O “repórter mais famoso do mundo”, Tintim, nasceu a falar francês. Com o crescimento d’ “As Aventuras de Tintim”, série de banda desenhada franco-belga criada pelo cartoonista Hergé, para outros países, passou a falar muitas outras línguas. Em 2026, vai acrescentar mais uma à lista: mirandês.
O lançamento de “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), tradução do quarto álbum da saga, terá edição limitada de mil exemplares. Junta “a cultura e a língua mirandesa à banda desenhada mais clássica e tem como base uma personagem portuguuesa que faz parte das aventuras de Tintim”, explicou Daniel Sasportes, promotor da iniciativa, em declarações à agência Lusa, aqui citado pela Renascença.
Além de Oliveira da Figueira, o único personagem português recorrente na série, o percurso de Tintim está ligado ao nosso País há 90 anos por outra razão: em 1936, a revista portuguesa de banda desenhada “O Papagaio” foi a primeira publicação fora do espaço francófono a traduzir Hergé, introduzindo “As Aventuras de Tintim na América do Norte” em língua portuguesa, as primeiras histórias do repórter.
Nove décadas depois, surge agora um volume em mirandês, idioma falado por 15 mil habitantes no nordeste transmontano, sendo a 148.ª tradução das peripécias do herói.

A tradução ficou a cargo de Alcides Meirinhos, que passou do original para o segundo idioma oficial de Portugal uma das narrativas mais emblemáticas, publicada originalmente em 1932 na revista “Le Petit Vingtième“ e editada nos álbuns pela belga Casterman.
“Os Charutos do Faraó” marca a estreia de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira, em mirandês) no universo d’“As Aventuras de Tintim”, e, o que confere “simbolismo especial à edição” para Sasportes, sendo tudo menos casual. Disponível em capa dura, esta tradução, representa, nas palavras de Sasportes, “não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal”.
O projeto agora materializado em livro esteve “muito tempo” em maturação. “Nós não temos qualquer direito sobre a obra”, explica Sasportes. Os direitos autorais “pertencem à Tintinimaginatio, que está a comercializar o álbum a quem o solicitar, ou através de vendas digitais, em boutiques especializadas ou livrarias que o entendam fazer, como já aconteceu numa livraria do Porto”, esclarece.
“Esta edição do álbum do Tintim em mirandês foi uma ideia de um português, com tradução de um mirandês, mas cujos direitos são todos belgas”, resume Sasportes. Já o tradutor, Alcides Meirinhos, membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), descreve o processo como “um desafio interessante”. O início foi “um pouco trabalhoso e difícil”, confessa, mostrando estar satisfeito com o resultado.
“Penso que se conseguiu dar um cunho mirandês a toda esta aventura de Tintim”, algo que considera uma prova que “a língua mirandesa pode ser utilizada na tradução de clássicos”, independentemente do género.
Em breve, o volume capa dura poderá ser adquirido na loja online da Casterman, por 18€.

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