Música

Chechénia proíbe todas as músicas que sejam “muito rápidas ou demasiado lentas”

Artistas têm de adaptar os temas até 1 de junho. “É inadmissível tomar emprestada a cultura musical de outros povos.”
A medida vai ser aplicada em junho.

“Bad Romance”, de Lady Gaga, “Wrecking Ball”, de Miley Cyrus ou “Get Lucky”, dos Daft Punk. Estes são apenas alguns exemplos da longa lista de temas que, a partir de 1 de junho, fazem parte da nova censura musical da Chechénia por ficarem acima das 116 batidas por minuto.

A república russa decretou a proibição de todo o tipo de músicas consideradas “muito rápidas ou demasiado lentas”, noticia a “Sky News”, citando o “Moscow Times”. Os artistas têm até ao dia fixado para reescreverem todas as canções ou adaptarem as batidas que não estão em conformidade com a regra.

“Todas as obras musicais, vocais e coreográficas deve corresponder a um ritmo de 80-116 batidas por minuto”, afirmou o ministro da cultura, Musa Dadayev, citado pelo “The Guardian”. As batidas por minuto (BPM) definem, de forma simplificada, a velocidade de uma música.

O objetivo é acabar com a “influência ocidental poluente” na região conservadora, que inclui parte da fronteira da Rússia com a Geórgia e tem uma população de maioria muçulmana. A república quer garantir que as sonoridades estão “em conformidade com a mentalidade e o sentido de ritmo chechenos”.

Esta medida criminaliza a maioria dos géneros de dance music moderna que passam em espaços noturnos. É o caso do house, o techno, o dubstep ou o drum’n bass. Porém, também pode afetar a promoção de faixas pop com batidas mais mexidas. 

Se olharmos para o contexto português, temos o exemplo de Salvador Sobral, que curiosamente tem um disco chamado “BPM”. Como o artista é conhecido por projetos com sonoridades mais lentas, que ficam abaixo das 80 batidas por minuto, também o portefólio do vencedor da Eurovisão é banido.

Há exceções. No caso do hip-hop, tipicamente tocada a velocidades ente as 60 e as 140 batidas por minuto, ainda podem ser considerados como parte do “sentido de ritmo” defendido pelo regime de Kadyrov, que tem sido amplamente criticado por organizações de defesa dos direitos humanos

A música tradicional chechena inclui o khalkaran yish, uou seja, canções instrumentais utilizadas para acompanhar danças, procissões e corridas de cavalos, assim como baladas épicas heroicas conhecidas como illi yish.

A região, que tem alguma autonomia em relação à Rússia, também vai limitar e excluir alguns símbolos russos, como o hino hino da Federação Russa (com 76 BPM) ou a faixa “Dia da Vitória”, de Lev Leshchenko,  interpretada nas comemorações russas (126 BPM)

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