Música

Divórcios, mortes e tentativas de suicídio: as vidas das mulheres vocalistas dos ABBA

Agnetha Fältskog e Frida Lyngstad são as vozes de um dos grupos mais famosos de sempre. Em 2021, estão de volta com os ex-maridos.
Cantaram "Waterloo" e "Mamma Mia".

Poucos artistas se podem gabar de ter músicas que são reconhecidas por pessoas dos 10 aos 70 anos. Ainda menos são aqueles que conseguem alcançar este feito sem qualquer ligação à indústria musical norte-americana ou britânica. Pois bem, as canções dos ABBA — o grupo sueco que se tornou um fenómeno mundial depois de vencer a Eurovisão em 1974, com “Waterloo” — continuam a ser cantadas por todas as gerações. Incluindo os miúdos de hoje em dia: temas como “Chiquitita” e “Dancing Queen” tornaram-se novamente virais na era do TikTok.

Outro meio que trouxe as músicas dos ABBA de novo para as várias plataformas foram os filmes “Mamma Mia”, onde os momentos musicais são interpretados pelas vozes de super estrelas como Meryl Streep, Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Colin Firth, entre outros.

Após uma pausa de 39 anos, os ABBA voltaram — embora, na verdade, nunca se tenham ido embora —, com duas novas músicas: “I Still Have Faith In You” e “Don’t Shut Me Down” e o anúncio de um novo espetáculo com recurso a avatares dos membros. Os quatro membros prometeram também que vão apresentar um novo álbum com dez faixas inéditas.

Durante os 39 anos de pausa, os homens Björn Ulvaeus e Benny Andersson seguiram carreiras relacionadas com a música, visto que ambos assinaram o musical “Mamma Mia” que estreou na prestigiosa West End em 1999. Tiveram também pequeníssimos papéis nos filmes do mesmo nome. Já as mulheres Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad percorreram um caminho mais atribulado até ao reencontro do grupo em 2021.

Da esquerda para a direita: Benny, Anni-Frid, Agnetha e Björn.

Agnetha Fältskog: Casamentos falhados, suicídio e stalkers

Agnetha Fältskog era a loira de olhos azuis dos ABBA. Para muitos, era também a estrela do grupo sueco. Conheceu Björn Ulvaeus por mero acaso num café quando tinha 19 anos. Um ano depois, em 1971, estavam casados. Eram metade dos ABBA e um dos casais que constituía o grupo. Estiveram casados durante nove anos e tiveram dois filhos, Linda Elin Ulvaeus, que tem agora 48 anos, e Peter Christian Ulvaeus, agora com 43 anos.

O casal separou-se em 1980. Na altura, criavam-se teorias que os membros dos ABBA não eram mesmo dois casais, sendo apenas uma estratégia de marketing. A verdade é que eram apenas rumores, e foram as próprias relações que levaram ao fim do grupo, visto que, embora tivessem tentado, já não tinham prazer em gravar novas músicas depois dos divórcios.

Embora difícil, o divórcio de Fältskog e Ulvaeus deu ao grupo um dos seus maiores sucessos: “The Winner Takes It All”, uma música que fala da separação entre o casal, e que acabou também por exprimir o que os quatro membros do grupo sentiam.

“Foi fantástico fazer aquela música, porque eu podia-me colocar naquele sentimento. Não me importei em partilhar aquilo com o público, não parecia errado”, explicou a cantora ao “Daily Mail”.

Enquanto ainda estavam nos ABBA, tanto Agnetha como Björn iam descrevendo o divórcio como “amigável”, o que não passava de uma mentira contada aos meios de comunicação social: “Sempre dissemos que era um ‘divórcio feliz’, o que era obviamente uma fachada. Todos sabemos que não existem divórcios felizes, especialmente quando há crianças envolvidas. Além disso, o nosso estava sobre o olhar dos média”, confessa a cantora em “As I Am: ABBA Before & Beyond”, a sua biografia publicada em 1997.

Em 1990, a artista casou-se com Tomas Sonnenfeld, um cirurgião. A relação de ambos foi mantida em segredo até ao seu divórcio em 1993. Quatro anos depois, em 1997, Agnetha apaixona-se por Gert van der Graaf, um stalker que a perseguia desde 1995 e que chegava até a aparecer na sua casa. “Era uma atenção muito intensa da parte dela, e passado um tempo, eu já não conseguia resistir”, disse Agnetha. Foram um casal durante dois anos e em 2000 a vocalista dos ABBA já procurava obter uma ordem de restrição contra o ex-namorado, que, devido ao incumprimento do mandato, acabou por ser deportado da Suécia para a Alemanha, mas continuava a voltar à casa de Agnetha. Em 2006, foi preso a poucos metros do seu quintal.

Não foram só as relações amorosas de Fältskog que a marcaram. Em 1994, Birgit Fältskog, a mãe da cantora, suicidou-se ao atirar-se da janela do sexto andar do apartamento que partilhava com o marido. Foi aqui que ocorreu um ponto de viragem para a artista, que nunca mais voltou a ser a mesma: “A Agnetha estava devastada. Foi-lhe difícil seguir em frente. Não conseguia acreditar que a sua mãe faria uma coisa assim. Isso assustou-a e fez com que se sentisse completamente sozinha no mundo”, revelou um amigo. Cerca de 12 meses depois, também o pai de Agnetha acabou por falecer.

Um ano antes, em 1983, a estrela de “SOS” passou por outra tragédia, desta vez pondo em perigo a própria vida. Ao capotar o carro, Agnetha foi cuspida de dentro do veículo. “Eu devo ter um anjo da guarda a vigiar-me visto que tenho tido tanta má sorte mas mesmo assim sobrevivo. Mas é bom para enfrentar os meus medos”, disse a cantora ao “The Sun”.

Agnetha em 2013.

Agnetha Fältskog fez uma pausa na sua carreira musical durante 17 anos, mas quando voltou foi recebida de braços abertos tanto pelos fãs, como os críticos. “My Colouring Book”, lançado em 2004, marcou o seu regresso à cena musical. Em 2013, atuou pela primeira vez ao vivo em 25 anos, num evento de angariação de fundos para crianças. Nesse mesmo ano, lançou “A”, um novo álbum de originais. “‘A’ é um triunfante regresso de uma mulher que achavam estar perdida na música para sempre. E agora que ela voltou, uma reunião dos ABBA já não parece impossível”, escreveu Will Hodgkinson, do “The Times Of London”. O regresso de que falou aconteceu oito anos mais tarde.

Anni-Frid Lyngstad: Da morte da filha ao título de Princesa

Anni-Frid, mais conhecida como Frida, era sempre comparada à sua parceira musical, por isso acabavam por desvalorizar as suas qualidades naturais. Embora não tivesse um destaque tão grande quanto Fältskog, Frida foi a voz destacada em alguns dos maiores êxitos dos ABBA, como “Fernando” e “Super Trouper”, aquela música que torna irresístivel não mexer pelo menos o pé. O seu marido era Benny Andersson, claro, o outro membro masculino do grupo.

Ambos se conheceram graças à música. Em 1969, Frida atuou num número de cabaré em Malmö, uma aldeia no sul da Suécia. Foi nessa mesma atuação que conheceu Benny. Dois anos depois já viviam juntos e partilhavam uma vida. Ao contrário dos seus parceiros de banda, não se casaram imediatamente. Na verdade, o casal ficou noivo em 1971, mas demoraram sete anos até serem oficialmente marido e mulher. A espera foi maior do que o casamento, que, tal como aconteceu com Agnetha e Björn, acabou em 1980.

12 anos mais tarde, em 1992, Anni-Frid Lyngstad recebeu o título de Princesa, ao casar-se com o Príncipe Heinrich Ruzzo de Reuss, Conde de Plauen. A relação de ambos sempre foi bastante secreta, mas sabe-se que começaram a namorar em 1982 e que viviam numa castelo na Suíça. O casamento de ambos acabou uns anos mais tarde, em 1999, quando Heinrich Ruzzo morreu com um linfoma. Frida mantém o título de Princesa e herdou também 75 milhões de libras (aproximadamente 87 milhões de euros).

No ano antes de perder o marido, Frida Lyngstad perdeu a filha. A 13 de janeiro de 1998, Ann Lise-Lotte Fredriksson Casper, a filha de 30 anos de Frida, conduzia por Livonia, em Nova Iorque, quando teve um acidente de carro. Acabou por morrer devido às feridas profundas feitas no choque.

A cantora não se afastou por completo das ribalta, ao contrário da sua parceira de grupo. Em 2010, por exemplo, lançou um novo single “Morning Has Broken”, cuja sonoridade é idêntica àquela das músicas dos ABBA. No ano seguinte, participou numa peça de teatro na rádio, criada pela BBC. Mais recentemente, em 2018, lançou a sua própria versão de “Andante, Andante”, com o trompetista Arturo Sandoval.

“Voyage”, o novo álbum dos ABBA, será lançado a 5 de novembro de 2021. 39 anos depois do seu último projeto.

Frida no lançamento de “Mamma Mia”.

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