A entrada de Rod Stewart no Rock in Rio, este sábado, 27 de junho, fez-se ao som das tradicionais gaitas de foles escocesas, uma homenagem às suas raízes, antes de arrancar com “Infatuation”. O Parque Tejo recebeu-o com uma enorme ovação e a lenda do pop respondeu com aquilo que melhor sabe fazer: um concerto cheio de energia e uma sucessão de clássicos que atravessam gerações.
Sir Rod Stewart trouxe consigo à cidade do Rock uma carreira com cinco décadas, mais de 250 milhões de discos vendidos e uma das vozes mais reconhecíveis da história do rock. A atuação integra a digressão “One Last Time”, anunciada como a última grande tournée mundial em estádios e festivais, embora o cantor já tenha garantido que não pretende abandonar a música.
O cantor britânico entrou finalmente em palco às 22h45, depois de alguns minutos de atraso, para encerrar o “Dia das Lendas” do Rock in Rio Lisboa. No dia 19 de junho tinha assustado os fãs ao sentir-se mal durante um concerto nos Estados Unidos, mas bastou aparecer no Palco Mundo para dissipar qualquer dúvida. Aos 81 anos, o britânico mostrou que continua a ser uma força genética e conquistou Lisboa do princípio ao fim.
Logo depois chegou “Having a Party”, onde voltou a mostrar a postura de eterno sedutor que sempre o caracterizou. Apesar da idade, continua a percorrer o palco com naturalidade e uma confiança impressionante. Em “It’s a Heartache”, um dos primeiros grandes momentos da noite, ficou evidente que a voz rouca que fez dele uma lenda permanece praticamente intocável. O público acompanhou o refrão em coro, num dos muitos momentos em que quase deixou de se ouvir o cantor.
Acompanhado por uma banda numerosa, enriquecida por violinos e vários músicos de apoio, Stewart seguiu com “Tonight I’m Yours (Don’t Hurt Me)” e “It Takes Two”, mantendo o ambiente de festa instalado no recinto.
Em “Forever Young” voltou a emocionar o público. Milhares de pessoas acompanharam a música com palmas sincronizadas e, a meio do tema, surgiu um inesperado interlúdio inspirado na Escócia. Os violinos deram lugar às gaitas de foles e a um enorme bombo decorado com o símbolo do Celtic Glasgow, o clube de futebol do qual o músico é um fervoroso adepto. Foi um dos momentos mais originais de toda a atuação.
Seguiu-se “The First Cut Is the Deepest”, numa interpretação mais intimista, antes de chegar outro dos momentos mais emocionantes da noite com “I Don’t Want to Talk About It”. O Parque Tejo cantou praticamente toda a música, abafando por momentos a voz do britânico.
Mas a tranquilidade durou pouco. “Hot Legs” voltou a colocar toda a gente a dançar e confirmou aquilo que o concerto já deixava perceber: Rod Stewart continua a ter uma energia difícil de explicar.
Ao longo da atuação, o cantor foi alternando momentos mais festivos com outros de maior intimidade, mostrando porque continua a ser um dos artistas mais completos da música popular britânica. Pelo meio ainda parou para beber um pequeno copo de vinho antes de interpretar “I’d Rather Go Blind”. “Perdoem-me, mas vou beber um copo”, brincou. A canção, interpretada quase em jeito de serenata, baixou momentaneamente a intensidade antes da reta final.
A festa regressou logo depois com “Young Turks”, um dos maiores êxitos da carreira, seguido por “Rhythm of My Heart”. Durante esta última música, Rod Stewart exibiu uma bandeira da Ucrânia em palco, numa clara demonstração de apoio ao país que continua a enfrentar a invasão russa.
Seguiu-se “Jolene”, interpretada pelas vocalistas da banda, enquanto os ecrãs gigantes mostravam imagens de Rod Stewart nos tempos em que sonhava ser futebolista profissional, outra das grandes paixões da sua vida.
Mas toda a plateia aguardava sobretudo os últimos grandes clássicos da noite. “Maggie May” voltou a transformar o recinto num enorme coro, antes de “Have I Told You Lately” oferecer um dos momentos mais arrepiantes da atuação.
Na reta final ainda houve tempo para dois clássicos arrebatadores. Um deles foi “Baby Jane”. Já “Da Ya Think I’m Sexy?” fechou a noite da melhor forma possível. Mais de quatro décadas depois do lançamento, continua a ser impossível ficar parado. O Parque Tejo transformou-se numa enorme pista de dança enquanto Rod Stewart sorria e percorria o palco com uma energia contagiante, provando que continua a desafiar todas as leis da idade. O encore chegou com “Love Train”, encerrando o “Dia das Lendas” com uma balada tocante.
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