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Nesta nova livraria não existem livros nas estantes — só audiobooks para ouvir

Abriu em Nova Iorque, com salas especiais de escuta, eventos literários e recomendações feitas à medida dos ouvintes.

Não há prateleiras cheias, nem páginas para folhear, mas há histórias por todo o lado. Em Nova Iorque, abriu um espaço que troca os livros físicos por auscultadores e promete mudar a forma como funcionam as livrarias. A Audible Story House foi inaugurada esta sexta-feira, 1 de maio, no bairro de Lower East Side, no sul de Manhattan. 

É um conceito diferente do habitual: aqui, não se compra nada diretamente nas estantes e o silêncio típico das livrarias dá lugar a experiências de escuta. A ideia partiu da Audible, plataforma de audiolivros da Amazon, que quis criar um espaço físico para um formato que vive sobretudo no digital.

“É uma ideia um pouco louca”, admitiu o diretor da empresa, Bob Carrigan, aqui citado pela “USA Today”. “Perguntámo-nos como dar vida aos audiolivros num ambiente onde se possa descobrir novas obras e conhecer pessoas interessadas em boas histórias.”

Na prática, os visitantes encontram pequenos cartuchos de áudio expostos: cada um com excertos de alguns minutos de diferentes títulos. Basta colocá-los num leitor e ouvir com auscultadores. Para continuar a história, é preciso recorrer à aplicação da plataforma, onde os conteúdos completos estão disponíveis através de subscrição ou compra.

O espaço vai além da simples audição. No piso superior existe um bar e, noutro ponto do espaço está uma sala com colunas onde é possível ouvir histórias sem auscultadores — ou até deitado, para aproveitar ao máximo a história. Existe também um “listening bar” e uma figura curiosa: o “storytender”, uma espécie de “barman das histórias” que ajuda os visitantes a encontrarem o audiolivro ideal.

A Audible pretende que este seja um ponto de encontro entre os nova-iorquinos, não apenas uma loja. Durante o primeiro mês estão previstos eventos como conversas com autores e debates literários. O objetivo é recuperar o lado social das livrarias, mas adaptado a uma geração habituada ao digital.

“O conceito passa por aproveitar a nostalgia e o sentido de comunidade associados aos livros, ao mesmo tempo que se adapta à época”, explicam os responsáveis. O foco está sobretudo nos mais jovens, que procuram experiências físicas depois de anos mergulhados em conteúdos online.

Os números ajudam a perceber a aposta: segundo a Associação Americana de Editores de Áudio, o mercado de audiolivros nos Estados Unidos atingiu a soma recorde de 2,22 mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros) em 2024, quase o dobro do que valia há cinco anos.

Em Portugal, o fenómeno não tem esta dimensão, mas já começa a ganhar escala. No início do ano, a BiblioLED anunciou que vai disponibilizar cerca de 50 clássicos da literatura portuguesa em formato audiolivro gratuito a partir de setembro. 

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