Música

Caos após concerto de Black Coffee no Parque Papa Francisco obriga a cancelar Boris Brejcha

O DJ alemão iria atuar no mesmo espaço este domingo, 4 de outubro. A promotora reconheceu falhas na saída do último espetáculo.

O espetáculo de Boris Brejcha, marcado para este domingo, 4 de outubro, já não vai acontecer no Parque Papa Francisco, em Loures. A Câmara Municipal anunciou esta quarta-feira, 30 de setembro, o cancelamento do evento, numa decisão tomada em conjunto com a promotora Desert Rain. Esta surgiudepois dos problemas registados no final do concerto de Black Coffee, que aconteceu no mesmo espaço, no passado domingo, dia 27.

Segundo o comunicado da autarquia, a decisão foi motivada pelos “comportamentos não cívicos registados após o último concerto”. A Câmara Municipal refere que “A segurança dos participantes e das populações da envolvente é, e sempre será, uma prioridade para o Município”, aqui citada pelo “Expresso”.

A autarquia acrescenta que pretende continuar a receber iniciativas no Parque Papa Francisco, mas “garantindo que a realização de eventos é compatível com a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida das populações da envolvente”.

A decisão surge três dias depois do Black Coffee Lisbon Open Air, que decorreu no domingo, 27 de setembro, no mesmo parque. O evento, organizado pela Desert Rain, começou ao meio-dia e prolongou-se até perto da meia-noite. Foi sobretudo no momento da saída que começaram os problemas.

A CDU de Loures divulgou imagens e relatos de uma grande concentração de pessoas junto às saídas e denunciou gradeamentos caídos, dificuldades no escoamento do público e pessoas a atravessarem a linha ferroviária na Bobadela. A coligação pediu então que os próximos eventos fossem suspensos até estarem asseguradas condições de segurança para participantes e moradores.

Também surgiram queixas de participantes. Num relato publicado no Portal da Queixa, um espectador descreveu um “efeito funil” na saída, com muita gente concentrada em passagens estreitas, e apontou falhas na abertura dos gradeamentos usados para orientar o público. Trata-se de um testemunho individual, não de uma conclusão oficial sobre as condições do recinto.

Entretanto, a Desert Rain reagiu às críticas. Num comunicado divulgado nas redes sociais, a promotora afirma que “lamenta profundamente todas as ocorrências registadas no evento de Black Coffee, em particular durante o período de saída e evacuação do recinto”.

A organização admite que houve “momentos de espera, constrangimentos, tensão e outras ocorrências que afetaram alguns dos presentes” e garante que não pretende “ignorá-los nem diminuir a importância do que aconteceu”.

A promotora lembra que um evento desta dimensão envolve diferentes equipas e entidades e que existem fatores que podem ultrapassar a sua intervenção direta. Ainda assim, assegura que vai rever o sucedido e “assumir as responsabilidades sobre tudo aquilo que está efetivamente ao nosso alcance”.

As queixas não se ficaram pela saída do público. O presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, Carlos Ardisson, enviou uma carta aberta ao presidente da Câmara de Loures após o concerto de Black Coffee, na qual pediu medidas para reduzir o impacto dos eventos sobre os moradores. Entre os problemas apontados está o ruído, que descreveu como uma “pressão inaceitável” sentida em várias zonas da freguesia.

O concerto de Boris Brejcha seria o último dos eventos previstos para este ano no Parque Papa Francisco no âmbito do acordo entre o município e a Desert Rain. O DJ alemão, conhecido pela máscara veneziana que usa em palco e pelo chamado high-tech minimal, tinha milhares de pessoas interessadas no evento nas plataformas de bilheteira.

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