Música

80 mil pessoas na plateia, apenas um Ed Sheeran no palco

O artista britânico encerrou o primeiro fim de semana desta edição do Rock in Rio Lisboa, com um one man show.
Controlou o público só com a guitarra. Fotografia: Marcelle Tauchen.

Ed Sheeran não seria o Ed Sheeran se não atuasse apenas com a guitarra ao peito. Com um sorriso na cara, sabia que estava prestes a levar o público do Rock in Rio à euforia com “Castle On The Hill”. Curiosamente, também foi com este tema que abriu o concerto em junho de 2019, no Estádio da Luz.

Com um microfone demasiado alto em comparação com a guitarra (e talvez por causa da falta de uma banda a acompanhá-lo), os raros momentos em que o cantor desafinou eram mais notórios do que o habitual. Felizmente, este problema foi resolvido logo no arranque do concerto.

O importante, contudo, é dar um espetáculo inesquecível e Ed Sheeran é mestre nessa arte. A voz podia não estar como ouvimos nos discos, mas o entusiasmo que mostrou e os saltos que deu pelo palco logo no primeiro tema deixaram claro que os pés eram para estar fora do chão, pelo menos antes de entrar nas clássicas baladas.

Apesar de ser um dos artistas mais famosos da atualidade, continua a ser o miúdo humilde do Reino Unido. “Obrigado por terem esperado até ao meu set”, disse, antes de explicar o pedal mágico que traz sempre consigo e que consegue criar todas as melodias que mostra em palco. “Aqui é tudo ao vivo”.

Toda a capacidade deste instrumento foi posta em prática durante a apresentação de “Shivers”. Enquanto ia até à língua do palco com a guitarra pendurada ao peito, no fundo ouviam-se em loop as melodias que tinha criado poucos segundos antes.

Como este ano é de celebração, Ed aproveitou para falar sobre os 20 anos do Rock in Rio Lisboa e da primeira vez que atuou no festival. “Senti-me muito grato porque estava-me a estrear cá e tinha milhares de pessoas a verem-me”. Quando apresentou “The A Team” ao vivo em Lisboa há dez anos, o recinto ficou iluminado pelas lanternas dos espectadores. O mesmo aconteceu em 2024. Este foi o primeiro de muitos momentos mágicos que se seguiriam.

Curiosamente, o segundo surgiu logo a seguir. Em “Give Me Love”, a guitarra transformou-se numa bateria durante esta apresentação eletrizante em que o público foi o coro com o qual Ed Sheeran sempre sonhou.

O espetáculo no Palco Mundo não foi feito apenas de pop e baladas. Até porque o britânico é um grande fã de rap. Por isso, também houve tempo para passar pelos acelerados versos de “Take It Back”. Este talento que usa frequentemente nos álbuns estaria em destaque de novo com a interpretação de “You Need Me, I Don’t Need You”.

“Sei que todos aqui já perdemos alguém, de uma forma ou de outra”. Os discursos vulneráveis demoraram, mas chegaram. Antes de interpretar “Eyes Closed”, Ed falou de Jamal, um amigo que perdeu em 2022 e cuja história inspirou os seus mais recentes discos. 

Com uma carreira repleta de êxitos, escolher os temas que terminam uma atuação é uma tarefa difícil, mas Ed Sheeran é inteligente. Não optou pelas baladas, mas sim por “Shape of You” e “Bad Habits”, que encerraram o primeiro fim de semana no Rock in Rio com muita energia, felicidade e fogo de artifício.

O espetáculo foi uma viagem pelos seus diferentes discos, desde o primeiro lançado em 2011 até ao último de 2023. Acima de tudo, foi uma viagem de altos e baixos pelas emoções humanas que todos sentimos, como raiva, amor, desejo sexual ou tristeza.

Apesar de ter uma voz com um timbre cativante e dócil — que vai muito ao encontro dos tópicos abordados nos seus versos — Sheeran não é um dos vocalistas mais fortes da sua geração. Esta precariedade vocal é especialmente visível quando se afasta do seu registo principal. Apesar de os agudos serem sempre agradáveis de ouvir.

Ainda assim, Ed Sheeran tem uma capacidade enorme de controlar a multidão e de se ligar a um nível profundo com cada um dos fãs presentes. Goste-se ou não, a verdade é que esta é uma habilidade que apenas verdadeiras superestrelas conseguem dominar.

Afinal, quem mais conseguiria pôr cerca de 80 mil pessoas a cantar temas de sonoridades tão diferentes como “Photograph”, “Shape Of You”, “Perfect” e “Bad Habits” — que encerrou o concerto — numa só voz? Pouquíssimos artistas. Sheeran é um deles.

Carregue na galeria para ver algumas das fotografias do concerto do britânico no Rock in Rio Lisboa.

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