Frank Leão cresceu em Angola com dois sonhos que se recusou a largar. O primeiro, tornar-se ator, foi concretizado em 2015, quando regressou a África, depois de vários anos a viver em Portugal, e integrou o elenco do filme “Amor Ódio Amor” e da novela “A Fazenda”, da TVI, ao lado de Diogo Infante, onde interpretou um juiz.
Já o segundo desejo, ser cantor, está a ser cumprido agora, aos 60 anos, após muitas décadas a adiá-lo. O artista lançou “Cristiano”, tema criado em homenagem ao internacional português, esta quinta-feira, 5 de fevereiro, data em que Ronaldo completa 41 anos.
“Meu coração chora quando falam mal dele / Meu coração lamenta quando falam mal dele”, declama o artista na letra. Cantada em português, inglês e kikongo, uma das línguas nacionais de Angola, a canção afrobeat junta ainda sonoridades do jazz, funk e soul, bem como diversos ritmos africanos.
Pai de Rafael Leão, atleta do AC Milan e da Seleção Nacional de Futebol, Frank explica a inspiração à NiT: “Temos muitos craques a nível mundial, imensos bons jogadores, mas o Cristiano é um símbolo e um grande exemplo para a juventude que quer entrar no futebol. Mostra como se pode vencer na vida”.
No videoclipe, o cantor visitou a Madeira e teve a oportunidade de passar por vários locais emblemáticos da infância de Ronaldo. Entre eles, filmou no campo onde o atleta treinou, procurou murais onde surge estampado o rosto do capitão português e ainda entrou no Museu CR7, no Funchal.
“É preciso mostrar à juventude o que o torna tão único. O facto de estar onde está mostra uma força de trabalho tremenda, tanto na vida profissional como pessoal. É um exemplo mundial para todos os que querem jogar futebol, quer tenham quatro, oito ou 12 anos”, acrescenta.
Ainda que olhe para o filho como “um grande craque” — “e toda a gente o sabe”, acrescenta — explica que “não podia fazer uma homenagem destas a alguém com 26 anos”. “Ainda não tem história de vida para isso, mas acontecerá, um dia. Também não posso fazer já uma biografia do percurso profissional dele porque ainda é muito cedo.”
Cristiano, por outro lado, conta com uma carreira já longa e continua a entrar em campo aos 40 anos, um marco já raro no futebol profissional. “É um homem de família, entende de negócios e, acima de tudo, um grande exemplo”, frisa.
Um sonho em pausa
Aos 20 anos, Frank, nome artístico de António Leão, já tentava seguir o sonho de seguir carreira artística. O seu sonho era cantar rock, e “todas aquelas músicas americanas”, mas dedicava-se sobretudo ao semba, estilo musical e de dança tradicional de Angola, e ao kizomba.
Apesar do talento, que descobriu sozinho, nunca teve aulas de canto e não chegou a gravar nenhum tema. “Naquela altura, um cantor, se queria fazer alguma coisa como deve ser, não o conseguia fazer lá. Tinha que ir buscar o dinheiro fora.”
Na altura, em 1990, mudou-se para Portugal e foi dividindo o tempo entre trabalhos na restauração e a criação do filho, um dos maiores nomes do futebol europeu. A família instalou-se inicialmente em Almada, mas acabou por se mudar para a Brandoa e, mais tarde, para o Miratejo, onde Rafael Leão cresceu.

A paixão do jovem pelo futebol começou cedo e, aos quatro anos, começou a jogar no Amora Futebol Clube. Aos nove anos, foi chamado para fazer formação no Sporting e a vida do pai foi sendo moldada por estas conquistas do filho, que tem uma carreira paralela como rapper. “Quando começou a mostrar estes dotes, decidi parar de cantar.”
Seguiram-se vários anos a trabalhar como empresário no ramo imobiliário e, mais tarde, passou a ser agente do filho. O sonho da música, esse, ficou em pausa. “Dei prioridade à carreira dele. Se quisesse continuar a cantar, estaria a ser egoísta e ele poderia não ter futuro. Foi uma decisão acertada.”
Vem aí um disco
Após anos de sacrifício, Frank sentiu que estava na altura de juntar os dois mundos, o da arte e do futebol. “Primeiro veio a inspiração, depois escrevi. Já estou a trabalhar nesta canção há cerca de quatro ou cinco meses”, confessa-nos. Seguiu-se o desafio de gravar o tema, o que incluiu encontrar um estúdio.
“Cristiano”, no entanto, não será um single isolado. O plano passa por um álbum, que se chamará “O ÚNICO”, composto por sete faixas. O número de temas não é coincidência: é o número que está gravado na camisola de Cristiano Ronaldo, popularmente conhecido como CR7.
Com lançamento previsto entre maio e junho, não terá apenas homenagens ao atleta ou referências ao mundo de futebol. Frank inspirar-se-á também na terra onde cresceu, na província de Uíge, para contar histórias como uma “sobre uma moça muito linda que entra numa festa e fico a gostar ela”, adianta Frank Leão.
Ambicioso, Frank tem ainda nos seus planos a preparação de um espetáculo solidário, com vários músicos de Portugal ou de Angola, com o objetivo de mostrar “como o Cristiano é, realmente, único”, conclui. “É um dos grandes. Estamos a dar mérito a quem o tem.”

LET'S ROCK







