Música

A guitarra de Matthias continua a salvar os concertos dos Scorpions

O vocalista Klaus já não tem a energia que conhecíamos nos anos 80. Mesmo assim, o grupo deu um espetáculo impressionante no Rock in Rio.
Klaus já não tem a energia de outrora. Fotografias: Laura Lourenço.

Um microfone demasiado baixo, ofuscando totalmente a voz de Klaus Meine, foi o pior começo para o concerto de Scorpions que encerrou o Palco Mundo do Rock in Rio este sábado, 15 de junho. Os fãs, porém, não se importaram com este pequeno erro técnico que foi rapidamente corrigido e dançaram como se nada tivesse acontecido, o que estampou um sorriso no cantor que mostrou ter pouco “Gas in the Tank” (tema que em português podemos traduzir para “Gás no Tanque” e que foi a segunda canção interpretada pelo grupo no espetáculo).

Podem já estar na casa dos 70 anos, mas os elementos do conjunto continuam, no fundo, a ser aqueles miúdos sedentos de reconhecimento que se tornaram um fenómeno na década de 80. Ninguém quer mais isto do que Matthias Jabs, o guitarrista que foi o grande destaque em “Make It Real”, graças ao solo de guitarra.

O intuito do concerto foi muito bem explicado pelo vocalista. Depois de se mostrar grato por estar de volta ao palco do Rock in Rio, prometeu levar o público “numa viagem pelos anos passados”. Além disso, deixou logo claro que não iria deixar passar a oportunidade de celebrar os 40 anos de “Love At First Sting”.

E como prometido é devido, começou imediatamente a cantar “The Zoo”, lançado logo no arranque da década de 80. Tal como todos os fãs esperavam, não faltaram os adlibs animalescos de Matthias Jabs, enquanto Klaus atirava baquetas ao público. Rudolph Schenker, por sua vez, correu até à língua do palco para ter o seu próprio momento de brilho enquanto hipnotizava o público com mais um dos seus típicos solos de guitarra — acompanhado, claro, por Mikkey Dee na bateria, artista que acabaria por ser a estrela do espetáculo umas canções depois, com uma apresentação de “New Vision” que pôs todos os olhos no fundo do palco.

Os momentos eletrizantes foram pautados por algumas das baladas mais populares da discografia, nomeadamente “I’m Leaving You”. No entanto, rapidamente passaram àqueles temas que um festival como o Rock in Rio pede.

“A próxima é para gritarem connosco, porque mesmo após tantos anos, os mauzões continuam selvagens”, disse um Klaus tão eufórico quanto a idade lhe permite antes dos Scorpions tocarem, claro, “Bad Boys Running Wild”. O público cedeu e trouxe ao espetáculo a energia da qual o vocalista carece. É verdade que os anos afetaram as atuações ao vivo do grupo — o que se comprovou no Rock in Rio —, mas, apesar disso, continuam a dar tudo aquilo que podem no palco e os fãs agradecem.

Com uma transição perfeita e difícil de reparar, a não ser que seja um fã hardcore, Matthias Jabs volta a mostrar as suas capacidades com “Delicate Dance”, uma faixa que, como sabemos, é apenas tocada na guitarra, criando assim o cenário perfeito para Klaus se ausentar e trocar para uma roupa ainda mais rock n’ roll com muito couro. Quando o vocalista volta a subir ao palco, regressam também as baladas. Desta vez, a opção foi “Send Me An Angel”, que pôs o público a cantar numa só voz.

“A próxima é para todas as pessoas à volta do mundo que adoram paz”, diz. Quando se ouve os primeiros assobios da canção, já sabemos o que aí vem: “Wind of Change”, o tema de 1991 que se tornou no mais bem-sucedido do grupo. Se este foi o destaque da noite? Claro. Não só por ser a canção que mais fez o recinto vibrar, mas também porque, em bom estilo dos Scorpions, Klaus pôs a bandeira portuguesa à sua volta.

Como seria de esperar, ao longo da hora e meia também houve tempo para muita sensualidade no palco. No enorme ecrã surgiu uma stripper que gira num varão, ao som dos acordes de “Tease Me Please Me”. Sim, os Scorpions continuam a ser aqueles alemães desvairados que nos seus tempos áureos não tinham vergonha de posar com pouca roupa para capas de revistas.

Ao contrário dos Evanescence (outro dos grupos históricos que subiram ao Palco Mundo neste primeiro dia do festival) os Scorpions deram aos fãs com um merecido encore. O vocalista bem disse no início do concerto que nos levariam numa viagem ao passado e foi nessa promessa que terminaram um concerto bom — mas a anos-luz daquilo que já entregaram — com dois dos maiores fenómenos da discografia: “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane”.

“Muito obrigado, Lisboa. Amo-vos agora e para sempre”, gritou antes de se despedir oficialmente do Rock in Rio.

Carregue na galeria para ver as fotografias do concerto.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT