para os e-books e outras meios, como as redes sociais”, segundo o proprietário “um livro é um objeto físico com um apelo especial que sempre foi, é e sempre será o mesmo”. “Muitos continuarão a utilizar livros físicos, especialmente como ferramenta de comunicação”, conclui.

O responsável pelo espaço.

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