Música

Agir leva o jazz dos Eulália até ao jardim secreto do Solar dos Presuntos

O Gracinha vai acolher, esta quarta-feira, o "primeiro e provavelmente último" espetáculo ao vivo do projeto. A entrada é livre.
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Vivia-se a ressaca da pandemia e Agir sofria em casa com as limitações os sucessivos confinamentos. “Estávamos todos a ressacar, a querer tocar uns com os outros, estarmos juntos, e então surgiu isto”, explica à NiT. Por “isto”, refere-se ao Eulália, um projeto assente no jazz e no improviso, criado para homenagear alguns artistas da música portuguesa.

Com Manuel Oliveira no piano, Guilherme Melo na bateria e Rodrigo Correia no contrabaixo — e Agir como quarto elemento —, produziram sete episódios gravados e partilhados no verão de 2021. De Rui Veloso a Pedro Abrunhosa, de Lena d’Água a Valter Lobo, passando por Tiago Bettencourt e Carolina Deslandes, vários temas de cada artista foram sendo transformados em momentos únicos.

“Nada neste projeto foi muito pensado. Até porque é uma coisa mais jazz, com muita improvisação, o que ajuda a esse caos. Os arranjos eram feitos no dia da gravação. Ouvíamos a música duas vezes e à terceira gravávamos”, conta. “Quando decidimos que já chegava, chegou. Nunca houve grande pensamento sobre o assunto.”

Durante dois anos, o projeto esteve adormecido, até que chegou o convite para levar os temas ao palco do Gracinha, o jardim secreto do Solar dos Presuntos, que tem habitualmente uma programação cultural semanal. Agir é, aliás, um dos clientes assíduos, confessa à NiT. Foi também por isso que decidiu aceitar.

“Surgiu o convite para fazer algo lá e sabia que ali teria que ser um formato mais acústico. Como nunca tocámos isto ao vivo, decidimos juntar-nos e irmos curtir um bocadinho. Tocar isto pelo menos uma vez ao vivo, já que nunca o tínhamos feito. Nunca tinha feito sentido, fez agora.”

Esta quarta-feira, a partir das 19h30, Agir e os amigos sobem ao palco do Gracinha para um espetáculo que terá perto de uma hora e meia. “Pode demorar um bocadinho mais, devido à improvisação”, nota. Consigo estarão os elementos originais do Eulália, mas também o guitarrista Marco Reis e outras vozes convidadas do projeto original como Rita Rocha, Milhanas e Joana Alegre.

Para lá do concerto, o futuro de Eulália é incerto, isto apesar de terem aberto também uma exceção para uma colaboração pontual com os D’ZRT — e de terem recebido inúmeras mensagens de agradecimento dos artistas que homenagearam.

“Vamos só para curtir, até porque costumamos ir ao Gracinha ver amigos a tocar. É um ambiente familiar, vai ser um fim de tarde muito giro”, nota. “Sobre Eulália, não sei se será o último concerto. Pode ser que ganhemos o bichinho e queiramos fazer mais. Mas não temos nada planeado.”

O amplo espaço que o Solar dos Presuntos renovou e apresentou em 2021 — com toda a pompa e com um enorme mural de Vhils — reimaginou-se e apresentou-se em 2023 como Gracinha. O espaço, além dos petiscos, conta com uma programação cultural semanal e sempre com propostas para todos os dias.

Se às segundas-feiras, o jazz dos anos 20 alterna com o projeto Paris Dakar, à terça é o fado quem manda, ora com artistas convidados, ora com as residentes Beatriz Rosário, Milhanas e Beatriz Felício.

Ocasionalmente há também espaço para o Super Amigos, momentos em que “grandes nomes da música portuguesa saltam da mesa do Solar para o palco”, explica à NiT João Francisco Fonseca, responsável pelo espaço. “Por cá já passaram Euclides, António Zambujo, FF ou Pedro Mafama.”

Quintas e sextas são comandados por vários DJ convidados e ao sábado, a música do mundo oferece a variedade necessária, entre música cabo-verdiana, angolana ou mesmo a ocasional roda de samba.

Além dos concertos, o espaço serve comida e bebida numa carta especialmente pensada para este tipo de ambiente. Carregue na galeria para conhecer melhor este terraço no centro de Lisboa.

 

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