Música

“É a Rússia que deveria passar por uma desnazificação”, diz líder das Pussy Riot

Maria Alyokhina, sentenciada a 21 dias de prisão, escapou do país disfarçada de estafeta de entrega de comida.
Tem 30 anos.

Maria Alyokhina, membro das Pussy Riot, foi declarada fugitiva pelo Ministério do Interior da Rússia a 26 de abril. As autoridades do país liderado por Vladimir Putin colocaram a artista na lista dos procurados depois desta não aparecer para cumprir a pena de prisão de 21 dias. Em solo alemão, depois de ter atravessado as fronteiras russas disfarçada de estafeta de entrega de comida, a ativista afirmou, à Reuters, que é a Rússia que precisa ser desnazificada.

Na sequência de um ensaio para um espetáculo da banda feminista, que acontece nesta quinta-feira, 12 de maio, em Berlim, Alyokhina começou por dizer que os russos precisam de pensar cuidadosamente sobre a guerra. “Não tenho ideia de qual será o fim dessa reflexão, mas sem isso, o país não tem o direito de existir — como a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial”.

Acrescentou: “É a Rússia que deveria passar por uma desnazificação, não a Ucrânia”. Vale lembrar que a Rússia descreve a sua atuação na Ucrânia, não como uma invasão, mas como uma “operação especial” que tem por objetivo desarmar a nação e protegê-la dos fascistas.

A cantora considerou ainda que deve haver um julgamento contra Putin, generais e líderes do Exército. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, recusou comentar as declarações.

A mesma reportagem dá conta que, para escapar, Alyokhina vestiu o uniforme de uma entregadora, que a namorada comprou online, e saiu pela porta dos fundos do prédio em que estava, iludindo a polícia russa do lado de fora. Para trás ficou o telemóvel, numa tentativa de evitar ser detetada pelas autoridades. 

Em entrevista ao “The New York Times”, Masha, como também é conhecida, contou que um amigo a levou até à fronteira com a Bielorrússia. Uma semana depois, conseguiu chegar à Lituânia, membro da União Europeia.

Com o concerto na capital alemã, as Pussy Riot iniciam uma digressão que tem por objetivo arrecadar dinheiro para a Ucrânia. Espera-se que atuem na Casa da Música (Porto) e no Capitólio (Lisboa), nos dias 8 e 9 de junho, nesta ordem.

Foi há dez anos, em 2012, que o grupo composto apenas por mulheres ficou conhecido em todo o mundo, ao realizar um dos seus atos artísticos de ativismo político na catedral de Moscovo, em protesto contra o regime de Putin. Algumas das artistas foram detidas e cumpriram penas de quase dois anos de prisão.

Em fevereiro, Nadya Tolokonnikova, outro membro da banda de punk rock, disse que o presidente russo “é um perigoso ditador que tem de ser travado” e que espera que morra em breve.

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