Música

Bob Dylan duramente criticado por fãs por usar máquina para assinar autógrafos

O artista norte-americano de 81 anos já pediu desculpa. Admitiu que o recurso à caneta automática “foi um erro”.
Dylan teve que pedir desculpa

“The Philosophy of Modern Song” deveria ser o grande lançamento do ano da lenda da música. Uma edição limitada do livro prometia apenas 900 cópias assinadas pelo próprio Bob Dylan.

A perspetiva de possuírem um exemplar de colecionador entusiasmou os fãs, que compraram os livros de edição limitada, apenas para perceberem que, afinal, os autógrafos eram exatamente iguais, o que só poderia significar uma coisa: que não teria sido Dylan a assinar as páginas de caneta na mão.

Com cada cópia vendida por mais de 500€, os fãs ficaram compreensivelmente irritados. Perante as críticas inflamadas, o artista norte-americano de 81 anos foi forçado a pronunciar-se.

“Fiquei a saber que há uma controvérsia relativamente às assinaturas de algumas impressões e livros de edição limitada”, explicou o músico numa publicação partilhada este sábado, 26 de novembro. “Ao longo dos anos, tenho sempre assinado à mão cada um exemplar, sem qualquer problema. No entanto, em 2019, sofri de um caso grave de vertigens, que se continuou a agravar durante os anos de pandemia.”

Segundo Dylan, para poder assinar todo o material, teria sido necessário “juntar uma equipa de cinco pessoas a trabalharem em grande proximidade”, pelo que “não foi possível encontrar uma forma segura e viável de o fazer enquanto o vírus se propagava”.

“Por isso, durante a pandemia foi impossível assinar o que quer que fosse. Com os prazos contratuais a aproximarem-se, sugeri a possibilidade de usarmos uma caneta automática — e foi-me assegurado de que este tipo de recurso era ‘usado a toda a hora’ no mundo literário e das artes”, justificou.

Acabaria por admitir que “usar uma máquina foi um erro de julgamento” e comprometeu-se a tentar resolver o problema junto da editora. Inicialmente, a Simon & Schuster recusou fazer devoluções dos valores pagos, alegando que os livros foram vendidos com um “comprovativo de autenticidade”. Perante a admissão de Dylan, voltaram atrás e aceitam agora devolver o valor do livro a quem assim o entender.

O livro, que foi lançado a 1 de novembro nos Estados Unidos, contém várias revelações. Entre elas, um enorme elogio de Dylan ao fado. “Há algo muito libertador em escutar uma canção numa língua que não compreendemos. Vão a uma ópera e verão como o drama salta das páginas mesmo que não percebam uma só palavra. Escutem um fado e a tristeza escorrerá dele, ainda que não falem uma sílaba de português.”

To my fans and followers, I’ve been made aware that there’s some controversy about signatures on some of my recent…

Posted by Bob Dylan on Friday, November 25, 2022

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