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Sérgio Godinho: “Não tenho personagens mulheres fracas”

O músico tornado escritor acaba de editar o seu primeiro romance, "Coração Mais que Perfeito". Falou com a NiT sobre o livro, aquilo que lia quando era miúdo e os seus planos na música.

O livro vai ser publicado a 24 de fevereiro

Apesar de ser mais conhecido como músico — e de ser de facto essa a sua maior vocação, com 28 álbuns lançados —, Sérgio Godinho sempre foi um homem de várias artes. Desde cedo que foi ator no teatro, e além da música, escreveu guiões de cinema, peças, séries de televisão, poesia, histórias para miúdos e crónicas.

Depois de se estrear na ficção com um conjunto de contos, “Vidadupla”, em 2014, agora edita o seu primeiro romance, “Coração Mais Que Perfeito”, pela Quetzal. O livro chega às lojas a 24 de fevereiro e está disponível em pré-venda por 16,60€. A história foca-se numa mulher, Eugénia, e no percurso lado a lado com o seu grande amor, Artur. A NiT falou com Sérgio Godinho sobre o seu primeiro romance. E parece que já escreveu um segundo.

Quanto tempo é que demorou a escrever o livro?
Cerca de um ano e meio. Eu tenho um ritmo em que não escrevo muito por dia, mas ganhei um hábito, que é uma espécie de vício, em que tenho a necessidade de escrever um pouco todos os dias. Quer dizer, se tiver concertos fora, não. Mas se estiver no meu computador, escrevo todos os dias.

Prefere escrever durante o dia ou à noite?
À noite, porque é quando tudo para e parece que não há tantas interferências do quotidiano. Definitivamente, não de manhã. Também posso escrever um pouco ao fim da tarde, porque é nessa altura que já estão os rolamentos oleados. É mais natural. Preciso de estar sozinho para criar, seja canções ou ficção.

Inspirou-se em alguém em particular para escrever esta história?
Não, de maneira nenhuma. São produtos da imaginação, não é autobiográfico e não há ninguém para que tenha olhado e pensado “vou escrever algo parecido com o que esta pessoa é”. A personagem principal é uma mulher, mas há um homem que é o seu grande amor e que vai estar em grande parte da ação. Eu gosto muito… as minhas mulheres, nas minhas canções, são fortes. Não tenho personagens mulheres fracas. Não quer dizer que as mulheres sejam todas fortes e esta personagem principal não é nenhuma santa. Mas isso já é de outro foro. Talvez a personagem do homem tenha pontos de contacto [comigo] pelo facto de ele ser ator de teatro — eu já fiz teatro, produção teatral — mas isso é mais conhecimento do meio. Não é a vida dele que se assemelha à minha. Até porque ele começa a entrar em perda psíquica e o livro começa com o suicídio dele, não tem a ver comigo. Não sou uma pessoa depressiva.

A ideia de escrever um romance é antiga ou foi uma coisa recente?
Antes do romance escrevi um livro de nove contos chamado “Vidadupla”. Foram escritos em sequência, ou seja, não estavam guardados na gaveta. Têm uma linguagem comum embora sejam independentes uns dos outros e as personagens também. O que me aconteceu com “Coração Mais Que Perfeito” foi a vontade de continuar a escrever, e algo que tivesse mais fôlego e onde as personagens pudessem existir durante mais tempo e numa maneira mais profunda.

Tem um livro favorito de infância? Costumava ler quando era pequeno?
Quando era pequeno foi quando apareceram “Os Cinco”… em minha casa lia-se muito. E no princípio da adolescência comecei a ler a sério: o primeiro romance do Eça [de Queiroz], tinha eu 13 anos, foi o livro do “Crime do Padre Amaro”. Comecei logo bem [risos], a entrar na matéria bastante obscura, no sentido moral. Havia um culto muito grande da leitura e da música em minha casa — a minha mãe tinha o curso superior de piano, tocava muito em casa, o meu pai trazia muitos livros porque a minha avó foi alfarrabista durante algum tempo. Eu ia à loja dela e aquele cheiro dos livros usados é muito familiar. Ela levava-me à Livraria Lello. E comprava-me todos os meses — a partir da altura em que aprendi francês — um livro do Tintin. Ainda tenho a coleção de livros do Tintin, que já estão todos bem manuseados.

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