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Eurovisão anuncia novas regras de votação para o próximo ano

A redução dos votos do público e o regresso dos jurados nas semi finais estão entre as alterações essenciais.

A União Europeia de Radiodifusão (UER) anunciou esta sexta-feira, 21 de novembro, que a Eurovisão terá novas regras de votação, em que se destacam a redução do número de votos do público e o regresso de jurados nas semi finais. A notícia surge meses depois das polémicas que envolviam a presença de Israel na competição. 

“Ouvimos e agimos”, afirmou Martin Green CBE, diretor do concurso. “A neutralidade e a integridade do Festival Eurovisão da Canção são de importância primordial para a UER, os seus membros e todo o nosso público. É essencial que a imparcialidade do Festival seja sempre protegida. Estamos a tomar medidas claras e decisivas para garantir que o Festival continua a ser uma celebração da música e da união.” 

O UER defende que o concurso deve manter-se “neutro, sem ser instrumentalizado.” A afirmação, porém, tem gerado polémica desde o início, precisamente devido à decisão do concurso de banir a Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, e a Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.

A final do 70.º Festival Eurovisão da Canção está marcada para 16 de maio, sendo que as semi finais acontecem nos dias 12 e 14. Para o próximo ano, a organização listou quatro novas alterações essenciais.

A primeira diz respeito às Instruções de Votação e ao Código de Conduta para “prevenir tentativas de influenciar o voto de forma injusta”. A competição diz que continuará a apoiar a promoção amigável dos artistas, mas o contrário não será tolerado.

“As emissoras e os artistas participantes não estão autorizados a envolver-se ativamente, facilitar ou contribuir para campanhas promocionais de terceiros que possam influenciar o resultado da votação e, conforme descrito no código de conduta atualizado, quaisquer tentativas de influenciar indevidamente os resultados implicarão sanções”, frisou.

Outro ponto importante será a redução dos votos do público — que junta o online, os SMS e as chamadas —, que passará a contar apenas 10 pontos, em vez de 20. A ideia é incentivar os fãs a “distribuir os votos por várias músicas, e não concentrar tudo numa só.”

A terceira regra, por sua vez, conta com o regresso dos jurados nas semi finais (pela primeira vez desde 2022) e mais diversidade nos júris. A votação será dividida igualmente (ou seja, 50/50) entre o público e o júri, tal como acontece na final.

A última alteração será reforçar a segurança dos votos, para que não sejam “fradulentos”. “Estas medidas visam manter o foco onde deve estar: na música, na criatividade e na conexão”, acrescentou Martin Green. “Embora estejamos confiantes de que o Festival de 2025 apresentou um resultado válido e sólido, estas mudanças ajudarão a proporcionar salvaguardas mais robustas e a aumentar o envolvimento, para que os fãs tenham a certeza de que cada voto conta e cada voz é ouvida.

A polémica com Israel

A edição de 2026 da Eurovisão vai decorrer em Viena, na Áustria. A televisão pública austríaca chegou a apoiar a decisão de adiar a deliberação sobre a participação de Israel. O país no Médio Oriente tem sido alvo de constantes ataques de outros participantes devido ao conflito na Faixa de Gaza.

Em 2025, a cantora israelita Yuval Raphael, que ficou em segundo lugar, recebeu o maior número de votos do público. Ainda assim, a Áustria, com JJ e o tema “Wasted love”, acabou por vencer o concurso. Na altura, o governo de Israel foi acusado de financiar anúncios e recorrer a contas estatais para incentivar os votos a favor de Yuval.

A polémica intensificou-se no verão deste ano, quando países como Espanha, Eslovénia, Países Baixos, Irlanda e Islândia avisaram que ponderavam um boicote. O peso de Espanha nesta equação é ainda maior por ser um dos países do chamado grupo dos Big Five, os principais financiadores do festival.

Apesar de se apresentar como um evento apolítico, a Eurovisão tem sido cada vez mais pressionada a posicionar-se em relação a temas sensíveis. A presidente da UER, Delphine Ernotte Cunci, chegou mesmo a admitir, numa carta enviada em setembro, que “a união nunca enfrentou uma situação tão divisiva”. 

Este mês, estava agendada uma votação sobre a participação de Israel no festival, mas a UER cancelou-a devido aos “desenvolvimentos recentes no Médio Oriente”, incluindo o cessar-fogo em Gaza. Na altura, a empresa anunciou que o tema seria discutido numa reunião presencial em dezembro, mas ainda não se sabe se vai mesmo decorrer.

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