Música

Calum Scott: “Portugal tem as pessoas mais bonitas que alguma vez vi”

A nova grande promessa da música britânica atuou no Palco Mundo do Rock in Rio.
Agarrou o público com a voz.

Acabar um programa de televisão como o “Britain’s Got Talent”, que é visto por milhões de espectadores, em sexto lugar pode trazer um certo estigma à volta de um artista. Porque é que não venceu? Será que não tem o que é necessário para vingar na indústria? Foram estas as perguntas que se colocaram a Calum Scott depois de ficar famoso graças ao concurso britânico.

Não levar para casa o prémio final não foi uma rejeição ou um propulsor para uma carreira fora da indústria da música. Na verdade, o músico de 35 anos tornou-se um dos nomes mais populares do Reino Unido e, este domingo, 16 de junho, levou uma multidão ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa.

O concerto começou com “Lighthouse”, um dos singles mais recentes do artista e que vai estar presente no álbum que será editado este ano. Com um som muito ao estilo pop, foi a melhor forma de arrancar o concerto, colocando a energia no alto — especialmente porque a sua discografia está repleta de baladas, o que não despertaria no público a energia que tanto ambicionam num festival como este. A canção também mostrou toda o seu potencial vocal e a forma sublime como consegue segurar notas sem desafinar.

“Nunca vi tantas pessoas num só lugar e isso faz-me sentir adoentado.” O humor é uma das características mais vincadas do cantor, o que acaba por contrastar com as letras emocionantes que habitualmente interpreta nos palcos. Este foi apenas um de vários momentos em que o artista, apesar de ter o tempo contado, se conseguiu conectar com o público — uns minutos depois riu-se enquanto dizia que estava assustado por ver pessoas a fazerem slide enquanto cantava. Mesmo assim, o maior aplauso só chegou mais tarde: “Portugal tem as pessoas mais bonitas que alguma vez vi”.

Após uma fase inicial com temas mais mexidos, Calum Scott finalmente chegou à sua segunda casa: as baladas onde a sua voz reina e os instrumentos são apenas figurantes. Com “Biblical”, o cantor levou-nos realmente à igreja e ao pop ligeiramente gospel no qual mergulha frequentemente — o que acaba por fazer sentido visto que está a atuar num recinto onde outrora esteve o Papa.

“É o meu dever e obrigação fazer-vos chorar e tocar-vos nos sentimentos. É o início do mês do Orgulho, o que é incrível”, disse, antes de se sentar para cantar “If Our Love is Wrong”, um tema que fala sobre a sua homossexualidade e a forma como isso o afetava quando era miúdo. Todos os membros do público que se conseguem identificar com este tópico ficaram emocionados logo após os primeiros versos. Prometeu que os espectadores iriam chorar e cumpriu.

Porém, a parte mais emotiva deste final de tarde chegou com a cover de “Boys in the Street”, um tema original de Greg Holden que fala sobre um pai que fica com vergonha e tenta mudar o filho quando descobre que o miúdo é gay.

Scott manteve-se neste registo de faixas mais sentimentais durante grande parte do espetáculo, embora se risse frequentemente quando via alguém a fazer slide por cima de si. Uma balada é sempre bem-vinda, mas quando uma setlist é feita inteiramente neste registo, isso pode gerar um cansaço nos espectadores. Para acordar o público, Calum Scott lá foi repetindo as suas típicas brincadeiras, enquanto falava sobre a sua vida e a experiência no “Britain’s Got Talent”, onde recebeu o botão dourado de Simon Cowell.

Os pontos altos dos concertos ocorriam quando o artista se desviava da sua própria discografia e apostava em êxitos de outros cantores, nomeadamente “This Love” dos Maroon 5, que deixo, de facto, o público em êxtase.

A esta reinterpretação seguiu-se “Roots”, outra faixa de dance pop que Calum interpretou pela primeira vez em Lisboa — e só por isso o Rock in Rio já deixou uma marca na sua carreira. No entanto, só tocou o refrão. “É só isto que podem ter, vamos passar à próxima”.

Calum conhece bem os seus limites e, como já disse publicamente, está ciente de que não é um dançarino, mas sim um vocalista. Por isso mesmo, dedica toda a sua atenção a este instrumento e não precisa de coreografias elaboradas para prender a atenção do público. Isto comprovou-se em “You Are The Reason”, que, graças ao coro formado pelos fãs, deixou Calum a chorar. “Esta foi uma das atuações mais emocionantes desta canção”.

Para acabar o concerto em jeito de introdução para a atuação de Ed Sheeran, que chegaria ao palco alguns minutos depois, interpretou o seu cover de “Dancing On My Own”, um tema original de Robyn, mas que após à participação no “Britain’s Got Talent” começou a ser associado a Calum Scott.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do concerto no Palco Mundo do Rock in Rio.

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