Música

Cláudia Pascoal apresenta novo single — e revela detalhes sobre o próximo álbum

O tema inspira-se nas suas raízes minhotas, em particular, na sua avó. “Foi um mundo de recordações da minha infância".
Cláudia Pascoal tem 27 anos.

Depois de “Fado Chiclete”, Cláudia Pascoal lançou esta terça-feira, 26 de julho, o segundo single do seu segundo álbum. Chama-se “Eh Para a Frente, Eh Para Trás” e inspira-se nas raízes minhotas que foi resgatar às vivências passadas com uma das avós. O videoclip foi mesmo gravado na sua casa de família.

O disco, ainda sem título, está quase pronto, mas só vai sair no primeiro trimestre de 2023. Até lá, a artista natural de Gondomar vai continuar a atuar — a 14 de agosto, dá um concerto no festival Sol da Caparica. No alinhamento vai estar ainda uma terceira canção, que provavelmente só vai sair para o ano.

O novo videoclip foi dirigido por Cláudia Batalhão e o single foi co-produzido com David Fonseca, que tem trabalhado com Cláudia Pascoal ao longo de todo o processo de construção do álbum. Leia a entrevista da NiT com a artista de 27 anos.

O que é que a fez querer explorar as suas raízes minhotas neste novo single?
Acho que exploro sempre as minhas raízes minhotas em todos os singles… Ainda hoje me perguntaram se me inspiro nalgum artista, mas a inspiração vem de onde venho. Porque, como nunca planeei muito ser artista de música, tudo o que crio vem da base do que ouvi em criança e com aquilo que cresci. Portanto, nem noto que tenha raízes minhotas. Quando entreguei esta música ao David Fonseca em estúdio é que ele disse: “rancho outra vez, Cláudia?!”. E eu: “tem? Achas? Não sinto”.

Ou seja, não foi nada premeditado.
Não, acho que sempre que me sai uma melodia pela cabeça, sempre que pego num ukulele, vem-me sempre o habitual e aquilo com que cresci. Está geneticamente incorporado em mim.

Como é que esta canção nasceu? Estava a tocar no ukulele, como estava a dizer?
Na verdade, não… Quase todas as minhas canções nascem do ukulele, mas nesta foi mais a necessidade de complementar uma frase que tinha dito e publicado na altura da pandemia. Escrevi: “O que importa é ter saúde, já dizia a minha avó”. E era para incorporar isso como um interlúdio no álbum. Mas numa tarde comecei a refletir muito sobre o que é que a minha avó diria se estivesse viva e a ver-me a fazer canções e a dar concertos e a gravar videoclips com a minha família na casa dela [risos]. Portanto, esta música nasceu um bocadinho dessa linha de pensamento, de coisas que a minha avó diria. A cena de dizer “haja cabeça que o cu é para sentar”. Comecei a juntar isso tudo e, na verdade, melodicamente a música foi criada a partir de um pastor que estava a chamar as vacas… Gravei um bocadinho e, como ele estava a fazer as coisas [ritmicamente] tão certinhas, para mim era um beat. Então comecei a cantar por cima, e a melodia sinto que já vinha de algum lado, não sei bem de onde mas já existia. É muito minhoto, aquelas cantarolices que cantas quando estás a pastar o gado e estás na tua… Foi quase um mundo de recordações da minha infância, e a partir daí fui criando.

E sente que este single espelha bem o álbum que aí vem? Ou não necessariamente?
Espelha, sem dúvida. Acho que todo o álbum está fechado na mesma bolha, porque é o primeiro disco em que escrevi e compus tudo, é tudo da minha autoria. Todo ele comunica da mesma forma e vem do mesmo sítio: de mim [risos]. Mas acho mesmo que é a canção do álbum que me reflete mais, porque fala exatamente da fase em que estou agora. Normalmente escrevo canções sobre uma relação que passou, de uma fase, e esta está a falar de agora… das frustrações desta coisa de tentar, tentar, tentar. Uma pessoa fica exausta de não saber bem onde existir. É essa coisa de que a vida anda para a frente e para trás, nunca sabes bem e estás sempre a tentar acompanhar o mundo. Por isso sinto que a música tem mesmo de sair agora porque é assim que me sinto neste momento.

Como disse, este é o seu segundo álbum, mas o primeiro totalmente escrito e composto por si. Foi algo que se propôs a fazer? Já era uma vontade antiga? Também foi aconselhada nesse sentido?
Acho que foi uma junção disso tudo. No primeiro álbum, os últimos dois temas que lancei foram ambos compostos por mim: a “Quase Dança” e a “Tanto Faz”. E senti, de facto, uma energia e uma sensação diferente em receber amor e carinho por esses temas. Então senti que era uma necessidade minha compor mais para este álbum, mas na verdade não nasceu assim. Cheguei a falar e a sentar-me com vários artistas que admiro, mas comecei a escrever tantas canções que percebi “este álbum tem mesmo de ser com as minhas canções”, porque as músicas se unem todas, pertencem todas ao mesmo mundo. Mas, sim, também era algo que o Tiago Bettencourt no primeiro álbum, enquanto produtor, já me tinha dito várias vezes: “no segundo álbum compõe tu”. E para o David Fonseca foi quase uma exigência: “Produzo-te o álbum, mas tens de ser tu a compor”. E foi um excelente desafio. Talvez por isso também tenha demorado algum tempo a acabar o álbum porque queria mesmo explorar esta minha vertente. 

E sente que o disco vai refletir melhor a sua identidade, por serem canções totalmente da sua autoria?
Sem dúvida. Se calhar é muito clichê dizer isto, mas digo muito honestamente: estou mega apaixonada por este projeto. Sabes aquelas coisas de: não vou fazer nada melhor do que isto, porque é impossível? [risos]. Estou muito entusiasmada mesmo para poder mostrar o álbum completo.

Já está completamente feito?
Sim, só faltam as misturas e fechar as canções na totalidade. 

Portanto, deve estar expectante para que ele saia, embora só esteja previsto para o início do próximo ano.
Claro! [risos]. Apetece-me já contar tudo sobre o álbum, mas não posso.

Por que quis trabalhar com o David Fonseca neste disco e como é que tem sido?
Sou muito, muito fã do David. Sou daquelas que iam a todos os concertos — não todos, mas os mais especiais. Tenho os álbuns todos. E ele sempre foi uma grande influência, principalmente em palco. Porque os concertos dele são muito interativos, têm muitas brincadeiras e tento sempre fazer isso agora nos meus. Portanto, é algo que queria mesmo, mesmo muito. Em 2021 decidi ligar ao David numa de “não tenho nada a perder”. Estou com zero ideias do que vou fazer, vou ligar-lhe. E ele disse: “por acaso apanhaste-me numa boa altura, até alinho produzir-te”. Que é uma coisa que ele não faz, ele não produz ninguém. A partir daí senti uma luz em cima de mim a dizer “isto é o mundo a dizer para fazer isto e para continuar” [risos]. E tem sido inacreditável. Nunca pensei que fôssemos tão colados um ao outro, no sentido em que o que ele está a pensar eu já estou a pensar e vice-versa. Estamos sempre sincronizados e posso dizer que, em cada sessão, quase fechamos uma produção. É muito fácil trabalhar com ele e ele é uma pessoa muito geek no melhor sentido possível. Tem imensos brinquedos, sabe imensas coisas, é quase uma exigência dele mostrar-me e ensinar-me tudo o que ele sabe. Aprendi uma catrefada de coisas novas e as possibilidades que existem agora para fazer canções, para mim, são muito maiores. E já estou com ideias para o terceiro álbum [risos]. 

Já conhecia bem o David?
Não conhecia tão bem como agora. Conheci-o no dia em que ganhei o Festival da Canção, acho que aí é que me passei mesmo. Ganhei o festival, tudo aquilo, mas quando o David vem falar comigo aí é que eu quase desmaiei [risos]. E depois cheguei a fazer uma coisa com ele para a rádio e entrei no concerto dele dos 20 anos de carreira. Mas tinham sido essas pequenas abordagens. Nunca me tinha sentado com ele um dia inteiro a falar sobre música. E agora, sim, só fazemos isso da vida.

O que é que pode contar mais sobre o álbum que aí vem?
Posso dizer que aborda vários reflexos meus, para o bem e para o mal. Tem o meu lado explosivo e o meu lado mais deprimido. Mas também posso dizer que convidei algumas pessoas para entrarem como featuring no álbum. Apesar de todos eles fazerem música, ninguém pertence ao mesmo mundo musical. E acho que essa é a maior tradução deste álbum: são vários aspetos diferentes da minha vida, com pessoas distintas. E são vários artistas que pertencem a diferentes fases da minha vida também. Artistas que ouvi quando era criança, adolescente, e agora adulta.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT