Música

Carolina Deslandes: “Sentia que o meu lado ativista e a música estavam muito distantes”

A NiT falou com a artista sobre o próximo álbum, a transformação da sua visão sobre a música, e a nova temporada de “The Voice”.
Carolina Deslandes prepara o seu novo disco.

Em setembro, Carolina Deslandes apresentou um novo single, “Vai Lá”. O tema — forte e incisivo — apresenta uma linguagem direta e é uma das canções que antecipam o seu próximo álbum, “Caos”. O disco deverá ser lançado durante o outono.

Como Carolina Deslandes explica nesta entrevista que deu à NiT, “Caos” marca uma mudança profunda na sua relação com a música e até com a sua carreira. Representa o rompimento com as amarras patriarcais e da indústria que estabelecem o que uma mulher artista deve ser. E a cantora e compositora tem vindo a procurar uma versão de si mais autêntica, menos polida, para se expressar.

A par do novo disco, este domingo, 25 de setembro, estreia na RTP1 a nova temporada de “The Voice Portugal”. Carolina Deslandes, que já tinha participado em “The Voice Kids”, é uma das mentoras — ao lado de Marisa Liz, Diogo Piçarra e Dino D’ Santiago. A NiT falou sobre tudo isto com a artista portuguesa de 31 anos. Leia a entrevista.

Tem estado a gravar a nova temporada de “The Voice Portugal”. É muito diferente ter pela frente miúdos ou pessoas mais velhas, adultos?
A principal diferença é que com as crianças preocupas-te com o futuro delas. Com não as magoares… Claro que dói sempre, mas que seja pela circunstância e não pelas tuas palavras. Tens essa preocupação de como é que aquilo vai afetar o futuro delas. Com os adultos tens de ter essa preocupação, mas também sobre o lugar de onde vêm. Já vêm com bagagem: muitos deles com traumas, muitos tiveram contratos que não correram bem, para outros é a última tentativa porque trabalham noutra coisa qualquer e estão numa de desistir. Há muita gente a chegar com muita bagagem e esse é o meu maior receio. Tu não conheces a pessoa, estás de costas para ela, tens aqueles minutos e é teres todo o cuidado possível para ouvires a história que a pessoa tem para contar e não reforçar nenhum trauma, não magoar nalgum lugar de onde a pessoa já venha frágil. Esse é o maior desafio.

É preciso ter essa sensibilidade para com quem está do outro lado.
Estou sempre a dizer: é difícil para eles e é difícil para nós. Somos todos pessoas ali. Nós estamos num trabalho de “ou viras ou não viras” e tens de escolher uma equipa. E eles têm a oportunidade de irem ali, cantarem uma canção e vamos ver como corre. Cada um tem o seu grau de dificuldade. Para nós, também é super ingrato. Estamos no fim de uma canção em que não virámos a cadeira e estamos “ai, ai”… Tudo o que não queremos é passar a ideia de que não és bom o suficiente. Às vezes é o dia. Ou a canção não está no tom. O arranjo não beneficiou a pessoa. Há tantas coisas que podem acontecer. E como no “The Voice” não temos nem nunca tivemos “cromos”, todas as pessoas que lá vão parar… estamos a escolher entre o bom e o bom. Por isso, não virar não é “tu não és bom”. É “eu só tenho 14 lugares”. Posso já ter três fadistas na minha equipa: até estou a gostar do que estou a ouvir, mas o que vou fazer com mais de três fadistas na minha equipa? Às tantas também não é bom para eles, porque não se destacam. E isso também entra em jogo.

Mas têm tido boas surpresas nesta temporada? Tem estado satisfeita com o talento das pessoas que têm aparecido?
Isto é a décima edição, Portugal é pequeno, acho sempre que vamos chegar a um dia em que já não vai haver pessoas novas a querer participar [risos]. Mas há — e pessoas incríveis. Não sei onde é que elas moram, não sei onde se escondem, mas é incrível mesmo.

Está integrada num novo painel de mentores: o Dino D’Santiago nunca tinha participado no “The Voice”, o Diogo Piçarra e a Marisa Liz sim, mas a Carolina só tinha feito a edição “Kids”. Como é que tem sido a dinâmica com os novos mentores?
Em primeiro lugar, tanto para mim como para o Dino, foi uma grande responsabilidade. Porque a Aurea já lá estava há muito tempo, o Zambujo também, e eu digo sempre que ninguém vem substituir ninguém. As pessoas não se substituem. Acho que o “The Voice” tem deixado um legado, uma história, e nós vamos somando coisas a essa história. Eu já tinha feito o “The Voice Kids” com a Marisa, portanto já estava… quer dizer, nunca estás preparada para a Marisa porque ela é a madrinha, não é? Ela arranca a falar e tu já sabes que vais perder o concorrente. Muito raramente isso não acontece. Se ela quer mesmo o concorrente, chega a uma altura em que já estou a desistir. “Pronto, leva, leva a taça”. O Dino é um dos meus amigos mais antigos, é meu amigo desde os 16 anos, fui a um casting para ser back vocal da banda do Dino e não fiquei porque era menor [risos], então não podia andar de um lado para outro. Portanto, o Dino não me virou a cadeira, no fundo. Ou virou, mas disse: olha, não vais poder ficar aqui [risos]. E somos amigos mesmo há muitos, muitos anos. Somos amigos de casa mesmo. E por isso fiquei super feliz quando soube que ia dividir esta aventura com ele. E também já conheço o Diogo há muito tempo, temos uma canção juntos, apesar de não termos uma relação propriamente pessoal. São tudo pessoas que já conheço e por isso fui muito mais descansada.

O “The Voice” tem tido sucesso e longevidade, porque pelos vistos todos os anos há pessoas por esse País fora que decidem arriscar, vão à televisão, apresentam o seu talento e põem-se à prova. Para si qual é o papel que estes programas têm na música portuguesa? É um papel que pode ganhar mais preponderância? É sempre um papel relativo? Qual é a sua visão?
Ainda não estamos a viver uma descentralização do País. Ou seja, ouves falar de artistas do Porto, de Lisboa, às vezes ouves falar de artistas do Algarve — como o Piçarra e o Dino — mas há muita gente que vem de sítios onde não há tantas oportunidades. Muitos deles teriam de vir para Lisboa para tentarem começar a tocar em bares ou falar com editoras. Isto é uma forma de ficares a conhecer pessoas de todos os pontos do País. Acho que este programa é uma ótima rampa de lançamento, porque as pessoas ficam-te a conhecer. É uma ótima escola, tens vocal coaches incríveis, a equipa, a banda, música tocada ao vivo, aprendes o que é um arranjo, a conviver com os músicos, com professores que te ensinam a tirar o melhor proveito de ti, nós também estamos ali para conhecer as pessoas e para dizer “o que é que te sentes bem a fazer?” “O que te vês a fazer daqui a x anos e o que é que queres mostrar?” Porque aquilo fica na Internet para o resto da vida. Convém, por muito que mudemos, que quando vires os vídeos daqui a cinco anos continues orgulhoso daquilo — e a pensar que seja um bom cartão de visita quando forem gravar um disco. Agora, tudo na vida requer muito trabalho. E o “The Voice” é uma ótima rampa de lançamento, mas tens de saber aproveitar essa ferramenta e trabalhar a seguir. Também participei num programa de talentos e o que os meus pais me diziam sempre era “não tires demasiado os pés do chão”. No sentido de: tu apareces na televisão, os teus números na Internet crescem, as pessoas passam a conhecer-te na rua, mas não aches que já está. Não fiques com essa sensação. Porque não está. No ano a seguir há outra edição, e se quiseres ficar na memória das pessoas e na história da música do País, tens de trabalhar, pensar no que queres fazer, montar uma banda, arranjar um produtor, fazer canções. É um excelente ponto de partida, tens um acompanhamento incrível, mas como tu o vais manter e o proveito que vais tirar depende muito da pessoa e da sua vontade.

Mudando de assunto para a sua música, lançou há pouco mais de uma semana um novo single, “Vai Lá”, que fará parte do seu próximo álbum, “Caos”. Como nasceu esta canção?
Então, eu lancei um disco em 2018 que é o “Casa” que tem uma sonoridade muito doce. Estava muito ligada à maternidade e ao momento da vida que estava a viver, do meu casamento, dos meus filhos, do projeto da minha família. E quando fiz o “Mulher”, numa fase posterior em que se passaram outras coisas na minha vida pessoal, quis juntar o meu lado ativista e o lado das causas que acho importante defender à minha música, porque sentia que eram coisas muito distantes. Como é que o mundo está neste estado, e tenho esta preocupação com o que está a acontecer, mas quem ouvir a minha música acha que vivo numa bolha de privilégio e que não tenho noção de nada, que é tudo borboletas, flores e arco-íris… Não quer dizer que eu não ache que a música também tem esse papel importante de manter a esperança. Por muito que queiras tocar nas feridas, a música, o entretenimento e a cultura também têm esse papel de resgatar as pessoas de uma circunstância que já é complicada. Mas para este disco, desde que fiz o “Não me Importo”, comecei a ter uma noção de que existe uma expetativa em relação às mulheres, em relação às compositoras, de que esteja sempre presente uma delicadeza na forma como abordas os assuntos. Que a mulher tem que ser delicada. “Tens que ser delicada porque és uma senhora”. E eu pensei: que se foda isso. Porque tu passas por coisas na vida em que não vais ser sempre mega eloquente a falar sobre isso. 

Claro.
E se quiseres pôr metáfora atrás de metáfora e pôr a eloquência à frente da honestidade, não toca às pessoas. Tu não estás a sofrer de um desgosto amoroso e a dizer “ai que a minha alma brotou uma noite escura que me impede de caminhar”. Estás a dizer “meu, estou mal. O que é que tu me fizeste?!” [risos]. Acho que este disco é muito mais na cara, é muito mais discurso direto. É a fase que também atravessei nestes últimos dois anos: um reconhecimento de mim, uma organização das minhas mágoas e dores, e perdi um bocado a vergonha disso. Pensava: como é que vou passar de um registo para outro? Da forma como passamos na vida de uma coisa para a outra. Como de repente tens dois dias incríveis e nos dois a seguir pensas “está mercúrio retrógrado ou o que se está a passar?” Bateram-me no carro, esqueci-me de pagar o IVA, dei um pontapé num poste. Acho que isto também acontece emocionalmente. Tens fases em que sentes que tens tudo, e fases em que pensas: quem é que eu sou? O que é que eu quero? O que resta de mim depois desta história? E este é um disco muito sobre isto, o final de um ciclo e de uma história. Sobre este lado da vida em que te dedicas à família, aos filhos, à carreira e há muito que não tenho tempo para a minha vida pessoal. Isso também tem consequências nas minhas relações, na forma como me vejo a mim mesma, e isso tem sido um processo de descoberta, do que é que magoa, do que quero falar, e de perder mesmo a vergonha. Sinto que a minha arte e a minha personalidade têm-se finalmente encontrado num todo. Claro que também tenho o meu lado doce, meigo, de cuidadora. Mas depois tenho o outro: e tinha muita vergonha. Essa coisa mais direta está muito mais associada ao rap do que ao pop. Se és rapper e homem, tens muito mais margem de compreensão do público para dizeres as coisas de forma mais papo reto e para tocares em certos assuntos do que se fores uma mulher, mãe, uma pessoa que vem de um registo como o meu. Esse trabalho de desconstrução tem sido não só um risco para a forma como me apresento para o público, mas também para mim, tem sido um trabalho de descoberta. O que é que estou capaz de dizer e qual é a forma como me sinto bem a dizê-lo? Por isso é que também tomei a decisão de não tirar o palavrão do refrão. Foi assim que saiu, aquilo veio de verdade, e prefiro vender uma verdade minha do que poli-la ao ponto de eu já nem a reconhecer, de já não me ver ali. O “Vai Lá” foi um grito do Ipiranga nesse sentido, de perder o medo, a vergonha de não ser delicada, de não ser uma flor nem uma senhora. Sou mulher, tenho a minha forma de falar e comunicar, e se fores sempre demasiado polido na vida, não estás a ser tu.

E esta jornada é também a transição da “Casa” para o “Caos”, daí o título do disco, suponho.
Sim, também tem a ver com os arranjos que estamos a fazer. Eu queria uma coisa com mais baterias, guitarras elétricas, usar um bocado mais distorções. Venho dos anos 90 e consumíamos um bocado de tudo. E consumíamos muito. Como não havia Spotifys e YouTubes, recebias um disco e durante uns meses aquele era o teu universo. Então tive uma fase em que só ouvia rap, outra em que só ouvia pop e outra em que ouvia muito rock. Ouvia Radiohead, Incubus, Limp Bizkit, Red Hot Chilli Peppers e sempre gostei muito daquela coisa que o rap também tem de “eu não tenho que pedir desculpa”. “Eu cheguei e é isto que quero dizer.” Por isso, a sonoridade e os arranjos do disco também estão meio caóticos — no bom sentido. Não estou com aquela preocupação de “esta guitarra está muito agressiva” ou “estou a gritar bué aqui”, porque as pessoas também só conhecem o meu registo vocal dentro de uma zona onde me sentia muito confortável. E estou a quebrar isso tudo. Daí também vem o “Caos”, porque tem a ver com a sonoridade mais rock, mais agressiva, mais crua. Toda a imagem visual do disco também é assim. É o caos total, mas eu organizo-me muito bem dentro do caos. Não é aquela coisa do “eu estou perdida”. Não, eu estou intencionalmente caótica e a curtir desse caos — e a colher frutos desse caos.

E há nesse caos uma certa libertação, não é? Sonora e também psicológica.
Completamente. Quando apareci com o meu primeiro disco há 10 anos, lembro-me de que me mascararam — como fazem muitas vezes com os artistas — com vestidos de balão, e com uns cabelos e umas coisas, e eu sentia “OK, ser artista é isto”. Se calhar as pessoas fazem isto, vestem este papel. Porque olhava para as outras mulheres da música e todas apareciam sempre super quitadas e arranjadas. À medida que me fui tornando mais eu, e fazia os concertos com as minhas T-shirts largas, os meus ténis, os meus hoodies na cabeça, tinha muita gente a ligar para a minha agência na altura: “porque ela veio fazer o concerto vestida como se fosse passear o cão”. E há essa expetativa de a mulher se apresentar, de ela ter que se compor para aparecer, de ter de compor o discurso para falar. O “Caos” é exatamente o oposto. A mulher tem que ser. E “ser” é seres aquilo que tu quiseres. Não é “sê livre, mas até aqui” ou “sê livre desta maneira”. Isso não é liberdade. Isso é estares condicionado o tempo todo, mas a manipularem-te com uma retórica que está completamente viciada. “Não, tu estás toda tatuada, tens é de pôr um vestido de cauda”. Como se fosse “Já que te deixamos estares aqui toda tatuada, faz-nos ao menos o favor de te mascarares”. E cansei-me completamente disso. Quero cada vez mais aparecer vestida como me sinto bem, visualmente as coisas terem a estética que me faz sentido, o meu discurso também e o “Caos” é essa libertação num todo. Estou cansada, meu, estou mesmo cansada. Chega a uma altura, quando trabalhas muito e não podes ser tu, em que enlouqueces. Tive uma altura, quando estava a fazer televisão e concertos, chegava a casa, desmaquilhava-me, vestia a minha roupa e era um alívio, sabes? Fogo, finalmente. Tirava cintas que me estavam apertadas, tirava coisas que não tinham a ver comigo e de repente podia ser eu. E que vida é esta que estamos a plantar em que só podes ser tu ao domingo, de folga, escondido dentro de casa e a ir ao supermercado? Não quero isso para mim. Quero ser eu sempre. E quero que as pessoas aceitem que tu podes ser mulher, sensual, confiante, tranquila da tua vida e gostares de não te vestir dessa maneira e está tudo bem.

Houve algum momento mais específico em que percebeu que não era isto que queria para si? Que estava errado? Ou foi um processo muito gradual?
Foi um bocado gradual. Quando comecei a perceber que o meu aspeto físico… Eu não tenho Twitter porque preservo a minha sanidade, há anos que não dou entrevistas para revistas cor-de-rosa, protejo-me disso. A maioria das coisas de fofocas está tudo bloqueado no meu Instagram [risos], que é para eu nem ver. Mas nos últimos anos comecei a aperceber-me de que o meu aspeto físico era sempre assunto. Às vezes mais do que a minha música e o meu trabalho. E isso mexeu muito comigo. “Eu gostava de mim antes disto. Antes de eu saber que as pessoas achavam estas coisas, eu gostava de mim”. Foi nessa busca pelo meu amor próprio e pela minha paz, e por eu poder viver como sou mais feliz, que escolhi essa libertação. Foi quando percebi que, se eu não lutasse contra isso, todas as coisas que são ditas e todos os dedos que são apontados, fazem com que gostes menos de ti. E com que lata é que tu te permites a isso? Que eu saiba estamos aqui uma vez, mato-me a trabalhar… Perdi a conta dos casamentos e aniversários a que não vou, dos jantares que cancelo, das coisas que não posso fazer porque escolho este propósito. Sou criativa, quero pôr o meu trabalho em cima da mesa, quero fazer uma curta e depois um disco duplo e ter uma tour e manter a minha família. Tenho que me dar ao direito de ser feliz e de me sentir orgulhosa desse caminho. E sentia que esse lixo me estava a afastar de poder curtir o que me estava a acontecer profissionalmente. Não ia à praia, não ia a lado nenhum, tive uma fase em que “porque estou assim e ainda me tiram uma fotografia”. Como se “estar assim” fosse o fim do mundo. Estar assim é só estar normal. Cara lavada, desmaquilhada e não estou de vestido nem arranjada. E foi recente. Foi na pandemia e no pós-pandemia, que pôs tudo um bocado em perspetiva e nos fez reorganizar as prioridades. 

Está anunciado que o “Caos” vai ser lançado brevemente, mas consegue apontar uma data mais precisa?
Supostamente saía em outubro, mas entretanto surgiu este convite do “The Voice”. Então o tempo que eu tinha, “OK, a minha tour acalma um bocado aqui” e consigo ir para estúdio finalizar aquilo que me falta, foi ao ar. Foi uma escolha minha também, então vamos ter que atrasar. Não acredito que saia em outubro, mas estou a fazer tudo para que saia em novembro, no limite.

Sente que o público que a admira há vários anos tem acompanhado como esperava esta transição, de sonoridades diferentes e um registo menos polido, ou ainda é cedo porque a coisa não se materializou uma vez que o disco ainda não saiu?
Ainda não se materializou completamente. Sei que não vou agradar a toda a gente, mas é o que digo: prefiro não agradar e ser honesta do que achar que já conheci a fórmula para o sucesso e então vou repeti-la até à exaustão. Todos os artistas que admiro reinventaram-se e tu consegues ver nos álbuns, especialmente para pessoas como eu que são os próprios compositores e letristas das canções, consegues ver essa metamorfose de aprendizagens, perdas, conquistas… Acho que a minha música tem de ser sempre um reflexo de mim. Sei que não vou agradar a todos, que se calhar vou ganhar um público que não tinha, vou perder um público que já tinha, mas isso faz parte. Tu vais sempre procurar a música que te diz mais. E, da mesma maneira que agora esta me diz mais a mim, às pessoas que vão ouvir se calhar diz-lhes mais as antigas e há outras que se calhar são mais as novas. É um risco. Mas é sempre. Sempre que lanças um disco novo, é um risco. Mesmo que eu estivesse a repetir a fórmula, o meu último disco foi em 2018. Podia agora fazer um parecido e já não funcionar.

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