Música

A chamada telefónica que quase arruinou a carreira de Taylor Swift

A 17 de julho a vida da cantora mudou por completo. "Naquela altura, só queria desaparecer", revelou no seu documentário.
Um episódio marcante na sua vida.

“Não se enganem: fiquei sem carreira de um momento para o outro. Pensei que aquilo me iria definir pela negativa para o resto da vida. Mudei-me para o estrangeiro, arrendei uma casa e passei um ano sem sair à rua. Tinha medo de receber chamadas telefónicas. Afastei-me da maioria das pessoas que conhecia porque já não confiava em ninguém”, contou, em dezembro, Taylor Swift à revista “Time”, após ser nomeada a Mulher do Ano (em 2023).

A artista norte-americana refere-se a uma conversa por telefone que teve com Kim Kardashian e Kanye West, quando estava no que muitos acreditavam ser o auge da fama. Aquele momento acabou por mudar para sempre a vida da cantora — que anunciou esta segunda-feira, 5 de fevereiro, o lançamento de um novo disco. “The Tortured Poets Department” será editado a 19 de abril.

Atualmente, Swift tem uma enorme legião de fãs que acompanha de perto todos os seus movimentos. Contudo, em 2016, chegou a ter “toda a Internet” contra si.

A 9 de fevereiro, Kanye West lançou “Famous”, com um verso bastante polémico e muito criticado: “Sinto que eu e a Taylor ainda vamos fazer sexo. Porquê? Eu fiz com que essa cabra fosse famosa”.

West faz referência a 13 de setembro de 2009, quando interrompeu o discurso da cantora, na altura com 19 anos, após receber o prémio de Melhor Vídeo do Ano nos MTV VMAs. O rapper achava que a vencedora devia ter sido Beyoncé, e fez questão de mostrar o seu descontentamento. Subiu ao palco e arrancou o microfone da mão de Swift para manifestar a sua opinião. A explosão irada de Kanye foi um dos maiores escândalos da cultura pop naquele ano e quem não sabia quem era Swift, passou a conhecê-la.

O início da polémica

Após “Famous” ter sido arrasado nas redes sociais, Kanye defendeu-se no Twitter. Argumentou que o tema tinha sido aprovado por TayTay, algo que a mesma parece ter negado nos Grammys de 2016. Durante o seu discurso, após receber o prémio de Melhor Álbum do Ano (com “1989”), a cantora abordou o tema.

“Como primeira mulher a ganhar Álbum do Ano duas vezes, quero dizer a todas as jovens que estão aí que haverá pessoas no vosso caminho que vão tentar ficar com os louros do vosso sucesso, ou crédito pela vossa fama. Se se continuarem a focar no trabalho e não deixarem que esses comentários vos distraiam, quando chegarem onde querem chegar, vão perceber que foi tudo graças a vocês mesmas. Esse vai ser o melhor sentimento do mundo”, disse na gala que também decorreu em fevereiro.

Passados alguns meses mais calmos, em junho, o assunto voltou à baila. Kim Kardashian foi a capa da “GQ”, onde falou sobre todo o drama em que se envolveu. “Ela aprovou a canção”, contou à publicação. “Sabia que ia ser lançada. Depois, de repente, fingiu que não sabia”.

A fatídica chamada telefónica

Volvidas cerca de duas semanas, a 17 de julho, a empreendedora partilhou a chamada telefónica entre Swift e West na sua conta de Snapchat — e a vida de Taylor mudou por completo.

“É quase um elogio”, ouve-se Taylor dizer na gravação, após ouvir a letra em que o artista refere a cena de sexo. “Nunca pensei que me fosses avisar sobre um verso num dos teus singles. Não me parece que as pessoas vão ouvir e pensar que me estás mesmo a atacar”, acrescenta.

O facto de parecer ter aprovado o tema fez com que milhões de pessoas se revoltassem contra a cantora — que na altura estava em todas as revistas e inúmeras notícias.

As suas publicações no Instagram foram inundadas por emojis de cobras e muitos adjetivos menos positivos para a descreverem. No Twitter, a hashtag #TaylorSwiftIsOverParty tornou-se viral, ou seja, milhões de pessoas celebravam o fim aparente da sua carreira.

A agressividade e intensidade dos comentários levou Swift a desativar os comentários no Instagram, decisão que mantém até hoje. Antes de o fazer, contudo, defendeu-se. “Onde é que está o vídeo do Kanye a dizer que me ia chamar cabra? Não existe porque isso nunca aconteceu. É impossível controlarmos a reação de alguém quando é chamada de cabra à frente do mundo inteiro”, escreveu numa partilha na mesma rede social.

“Claro que queria gostar da canção. Queria acreditar no Kanye quando ele me disse que a ia adorar. Queria que pudéssemos ter uma relação de amizade. Ele prometeu que me ia mostrar o tema antes de ser editado, mas nunca o fez. Quis mostrar-lhe apoio naquela chamada, mas é impossível aprovar uma faixa que nunca ouvi. Ser pintada como uma mentirosa quando ele nunca contou a história completa é assassínio de carácter. Gostava de ser excluída desta narrativa, uma que nunca pedi para fazer parte desde 2009”, acrescentou.

Os esforços para se defender foram em vão. Durante cerca de um ano, não deu sinais de vida nas redes sociais e nem sequer os paparazzi a conseguiram apanhar. Tinha-se mudado para Londres e saía raramente de casa. Vivia com medo de atender o telemóvel e ficou “muito mal psicologicamente”.

Taylor acabaria por voltar à ribalta a 23 de agosto de 2017. Apagou todas as suas fotografias das redes sociais e partilhou três vídeos onde, quando se juntavam, formavam uma cobra — o animal que, durante longos meses, foi usado para a descrever.

Pouco depois anunciou “Reputation”, o seu sexto álbum de estúdio — que até agora vendeu mais de 2,5 milhões de cópias só nos Estados Unidos. 

A verdade vem ao de cima

Quatro anos após a primeira chamada telefónica chegar à Internet, veio a versão completa a 20 de março de 2020. Afinal, Swift sempre disse que aquela partilhada por Kim havia sido editada e haviam sido cortadas porções importantes. 

Em clipes postados nas redes, o rapper de 46 anos apresenta a letra à performer. “Vais ser muito mau?”, pergunta. Kanye diz que não, e passa a citar aquilo que escreveu: “Sinto que a Taylor me deve sexo”. “Isso não é assim tão mau”, brinca a cantora.

Após falarem um pouco sobre o single, Taylor diz que está aliviada por não ser mais uma canção em que é chamada de “cabra, burra ou estúpida”. “Mas preciso de pensar sobre isso, porque é tudo um bocado louco”, acrescenta. O ex de Kim Kardashian garantiu que enviaria a versão completa do tema já gravado, com a letra tal como ela seria apresentada ao público — algo que nunca fez.

No mesmo dia em que o vídeo foi publicado por um utilizador anónimo, Swift pronunciou-se. “Em vez de responder àqueles que me perguntam como me estou a sentir com as imagens agora divulgadas, e que provam que eu disse a verdade desde o início sobre aquela chamada (que foi ilegalmente gravada, editada e manipulada), concentrem-se no que realmente importa”, escreveu numa Story onde partilhou um link para a Organização Mundial da Saúde e a Feeding America (recorde-se de que tudo isto aconteceu durante a pandemia da Covid-19).

Desde então, a cantora falou poucas vezes sobre este episódio, mas não o ignora completamente. Na verdade, foi um dos grandes destaques em “Miss Americana”, o seu documentário que está disponível na Netflix.

“Sabem quantas pessoas têm de tweetar que te odeiam para que isto aconteça?”, questiona após falar sobre a hashtag #TaylorSwiftIsOverParty. “Entrámos nesta indústria porque queríamos que os outros gostassem de nós, porque somos inseguros. Faço isto há 15 anos e estou cansada. Parece que já não é só sobre a música. Naquela altura, só queria desaparecer”, disse.

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