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Adeus Kremlin, olá Santuário: a nova discoteca que promete revolucionar Lisboa

Foi inaugurado em 1988 e, no verão, soube-se que tinha encerrado para obras. O velho espaço não volta, mas abre lugar a mais um templo dedicado à música.

Filipe Martins, conhecido na pista como Dub Tiger, passou anos a absorver os hábitos e virtudes da noite de outros países, entre cabines de DJ e pistas iluminadas. Miami, Mykonos e outros destinos festivos moldaram-lhe o olhar e despertaram a ambição de trazer para Lisboa um espaço que ainda não existia. A 18 de dezembro, essa ideia deixa de ser apenas um exercício de imaginação e ganha corpo no Santuário, o novo projeto instalado no antigo Kremlin, que promete, nas palavras do próprio, “revolucionar” a noite da capital.

O Kremlin abriu portas em 1988 e encerrou a 12 de setembro deste ano. Para o empresário e artista, esse fecho acabou por se transformar numa oportunidade para avançar com um conceito que já estava a ser preparado. “Tínhamos de fazer obras de isolamento acústico para voltarmos a abrir. Entre fechar para essas obras e a decisão de retomar o novo projeto, que já vinha a ser pensado, uma coisa levou à outra”, explica à NiT.

O nome escolhido para o espaço não é aleatório e reflete a identidade que pretende criar. “Acaba por ter alguma ligação com a história da casa porque o Kremlin foi construído em cima de um convento.” Ao mesmo tempo, encaixa no universo visual que tem vindo a desenvolver, inspirado nos ambientes das discotecas internacionais.

A convicção de que Lisboa precisava de algo novo acompanha Filipe Martins há vários anos. Agora, acredita que o Santuário será “um espaço influenciado por diferentes culturas e atmosferas”, resultado das viagens que fez enquanto artista. A proposta vai além do conceito tradicional de discoteca e assume-se como “um ecossistema”, onde convivem música, arte e gastronomia. Estão previstos after works, eventos corporativos, menus de degustação assinados por chefs conceituados, provas de vinho e tertúlias.

Ainda assim, o foco principal mantém-se na vertente de clube noturno. À semelhança do conceito original, a música em destaque será a eletrónica, que descreve como “a nova música comercial no mundo inteiro”. O alinhamento passa por house, tech house e afro house, estilos que dialogam com a estética do espaço.

“A tecnologia é diferente porque estamos a preparar um espaço mais orgânico. As luzes vão mudar bastante porque estamos a falar de um ambiente mais orgânico e não tão tecnológico”, acrescenta.

 
 
 
 
 
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A decoração aposta em pedra, esculturas, vegetação e elementos táteis, criando uma sensação de intimidade que contrasta com o futurismo habitual. Um dos espaços em destaque é o Éden, a nova área VIP, pensada como um refúgio dentro da discoteca. “Vai ser quase como estarmos numa sala de estar, com sofás e tapetes. Uma aura única para juntar um pouco de todos os sítios por onde já passei.”

A renovação foi profunda e representou um investimento elevado. As obras ultrapassaram os 50 mil euros e incluíram o isolamento de todas as zonas críticas que tinham levado ao encerramento do Kremlin, desde apoios antivibrações nas colunas até às casas de banho que partilhavam parede com o prédio vizinho, que já tinha feito várias queixas no passado – como a NiT revelou na altura, os moradores queixavam-se de não conseguirem sequer ter relações sexuais devido ao ruído. Filipe Martins garante que o espaço está agora “à prova de som”.

Quanto ao público, a visão assenta na transformação global da vida noturna. O artista defende que as pessoas procuram experiências que vão além do modelo tradicional de discoteca. “A meu ver, as discotecas não estão a atualizar-se face a esta situação. É aqui que entra o Santuário. Estamos a fazer um refresh e uma atualização daquilo que achamos que é a necessidade das pessoas hoje em dia”, afirma.

A ambição passa por envolver quem entra desde o impacto visual até à forma como o espaço é vivido. O objetivo é claro: “que ir ao Santuário não seja mais uma noite, mas uma experiência completa”.

Sobre a noite de estreia, marcada para 18 de dezembro, uma quinta-feira, Filipe Martins prefere manter algum mistério. “Vão ser bastante surpreendidos. Só quando entrarem é que vão conseguir perceber. Tem de ser vivido”, garante. E acrescenta: “Não querendo ser otimista nem presunçoso, não existe oferta como a que vamos apresentar a nível de discoteca. Queremos revolucionar e queremos ser inéditos naquilo que é a oferta desta experiência.”

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Escadinhas da Praia 5
    1200-869 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Sextas, sábados e vésperas de feriado das 23h às 6h

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