Música

Demi Lovato revela que foi violada durante gravações na Disney

A cantora e atriz revela que foi com esta agressão que perdeu a sua virgindade.
A cantora confessa tudo

Foi, durante vários anos, uma das estrelas emergentes da Disney. Mas segundo a cantora e atriz, a passagem pelos estúdios foi profundamente traumática e resultou numa violação que só agora, quase uma década depois, decide tornar pública.

A revelação é feita na nova série documental “Demi Lovato: Dancing With the Devil”, na qual detalha os pormenores de uma vida atribulada por incidentes já conhecidos, como a overdose que por pouco lhe tirou a vida; mas também abre a porta a novas confissões.

“Perdi a virgindade numa violação”, revela a artista de 28 anos, que acaba por não oferecer mais detalhes. Sabe-se que terá ocorrido durante a adolescência, quando era uma das estrelas do elenco da Disney e trabalhava em múltiplas produções.

Sem avançar com nomes, recorda que a violação terá tido início num encontro consensual. “Estávamos a curtir mas eu disse ‘isto não vai mais além, sou virgem e não a quero perder desta forma’. Não se importou e avançou. Interiorizei-o e disse a mim própria que a culpa era minha porque ainda assim, entrei na sala com ele, envolvi-me com ele.”

Lovato teve dificuldade até em reconhecer o que lhe teria acontecido. “A rapariguinha sulista e cristã dentro de mim não o via dessa forma, até porque o sexo nunca foi normalizado durante a minha infância ou sequer onde vivia. E sabes que mais? Que se lixe, vou dizê-lo: a minha história #MeToo sou eu a revelar o que me fizeram e que nunca tiveram problemas com isso, nunca foram afastados do filme.”

Apesar de se culpar a si própria, acabaria por confessar a violação a algumas pessoas, que também não quis identificar.

Lovato, que passou pelos estúdios da produtora entre finais dos anos 2000 e início da década de 2010, explica também que o autor do crime nunca foi identificado ou acusado. “Via-o o tempo todo”, confessa, deixando no ar que terá sido um dos seus colegas de elenco.

Lovato recorda a época em que tudo aconteceu, quando ela própria fazia parte do grupo de atores que usavam aquilo a que chamavam “o anel da pureza”, símbolo de que esperariam pelo casamento para ter relações sexuais. O objeto, promovido por organizações católicas e evangélicas, foi promovido por outros artistas da Disney como os irmãos Jonas ou Miley Cyrus.

Usou-o, por exemplo, em 2008, quando se juntou a um elenco com os irmãos Jonas, Meaghan Martin e Alyston Stoner, nas gravações de “Camp Rock” — Lovato tinha apenas 15 anos.

O episódio traumático marcou a atriz que, um mês depois da violação, terá tentado falar com o agressor. “Liguei-lhe um mês depois e tentei fazer a coisa certa, tomar o controlo [da situação], mas isso acabou por fazer-me sentir ainda pior”, diz.

A situação terá provocado um impacto psicológico profundo, que poderá explicar a espiral descendente que levou a atriz e cantora a uma relação perigosa com as drogas. Lovato aborda também o já conhecido episódio da overdose de 2018, quando sofreu três AVC e um ataque cardíaco, depois de tomar heroína e crack combinados com fentanil — um incidente que deixou mazelas físicas e psicológicas. Nessa noite, terá também sido violada pelo seu traficante.

A série documental dividida em quatro partes estreia oficialmente a 23 de março nos Estados Unidos e aborda igualmente os distúrbios alimentares de que sofreu, o falso diagnóstico de bipolaridade, os vícios e o turbulento noivado que acabaria por ser desfeito durante o confinamento.

A relação com as drogas é um dos temas centrais. Terá começado cedo, durante a adolescência, e deu origem a inúmeros problemas familiares. Acabaria por se tornar numa voz pública pela sobriedade e saúde mental, algo que a atormentava, até porque continuava a consumir nos bastidores.

Num dos episódios do documentário, são reveladas imagens de Lovato a ser congratulada pelos seis anos de sobriedade. Na cena seguinte, está de garrafa de vinho na mão e a pedir que lhe tragam drogas.

Num dos momentos relatados, a artista atirou-se às substâncias como “se fosse uma maratona de compras”: consumiu metanfetaminas pela primeira vez, em simultâneo com cocaína, marijuana, álcool e opiáceos. “Só isso podia ter-me matado”, confessa. Três meses depois estaria no hospital em risco de morrer.

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