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Pedro Chagas Freitas: “Recordarei para sempre o momento em que cortei o cabelo a mim mesmo”

O escritor português responde ao questionário da NiT sobre o confinamento.
O autor tem 41 anos.

Têm sido muitos os criativos que têm dito no último ano que, apesar de todas as coisas terríveis da pandemia, tem tido um lado positivo de haver mais tempo para a criação. Isso também pode ser verdade com Pedro Chagas Freitas, mas o escritor não esconde que o facto de ser pai de um filho pequeno lhe tem dado muito trabalho nestes tempos.

Entre séries e filmes vistos aos bocados e as corridas pela casa fora, Pedro Chagas Freitas conta aos leitores da NiT como tem sido o seu confinamento.

Com quem é que está a passar o confinamento?
Com os melhores do mundo (o facto de estarem aqui ao meu lado, de olhos esbugalhados, a observarem atentamente o que eu escrevo nada teve que ver com este elogio sincero e espontâneo): a minha mulher, Bárbara, e o meu filho Benjamim, de quase três anos.

Qual é a série de televisão que está a ver neste momento?
“Modern Family”: o tempo é pouco para “drogas mais pesadas”. Mas ao longo do confinamento houve de tudo a este nível. Sempre que o Benjamim deixa vemos um bocado. São os três ou quatro minutos mais tranquilos do nosso dia.

Recomende-nos um livro que nunca devemos ler durante a pandemia.
Um livro de viagens. Deixem de ser masoquistas, sim?

Aproveitou este período para ver algum filme clássico?
Adoraria. Mas o tempo útil do dia, como referi acima, é escasso. Tudo, até os filmes, são séries para nós: temos de ver aos pedaços.

Qual é a peça de roupa que mais repetiu durante estes dias?
Experimentei amiúde a insólita combinação calça de pijama (ou calção) + camisa sóbria e blazer. Todos a experimentámos. Mas só alguns, poucos, corajosos o assumem. 

Conte-nos o motivo da sua maior discussão familiar nesta fase.
A localização sempre oculta do comando remoto ou a localização sempre perigosa dos carrinhos de brincar do Benjamim têm sido pratos cheios.

Depois deste confinamento, qual é a comida que nunca mais vai querer ver à frente?
Temos sido criativos e preguiçosos em doses iguais. Mas sim: tenho saudades profundas de ir a um restaurante. Ai.

Tem feito algum tipo de exercício físico?
Sou um atleta de alta competição: corro atrás do Benjamim 24 horas por dia. Tenho de ser um Bolt de trazer por casa. Literalmente.

Qual é o local da cidade de que tem mais saudades?
Do parque infantil. Passava lá, e acredito que ainda irei passar quando tudo isto passar, muito do tempo de qualidade que tenho com o meu filho. A vida sem descer pelo escorrega não tem graça nenhuma.

Conte-nos aquele momento em que o tédio o levou a fazer o impensável.
Recordarei para sempre o momento em que, de tesoura em punho, cortei o cabelo a mim mesmo. E o momento, imediatamente após, em que vasculhei as gavetas à procura das minhas boinas de adolescente — que a minha mulher sabiamente doou.

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