Música

Acabou o sonho para os Bandidos do Cante. Portugal ficou fora da final da Eurovisão

O grupo alentejano levou "Rosa" ao palco de Viena, mas não conseguiu garantir um lugar entre os 10 finalistas.

O percurso dos Bandidos do Cante na Eurovisão 2026 terminou esta terça-feira, 12 de maio, na primeira semifinal do concurso. O grupo, composto por Duarte Farias, Francisco Pestana, Francisco Raposo, Luís Aleixo e Miguel Costa, foi a quinta atuação a subir ao palco da Wiener Stadthalle, em Viena, na Áustria, para interpretar o tema “Rosa”.

A gala arrancou com uma atuação especial de Vicky Leandros, cantora grega vencedora da Eurovisão em 1972, homenageada logo na abertura da emissão. No final da emissão, apenas 10 dos 15 países em competição conseguiram garantir um lugar na grande final de sábado, 16 de maio, e Portugal ficou pelo caminho. 

Apesar da eliminação, os músicos alentejanos já tinham assumido à NiT que a experiência representava, por si só, uma vitória. “Nós sentimos que já vencemos. Já ganhámos por podermos participar em algo com uma dimensão destas e por trazer uma música e uma cultura que nos diz tanto”, afirmou Francisco Raposo, numa entrevista antes da atuação. Ao longo das últimas semanas, o grupo destacou várias vezes que o principal objetivo passava por levar o Cante Alentejano ao maior palco europeu da música, algo que acabaram por conseguir perante milhões de espectadores.

Desta forma, passaram à final: a Grécia, com Akylas e a canção”Ferto”; a Finlândia, representada por Linda Lampenius e Pete Parkkonen com “Liekinheitin”; a Bélgica, com ESSYLA e “Dancing on the Ice”; a Suécia, através de FELICIA com “My System”; a Moldávia, com Satoshi e “Viva a Moldávia”!; Israel, representado por Noam Bettan com “Michelle”; a Sérvia, com Lavina e a música “Kraj Mene”; a Croácia, através de Lelek com “Andrômeda”; a Lituânia, com Lion Ceccah e “Solo Quiero Más”; e a Polónia, representada por ALICJA com “Pray”.

Além de Portugal, com os Bandidos do Cante e “Rosa”, ficaram também pelo caminho a Geórgia, representada pelos Bzikebi com “On Replay”, Montenegro com Tamara Živković e a canção “Nova Zora”; a Estónia, com Vanilla Ninja e “Too Epic To Be True”; e San Marino, representado por Senhit com “Superstar”.

Esta edição da Eurovisão ficou também marcada pela polémica em torno da participação de Israel, num contexto em que o conflito entre o país e a Palestina continua a dividir opiniões em toda a Europa. Ao longo dos últimos meses, vários países e artistas criticaram a presença do país no concurso, devido à guerra em Gaza, às acusações de violações dos Direitos Humanos e às alegadas tentativas de influência na votação do público na edição de 2025. Durante a atuação do israelita Noam Bettan com “Michelle”, chegaram mesmo a ouvir-se, na transmissão televisiva, vários apelos à “Palestina Livre” vindos do público presente na Wiener Stadthalle, em Viena.

A controvérsia levou mesmo ao boicote de países como Espanha, Irlanda, Eslovénia, Países Baixos e Islândia, que decidiram não participar na edição de 2026.

Em Portugal, o debate também chegou ao Festival da Canção. Vários artistas nacionais afirmaram que recusariam representar o País caso Israel continuasse na competição europeia. Entre eles estavam nomes como Cristina Branco, Bateu Matou, Djodje, Marquise e Nunca Mates o Mandarim.

Os Bandidos do Cante seguiram o caminho oposto e confirmaram que aceitariam participar na Eurovisão caso vencessem o concurso da RTP. “Acreditamos no poder das canções para aproximar pessoas, criar comunidade e lembrar-nos de quem somos”, escreveu o grupo numa publicação nas redes sociais, acrescentando que os cinco elementos têm “sensibilidades e opiniões diferentes” sobre questões políticas internacionais. “A nossa música é para unir pessoas”, explicaram na altura.

Apesar de a European Broadcasting Union defender que a Eurovisão é um evento “apolítico”, a pressão sobre a organização aumentou nos últimos meses. A presidente da UER, Delphine Ernotte Cunci, chegou mesmo a admitir que “a união nunca enfrentou uma situação tão divisiva”. Em novembro de 2025, estava prevista uma votação sobre a permanência de Israel no concurso, mas a organização acabou por cancelá-la devido aos “desenvolvimentos recentes no Médio Oriente”, incluindo o cessar-fogo em Gaza na altura.

A grande final da Eurovisão 2026 acontece este sábado, 16 de maio, em Viena. Além dos países apurados nas duas semifinais, já têm presença garantida França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Áustria, anfitriã desta edição, que ficaram automaticamente qualificadas para a final.

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