Televisão

Luís Lourenço e a restauração: “É um dos piores negócios em que nos podemos meter”

Concorrente do "Hell's Kitchen" falou com a NiT sobre o tempo que esteve à frente do restaurante do pai após ter cometido suicídio.
João Lourenço recordou os tempos em que teve de assumir o restaurante da família

“Estava no auge da carreira”, começa por contar Luís Lourenço à NiT. O ator e encenador, agora concorrente do “Hell’s Kitchen Famosos”, vivia uma época de sucesso na profissão quando viu o seu mundo desmoronar.

Em 2011, o pai suicidou-se no restaurante da família e Luís assumiu o negócio para liquidar as dívidas que herdou, o que o obrigou a fazer uma pausa na televisão“Deixei de ser ator”, lamenta, recordando que tinha acabado de regressar do popular programa, “Perdidos na Tribo”, reality show da TVI.

“Cheguei a receber boas propostas para voltar a trabalhar na televisão, mas fui forçado a rejeitar. As únicas coisas que conseguia fazer nessa altura eram trabalhos para teatro. Ensaiava na parte de cima do restaurante durante a pausa, no período da tarde. Os outros atores juntavam-se lá e ensaiávamos juntos”, descreveu.

O primeiro papel de destaque de Luís surgiu em 2005: encarnou Tiago Borges nos “Morangos com Açúcar”. Agora é também diretor teatral e partilhou a sua história na estreia do concurso de televisão, que aconteceu no passado domingo, 8 de outubro. À NiT confessa que o ano da morte do pai “foi complicado” e que teve de encerrar o espaço para poder continuar a sua carreira como ator. No entanto, já tinha provocado danos irreparáveis na sua carreira.

“Perdi muitas oportunidades. Ao longo do tempo fui-me cruzando com várias pessoas que tinham cargos de direção e percebi que eles pensavam que eu tinha abandonado a profissão”, explicou. “Todos pensavam que tinha assumido o restaurante porque tinha deixado de ser ator. Ouvi esta frase de diversos produtores de televisão, teatro e cinema. O meu regresso foi demorado e foi difícil espalhar a palavra de que estava de volta.”

Nesta fase da sua vida, Luís apenas esteve envolvido em dois projetos. Foi convidado para assumir o grupo cénico do Teatro Gil Vicente, em Cascais, onde trabalha há onze anos, e para participar num espetáculo.

“Chamava-se ‘Dote’ e estreou, uns meses depois, na Assembleia da República. Foi engraçado estrear uma comédia no local onde trabalham os deputados. Tudo isto aconteceu enquanto estava no restaurante”, descreveu.

Apesar de agora aparentar estar resolvido com o passado, o convite para regressar a este mundo foi recebido com alguma apreensão e surpresa. Primeiro, porque o ator nunca tinha colaborado com a SIC. Segundo, pelos sentimentos que o assolaram.

“Cozinho com regularidade, mas voltar a um espaço como este foi um misto de emoções. Tive de saber gerir da melhor forma. Normalmente sou uma pessoa tranquila e calma, mas acho que, mais para a frente, se vai perceber que aquele espaço mexeu bastante comigo. Foi uma experiência muito importante”, afirma.

O nome do restaurante que Luís herdou do seu pai chamava-se a Braseira e ficava em Carcavelos. Quando assumiu a sua liderança, alterou-o para Maria Minhota e passou logo a ocupar uma série de cargos diferentes.

“Tinha praticamente todas as funções, menos o serviço ao público. A cozinha era relativamente grande, estava no fogão, fazia a copa, fazia compras, fazia a mise en place… nesta fase inicial fazia praticamente tudo. Não tinha ninguém para me ajudar. Mais tarde, a minha mãe juntou-se e tudo se tornou muito mais fácil”, reconhece.

Essencialmente, este era um restaurante tradicional. A especialidade era o peixe fresco e grelhado e recebia sessões de fado. Contudo, era um conceito com que o ator não se identificava muito. “Não era um restaurante feito à minha medida, foi o que herdei do meu pai e tive de assumir”, explica.

A experiência durou cerca de um ano, Luís fechou o estabelecimento em maio de 2012 e, no ano seguinte, conseguiu vendê-lo. Em entrevista à “Vidas”, confessou ter sido um alívio estar “livre” destes problemas.

Agora, que regressou novamente a uma cozinha, desta vez, com Ljubomir Stanisic, questionámos Luís se este ponderava abrir outro restaurante. A resposta foi condicional: caso fosse com alguém que tivesse o seu respeito e confiança, poderia ponderar, até como forma de “exorcizar” os seus fantasmas.

Como seria este cenário hipotético? “Gosto da ideia do cliente se sentar à mesa e não saber o que vai comer”, conta. “Apenas aponta o que não pode comer. Gosto deste sistema. E, por uma questão de gestão, seria um local que trabalha apenas com reservas, para ter controlo total dos gastos. Estes eram duas regras muito importantes”.

Para já, a restauração não passa pelo futuro do ator, sendo a participação no “Hell’s Kitchen” a exceção. Luís está focado no seu trabalho no teatro e num possível regresso à televisão. Contudo, reconhece que dificilmente se afastará da cozinha.

“A culinária vai sempre fazer parte da minha vida, nem que seja para fazer umas brincadeiras, para preparar uns pratos para os amigos, mas daí para a frente não sei. Não posso dizer com certeza se alguma vez voltarei a ter um restaurante. É algo que ocupa muito tempo e que nos deixa sem vida. É um dos piores negócios em que nos podemos meter”, reconhece, entre risos.

O “Hell’s Kitchen Famosos” é transmitido aos domingos, às 20h10. A estreia desta nova temporada foi vista por mais de um milhão de portugueses. Leia também a crónica do humorista Miguel Lambertini ao primeiro episódio deste programa e a entrevista à Luísa Villar, outr das concorrentes.

Carregue na galeria para conhecer as séries que chegam à televisão em outubro.

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