Freida McFadden continua a dominar o mundo da literatura. Desde 2013, já vendeu mais de 17 milhões de livros em vários países. O seu “A Criada” tornou-se um fenómeno de vendas a nível mundial, fazendo com que a editora Alma dos Livros decidisse publicar muitas outras obras dela por cá. Tornou-se mesmo a autora mais popular de 2024 em Portugal.
Este ano, a escritora norte-americana, de 44 anos, pode repetir o feito, pois, apesar de estarmos apenas no início do quarto mês de 2025, já chegaram três novos livros dela às prateleiras nacionais. “Ala D” foi lançado em janeiro (a obra mais vendida deste ano na Kobo), “O Acidente”, em fevereiro e, a 3 de abril, foi editada a obra “A Mulher no Andar de Cima”, em português.
O título mais recente conta a história de uma enfermeira particular que começa a temer pela própria vida. A personagem não foi inspirada em si própria, mas poderia ter sido: quando não está a escrever, Freida, que atualmente vive em Boston, trabalha na área da medicina. É, mais especificamente, uma médica especializada em problemas cerebrais.
“Sou médica e não quero que os meus pacientes saibam”, começou por escrever no blogue “Women Writers, Women’s Books”. “Será que a maioria das pessoas ficaria tranquila com o facto de a sua médica escrever thrillers? Provavelmente sim. Por outro lado, tenho que dizer que não sei como é que eu me sentiria se soubesse que o meu médico escreveu um livro no qual os pacientes são sistematicamente assassinados. Ficaria um pouco nervosa”, confessou.
Com tanta discrição, muitos dos seus colegas e pacientes não souberam, durante muito tempo, que era um fenómeno no mundo dos thrillers — que lança a um ritmo impressionante. No espaço de um ano, lançou seis obras e todas se tornaram bestsellers internacionais.
Naturalmente, o sucesso já saiu das páginas e, nos próximos tempos, vai chegar a outros ramos do entretenimento. “A Criada”, lançado em 2022, está a ser adaptada ao cinema, com Sydney Sweeney e Amanda Seyfried no elenco. Já “Nunca Mintas” vai tornar-se uma série da Netflix.
Ao contrário de outros autores do género, Freida McFadden é bastante misteriosa: nas poucas vezes em que foi fotografada para revistas, acredita-se que tenha usado uma peruca e óculos falsos. Além disso, não promove as suas obras de formas convencionais, ou seja, através de eventos ou feiras do livro.
Como se mantém relativamente discreta, muitas são as pessoas do seu dia-a-dia que não sabem o que faz nos tempos livres. No entanto, admite que não é exatamente cautelosa. “Eu não estou no programa de proteção de testemunhas”, disse ao “The New York Times”.
Recentemente, até revelou às amigas do seu clube de leitura quem realmente é. “Ninguém reagiu como gostaria. Quando comecei a contar às pessoas, pensava que iam ter uma reação incrível, mas apenas me dizem que vão dar um vista de olhos nos meus livros e depois nunca o fazem. Fica um clima constrangedor”, brinca.
“Algumas pessoas já sabem, mas quero continuar a trabalhar sem isso se tornar um problema. Quero continuar a focar-me em ser médica”, aponta. Há, então, certos lugares onde gosta de estar sem ser reconhecida. O principal é, claro, o local de trabalho. O outro é a aula de ioga. “Sou péssima e não consigo fazer nada. Pessoas com o dobro da minha idade conseguem esticar os pés sobre a cabeça. Eu não quero que todos na sala saibam que a Freida é péssima a fazer ioga.”
A norte-americana cresceu no centro de Manhattan com o irmão que, atualmente, é produtor musical. Os pais, que se divorciaram quando ainda eram miúdos, trabalhavam ambos num hospital — a mãe era pediatra e o pai, psiquiatra. Quando tinha três anos, Freida começou a dizer que também queria ser médica.

Na adolescência entrou para uma escola secundária em Nova Iorque, que a assusta até aos dias de hoje. Na verdade, acha que escrever vários livros por ano enquanto trabalha no hospital é fácil comparado ao “período infernal de exames” que lá passou.
A instituição, porém, trouxe-lhe coisas boas: foi lá que conheceu o marido, “numa aula de ciência da computação”. “Mais nerd do que isto é impossível”, brinca. Quando chegou à universidade, formou-se em Matemática, em Harvard, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, antes de se dedicar à faculdade de medicina. Paralelamente, ia escrevendo novos textos que enviava para editoras.
A sua vida mudou quando, em 2013, descobriu que podia tornar-se numa autora independente e lançou o seu primeiro título, “Devil Wears Scrubs”, baseado num diário onde anotava os seus pensamentos durante o estágio num hospital. “É muito baseado na realidade, o que é assustador. A protagonista trabalha turnos de 30 horas para uma chefe horrível. Essa chefe é baseada na minha residente sénior daquela época”, revela.
Naquela altura, era mãe de dois filhos pequenos e escrevia de madrugada ou logo pela manhã, enquanto os miúdos dormiam. “Às vezes também trabalhava com um deles a dormir em cima de mim”, relembra.
A razão pela qual escolheu Freida McFadden como pseudónimo é bastante simples — e, mais uma vez, está ligada à sua vida enquanto médica. O primeiro nome é um acrónimo para Fellowship and Residency Electronic Interactive Database, um sistema que ajuda os estudantes a encontrar estágios hospitalares. McFadden surgiu porque queria algo “mais humorístico”. “Na altura, não sabia que ia ser escritora de thrillers. Isso nunca esteve nos meus planos.”
O primeiro título que lançou aproxima-se mais do género da comédia, bem ao estilo de “O Diabo Veste Prada”. Passada mais de uma década, olha para esse trabalho de uma forma mais depreciativa, principalmente pelo facto de “não ter enredo”. “Agora, quando o leio e chego ao final, penso: ‘é só isto?”
O sucesso chegou quando finalmente percebeu que os livros precisam de ter “uma narrativa bem construída”. Para conseguir cumprir este objetivo, olhou para os textos como se fossem fórmulas matemáticas. “O enredo é a pergunta e a reviravolta é a solução”, assume.
Os thrillers da autora são marcados por twists chocantes e inesperados — que são sempre aprovados pelo marido, um homem “ótimo a encontrar falhas”. O primeiro rascunho, porém, vai para a mãe, que sublinha todas as asneiras. “Ela sugere palavras alternativas mesmo que eu não o peça”, brinca.
“A Mulher no Andar de Cima” está à venda em todas as livrarias nacionais. Editado pela Alma dos Livros, tem 344 páginas e custa 19,45€. Contudo, está atualmente com um desconto de 10 por cento, baixando o custo para 17,51€.








