Música

Bem-vinda a Lisboa, Taylor Swift — a versão menos bimba de Britney Spears

A cantora americana revelou que vai passar pelo Estádio da Luz, em Lisboa, durante a "The Eras Tour". Leia a crónica de Nuno Bento.
A última super estrela da pop.

Depois de Orkun Kökçü e Gonçalo Guedes, há mais uma vedeta internacional confirmada para atuar no Estádio da Luz na próxima época. Taylor Swift fará a sua estreia em palcos nacionais, trazendo a Lisboa a “The Eras Tour”, um show que faz uma viagem pela longa carreira da norte-americana, com dez atos distintos, cada um representando uma parte da sua discografia.

A digressão tem sido um sucesso nos Estados Unidos, tanto devido à longa duração dos espetáculos, como às dantescas condições atmosféricas que Taylor tem enfrentado, sem nunca vacilar. Os Swifties já sabem o que os espera: um concerto épico de mais de três horas, desta feita debaixo do calor de maio lisboeta. Se juntar ao atrativo do sol, os preços absolutamente pornográficos da légua americana, é fácil prever uma invasão americana a Lisboa. Se pensam em ir ao show, não aconselho adiarem a compra dos bilhetes.

Para quem está menos familiarizado com a super estrela pop norte-americana, Taylor Swift é uma espécie de Britney Spears dos millennials — igualmente bem parecida, menos bimba e mais empreendedora. À imagem da sua geração, portanto. Para Taylor, não foi suficiente apenas aparecer e cantar. Os desafios do mundo moderno, e de uma indústria em agressiva metamorfose, obrigaram-na a ser também uma empresária, uma artista mais ciente das estratégias de promoção da sua música e de marketing do seu nome.

Taylor Swift tem o dom de saber o que o público quer dela, por isso se mantém naquela fina linha entre a menina inocente e vulnerável que pinta nas suas músicas e a mulher firme e sabida que faz frente aos gigantes da indústria. E ainda bem para ela, que os resultados dessa abordagem imediatista com estrelas do passado — como Britney, ou Whitney Houston —, foram o desastre que hoje sabemos.

Mas mais que isso, Taylor Swift importa, porque é muito provavelmente a última pop star, pelo menos na noção que temos hoje do que é uma pop star. Com a ascensão da Inteligência Artificial na música e o domínio cada vez mais sufocante da tecnologia sobre o talento e criatividade orgânica (lembram-se do episódio de Black Mirror com Miley Cyrus?), figuras multi-talentosas como Taylor Swift, que escrevem e interpretam as próprias canções, serão cada vez mais raras no domínio da pop. O que virá a seguir? Ninguém sabe. Por isso aproveitem a última rainha da pop com curvas de carne e osso. Não tantas como a Britney, mas já sabem que na vida nunca se pode ter tudo.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT