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Artistas garantem que não irão à Eurovisão caso vençam Festival da Canção

Um grupo de concorrentes decidiu apelar ao boicote, por causa da aprovação da participação de Israel no evento europeu.

17 músicos anunciaram esta quarta-feira, 10 de dezembro, que não representarão Portugal na Eurovisão em 2026 caso vençam o Festival da Canção da RTP. A decisão surge como forma de protesto contra a já confirmada participação de Israel no concurso.

“Com palavras e com canções, agimos dentro da possibilidade que nos é dada. Não compactuamos com a violação dos Direitos Humanos”, afirmaram os artistas, bandas e intérpretes num comunicado enviado à “Lusa”, citado pela “SIC Notícias”.

Entre as assinaturas da carta estão Cristina Branco, os Bateu Matou, Djodje, Rita Dias, Beatriz Bronze (Evaya), Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Inês Sousa, Jorge Gonçalves (Jacaréu), Marquise, Nunca Mates o Mandarim e Pedro Fernandes.

“Apesar da proibição de participação da Rússia na edição de 2022 na Eurovisão, por motivos políticos (a invasão da Ucrânia), foi com espanto que constatámos que não foi dado o mesmo destino a Israel, que está, segundo a ONU, a cometer atos de genocídio contra os palestinianos em Gaza”, acrescentam.

As semifinais da 60.ª edição do Festival da Canção estão marcadas para 21 e 28 de fevereiro, enquanto a Grande Final acontece a 7 de março. Todas as fases do evento serão transmitidas em direto na RTP, RTP Internacional e RTP Play. Já a Eurovisão decorre na Áustria, em maio.

A polémica com Israel

Nos últimos meses, a presença de Israel tem sido discutida devido ao conflito na Faixa de Gaza e as supostas fraudes cometidas pela emissora israelita na edição passada.  

Em 2025, a cantora israelita Yuval Raphael, que ficou em segundo lugar, recebeu o maior número de votos do público. Ainda assim, a Áustria, com JJ e o tema “Wasted Love”, acabou por vencer o concurso. Na altura, o governo de Israel foi acusado de financiar anúncios e recorrer a contas estatais para incentivar os votos a favor de Yuval.

A polémica intensificou-se no verão deste ano, quando países como Espanha, Eslovénia, Países Baixos, Irlanda e Islândia avisaram que ponderavam um boicote. O peso de Espanha nesta equação é ainda maior por ser um dos países do chamado grupo dos Big Five, os principais financiadores do festival.

Apesar de se apresentar como um evento apolítico, a Eurovisão tem sido cada vez mais pressionada a posicionar-se em relação a temas sensíveis. A presidente da UER, Delphine Ernotte Cunci, chegou mesmo a admitir, numa carta enviada em setembro, que “a união nunca enfrentou uma situação tão divisiva”.

Em novembro, estava agendada uma votação sobre a participação de Israel no festival, mas a UER cancelou-a devido aos “desenvolvimentos recentes no Médio Oriente”, incluindo o cessar-fogo em Gaza. 

Leia também o artigo da NiT sobre as novas regras de votação para a edição de 2026.

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