Música

Como tem sido a vida dos The Black Mamba em Roterdão, antes da Eurovisão

A banda portuguesa atua na segunda semifinal do concurso esta quinta-feira, 20 de maio. A final é no sábado.
O grupo interpretou "Love is on My Side".

Faltam poucos minutos para o ensaio em Roterdão, nos Países Baixos, quando falamos com os The Black Mamba, no dia em que atuam na Eurovisão. A segunda semifinal do concurso europeu acontece esta quinta-feira, 20 de maio, e pode acompanhar tudo na emissão da RTP1 a partir das 20 horas.

A banda de Tatanka, Marco Pombinho, Rui Pedro Pity, Miguel Casais e Guilherme Salgueiro chegou à cidade holandesa a 10 de maio. O país está num estado mais desconfinado do que Portugal — não é obrigatório usar máscara na rua, por exemplo — mas os The Black Mamba estão na bolha festivaleira em que tudo tem de correr bem.

Por isso mesmo, têm passado estes dias quase inteiros dentro do hotel onde estão hospedados. Durante este período tiveram múltiplos ensaios e testes na arena Ahoy, para que a performance e o evento corram da melhor forma — seja a nível artístico ou tendo em conta o panorama pandémico.

Com 3500 pessoas testadas nas bancadas, sem obrigatoriedade do uso de máscara e de distanciamento social, este pode ser um dos maiores eventos-piloto na Europa desde o início da pandemia.

“Todos os olhos do mundo vão estar postos neste evento. É um evento-piloto que pode abrir muitas portas para outros do género. Pode servir de exemplo, por isso essas restrições têm que ser todas muito rigorosas”, dizem os The Black Mamba à NiT, já vestidos a rigor para a performance desta quinta-feira, em que dez intérpretes vão apurar-se para a grande final de sábado, 22 de maio. Ao fundo ouvem-se os ensaios de outros concorrentes.

Os The Black Mamba mostram-se esperançosos para que a Eurovisão possa abrir portas para alguns dos maiores festivais em Portugal, por exemplo. “Até a nós nos pode ajudar, este ano e o ano passado perdemos, por exemplo, o Rock in Rio, que íamos fazer, e outros festivais. Se isto correr bem, pode ser que se abra tudo normalmente para o ano.”

Além de serem testados à Covid-19 de dois em dois dias, só foram autorizados pela Eurovisão a fazer duas saídas do hotel em tempo livre: foram até ao porto de Roterdão, o maior do género na Europa; e visitaram uma icónica fábrica de gin local, além de terem passado pela praia. “Para que também pudéssemos sair um bocadinho do hotel e não ficássemos a flipar durante duas semanas fechados”, diz o vocalista Tatanka.

Os The Black Mamba vestidos para a performance desta quinta-feira.

Se forem apanhados numa esplanada ou tirarem uma fotografia de uma saída não autorizada pela organização, podem mesmo ser desqualificados do concurso.

Como tinham algum tempo livre no hotel, tiveram a ideia de — em colaboração com Arlindo Camacho e Daniel Mota — gravarem um videoclip de um single que vão lançar esta sexta-feira, 21 de maio, passem ou não à final da Eurovisão. Chama-se “Crazy Nando” e promete.

“Estivemos ali fechados e acabámos por nos divertir imenso. É uma música já em si muito cómica, e o videoclip ainda eleva a música para outro patamar nesse sentido”, diz Tatanka. “Podemos garantir umas belas risadas.”

“O hotel é fixe mas tem assim um aspeto meio fajuto. É datado. E eles conseguiram transformar aquilo… Vais achar que estamos no Sheraton [risos]”, acrescenta Rui Pedro Pity. “E é o teledisco mais barato da história, pelo menos desta banda. Custou 65 euritos mais IVA.”

Sobre a semifinal desta noite, dizem que encaram a Eurovisão como a competição que é, mas também estão simplesmente a tentar aproveitar uma experiência diferente — sobretudo depois de um ano de pandemia em que estiveram praticamente parados.

“Não podemos fugir à origem do que é este evento, é uma competição. Não nos víamos, há um tempo atrás, a fazer este tipo de cenas. Aconteceu, aceitámos com muito gosto, com muito orgulho, e acabamos por estar aqui dentro desse contexto. Obviamente que há uma série de outras coisas que podem ser enriquecedoras para nós e que vão ser de certeza. E, pronto, vamos tentar tirar partido ao máximo de todas essas coisas que nos estão a acontecer aqui. E esperamos fazer o melhor possível. Nesse âmbito da competição gostaríamos muito de nos qualificar hoje e, depois, na final, fazer o melhor que der”, diz Tatanka.

Alguns dos membros do grupo, como Guilherme Salgueiro e Miguel Casais, admitem que têm estado mais atentos às projeções das casas de apostas online. Na tarde desta quinta-feira, os The Black Mamba estão na 17.ª posição, de acordo com o Eurovision World, o principal site que reúne os dados das várias apostas digitais. Isso faz com que seja provável que passem à final.

“O ensaio de ontem correu muito bem, que já não foi propriamente um ensaio. Foi um jury show. Ou seja, metade do resultado de hoje já é referente à prestação de ontem, porque o júri em cada país votou ontem. Correu muito bem, trouxe alguma descontração adicional para hoje, que é o TV show. Ontem a prestação foi boa e isso trouxe-nos alento e descontração para enfrentar o que vem aí agora”, resume Tatanka sobre o estado de espírito corrente.

Os The Black Mamba dizem que estes dias nos Países Baixos foram úteis para se habituarem ao ambiente da Eurovisão. “Cada vez nos sentimos mais em casa e está a correr tudo muito bem. Temos sido muito bem recebidos, estamos super felizes.” Mesmo que não vão à final, só voltam a Portugal no domingo, 23 de maio.

“De resto é cumprir com o que já está estipulado e tentar sempre fazer melhor na performance, porque, de resto, já está muito bem delineado o que é que tem de acontecer a cada segundo.” O que é algo bastante diferente da experiência mais espontânea de dar um simples concerto.

“Nós não estamos muito habituados, aqui tem de ser ao segundo. Essa parte é complicada para bichos selvagens como nós, mas pronto, também somos pessoal com cabecinha no lugar e que sabemos cumprir com aquilo que é suposto e tentar colaborar ao máximo para que isto corra bem para todos. Porque isto não é só para quem está no palco.” Na calha têm já algumas músicas novas, que irão culminar num disco chamado “Last Night in Amsterdam”, inspirado na tour internacional que fizeram em 2018. Antes disso, é altura de conquistar o público com “Love is on My Side”.

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