Música

Dor, dança e catarse: a missa magistral de Nick Cave no MEO Kalorama

O músico australiano regressou a Portugal para um concerto impactante no palco principal do Parque da Bela Vista.
É um íman vivo.

Três meses depois de atuar no Primavera Sound, no Porto, Nick Cave e os seus The Bad Seeds rumaram a Lisboa para um espetáculo magistral no MEO Kalorama. Todos os que conhecem a obra do músico australiano, e porventura já o viram ao vivo, sabem que cada concerto é um momento especial. E logo este, que marcou o fim da sua digressão.

Foram mais de duas horas de uma autêntica missa, enquanto Nick Cave ia caminhando junto do público — numa plataforma montada de propósito para o efeito, algo que o artista faz sempre questão de ter nos seus concertos —, pregando a mensagem bem junto dos fiéis, entrelaçando as suas mãos nas deles, encostando-se aos seus corpos.

Nick Cave é um músico verdadeiramente singular. A sua arte é inspirada pelo antigo blues, pela cultura punk, pela religião cristã. É profundamente espiritual, complexo, e tem construído um legado rico. As suas letras contam histórias, por vezes mais transparentes, noutros casos mais abstratas. A morte e a vida, os grandes conceitos da humanidade, cruzam-se com versos que retratam detalhes bem mais corriqueiros.

Ao vivo, destaca-se pela figura espadaúda, sempre vestida com um impecável blazer escuro, de pele pálida e cabelos negros. Uma penumbra paira sobre a sua existência, e o luto por que tem passado graças à morte de dois dos seus filhos é palpável. Por todas estas razões e mais algumas, trata-se de um frontman carismático que prende todas as atenções e é um verdadeiro íman.

“From Her to Eternity”, “Jubilee Street”, “Bright Horses”, “I Need You”, “Tupelo”, “Higgs Boson Blues” ou “City of Refuge” foram algumas das canções que apresentou. Bem-disposto, dedicou ainda “O Children” a uma das fãs na fila da frente, Paula. “É o seu aniversário, foda-se, esta é para a Paula!”. 

“Red Right Hand” causou burburinho entre os muitos fãs da série “Peaky Blinders” — e que porventura não tivessem ido ao MEO Kalorama de propósito para assistir à performance de Nick Cave. “The Mercy Seat” e “Into My Arms” (já no encore) foram outros dos momentos mais grandiosos da noite. No meio da dor, da fé e dos traumas que o atormentam, Nick Cave voltou a ser feliz em palcos portugueses.

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