Música

Crítica: Benjamin Clementine voltou a apaixonar os portugueses

O cantor britânico foi o grande destaque do último dia do Super Bock Super Rock.

O músico já tinha atuado 14 vezes no País.

Existem aquelas bandas e músicos que, por uma razão ou outra, acabam por criar uma relação especial com um país estrangeiro. Em Portugal os James são um dos melhores exemplos disso, mas Benjamin Clementine é outro, e bem mais recente.

O cantor britânico de 29 anos deu este sábado, 21 de julho, na Altice Arena, no Super Bock Super Rock, o seu 15.º concerto no País. A primeira vez que atuou cá foi em 2015, precisamente no festival que nos últimos anos tem acontecido no Parque das Nações, em Lisboa.

Os portugueses estão numa relação amorosa com Clementine e isso viu-se, mais uma vez, nesta atuação — uma das melhores que vimos no festival, em que o som estava em boas condições. Benjamin Clementine voltou a apresentar os temas dos seus únicos dois álbuns, “At Least for Now” e “I Tell a Fly”.

Claro que o concerto não foi tão mágico como no anfiteatro natural de Paredes de Coura, no verão do ano passado, mas o cantor conseguiu encantar o público e fazer da Altice Arena a sua casa — foi o concerto mais composto do último dia de festival, mas também estava longe de estar cheio.

Com a sua presença forte, Clementine domina o palco — que tem instalada uma fila de manequins à sua frente — seja sentado ao piano, seja em pé, com o casaco desabotoado e pés descalços. Canta com uma certeza e saber e tem uma postura de quem realmente já passou por muita coisa aos 29 anos. E vive agora o seu sonho.

benjamin clementine
O músico pediu silêncio para cantar durante a atuação.

Nesta atuação especial, Benjamin Clementine atuou com um conjunto de músicos portugueses de cordas e convidou ainda a fadista Ana Moura para interpretar com ele um tema, “I Won’t Complain”. Apresentou-a ao chamar-lhe “uma das vozes mais bonitas e autênticas”. E ainda brincou que vinha aí Seu Jorge, para depois desfazer a alegria de alguns fãs com um “nos vossos sonhos”, rindo-se.

“Ave Dreamer”, “An Awkward Fish”, “Nemesis”, “London”, “Jupiter” ou “Condolence” foram alguns dos temas ouvidos durante a atuação. E durante uma interpretação acappella, o cantor chegou mesmo a pedir silêncio ao público para se ouvir a sua música. Como gosta de fazer, decidiu encerrar o concerto ao descer até ao público com dois dos músicos que o acompanhavam para cantar “Adios”, partilhando o microfone com vários fãs. “The decision is mine/’Cause the vision is mine”, ouvimos todos durante alguns minutos.

Benjamin Clementine é um daqueles senhores músicos, excelentes cantores e compositores, com uma aura muito própria e intensa, que falam de temas importantes, sabem emocionar e o cantor tem potencial para conquistar tantos outros países além de Portugal. De nós já tem o apoio quase incondicional e o amor parece ser correspondido. O músico inglês despediu-se com a mensagem “Eu vou-me lembrar de Portugal para sempre”, colocada por cima da bandeira nacional, como fundo do seu espetáculo.

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