Eram 21h50 quando o Coliseu Porto Ageas mergulhou finalmente na penumbra. As luzes se apagaram e a expectativa deu lugar ao silêncio, interrompido apenas pelos primeiros acordes de guitarra. O palco, envolto em tons de azul e com a banda em contraluz, deixava MARO no centro de um foco fechado. A voz surgiu baixa, quase em sussurro, e durante alguns instantes pareceu reduzir uma sala cheia a algo íntimo, quase individual.
Mariana Secca, mais conhecida como MARO, tem feito um percurso raro entre a delicadeza e a projeção internacional. Formada na Berklee College of Music, em Boston, mudou-se depois para Los Angeles, onde lançou vários discos de forma independente. Em Portugal, ganhou maior reconhecimento ao vencer o Festival da Canção em 2022 com “saudade, saudade”, alcançando o nono lugar na Eurovisão. Seguiu-se “hortelã”, em 2023, e agora “SO MUCH HAS CHANGED”, um disco mais introspectivo, que marca uma nova fase pessoal e artística.
Foi esse novo capítulo que apresentou no Porto e desde cedo ficou claro que não seria um concerto comum. Depois da abertura com “when mama used to sing” e “I Owe It To You”, o público respondeu em coro, num dos primeiros momentos de comunhão da noite. “Boa noite, Porto”, disse, visivelmente emocionada, assumindo estar a viver um sonho naquela sala cheia.

MARO veio acompanhada de Manuel Rocha na guitarra, Gabriel Altério na bateria, Pedro Altério no baixo e Tommaso Taddonio nas teclas, uma formação coesa que reforçou o lado orgânico do espetáculo. Em temas como “So Much Has Changed”, “kiss me”, “IT AIN’T OVER” ou “just wanna forget you”, a energia foi crescendo, sem nunca perder o tom intimista que marcou toda a noite.
Visualmente, o concerto manteve-se simples: um fundo que lembrava um pôr do sol em constante mutação, entre azuis, laranjas, vermelhos e roxos, e um jogo de luz que ora colocava o foco total na artista, ora revelava a plateia. E foi nesses momentos que se percebia melhor quem estava ali: várias gerações lado a lado, filhos, pais, avós, famílias inteiras e até telemóveis levantados em videochamada para quem não pôde estar presente.
Esse ambiente ganhou ainda mais força quando MARO desceu do palco e se aproximou do público, pedindo aplausos, encurtando distâncias e tornando o concerto ainda mais próximo.
Um dos momentos mais fortes chegou com “saudade, saudade”, dedicado ao avô Mário, natural do Porto, e recebido com um silêncio atento antes de nova ovação. No entanto, o grande protagonista da noite foi o ambiente: um concerto sem artifício, assente na voz, na escrita e na capacidade de envolver uma sala inteira.
Veja em baixo a setlist completa do concerto:
– “when mama used to sing”
– “I OWE IT TO YOU”
– “So much has changed”
– “kiss me”
– “IT AIN’T OVER”
– “just wanna forget you”
– “Lifeline”
– “chiquitinha”
– “We could be”
– “I KNOW YOU KNOW”
– “DROWN”
– “can you see me?”
– “oxalá”
– “há-de sarar”
– “Come into my arms”
– “Saudade, saudade”
– “love’s not to beg”
– “2 YEARS”
– “I SEE IT COMING”
– “FEELING SO NICE”
– “TO GRIEVE YOU”
– “We’ve Been Loving in Silence”
Carregue na galeria para reviver os melhores momentos do concerto da MARO no Coliseu do Porto.







