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Estes são os 19 discos mais aguardados de 2023

O cronista musical da NiT, Nuno Bento, partilha as suas escolhas dos álbuns mais desejados do novo ano.
Lana Del Rey trará um dds álbuns mais esperados de 2023

Agora que fechámos o livro de 2022, é tempo de olharmos para o futuro. Este novo ano irá trazer uma miríade de discos novos e há muito para receber ao longo dos próximos dias e meses, começando já esta sexta-feira, que conta com um regresso chave (já lá vamos).

Como seria de esperar, o lote dos álbuns mais aguardados de 2023 está mais pesado no início do que no fim. Já temos uma ideia do que esperar para janeiro e fevereiro, mas a partir de março em diante, as coisas começam a ficar mais complicadas. Correm alguns rumores e indicações, e há datas ao vivo que nos podem servir de guia. Vamos a isto, começando pelo início e seguindo por ordem cronológica.

Iggy Pop — “Every Loser” (6 de Janeiro)
O ano começa com o muito esperado regresso do padrinho do Punk. Iggy Pop, que aos 75 anos continua a sofrer daquela condição médica de ter que estar sempre em tronco nu, vai lançar o seu décimo nono álbum a solo, “Every Loser”, hoje, 6 de Janeiro. É o primeiro disco desde o apagado “Free”, de 2019, e as faixas de avanço “Frenzy” e “Strung Out Johnny” prometem um salto qualitativo significativo. Iggy conta com participações especiais de peso, como Duff McKagan, baixista dos Guns N’ Roses, ou Chad Smith, baterista dos Red Hot Chili Peppers. A ideia há 10 anos era fazer do (brilhante) “Post Pop Depression” o seu último álbum, mas ainda bem que Iggy continua o mesmo não conformado em tronco nu de sempre.

Gaz Coombes — “Turn The Car” (13 Janeiro)
Gaz Coombes é o vocalista dos Supergrass e tão underrated como a banda que lidera. Gaz regressa já para a semana, 13 de Janeiro, com “Turn The Car”, o sucessor de “World’s Strongest Man”, de 2018. Os singles de avanço “Don’t Say It’s Over” e “Long Live The Strange” são absolutamente brilhantes, por isso as apostas estão altíssimas para este disco. Estejam atentos aos novos lançamentos no Spotify.

Circa Waves — “Never Going Under” (13 Janeiro)
Os Circa Waves regressam também dia 13 de Janeiro, com o seu quinto álbum, “Never Going Under”, que sucede ao duplo “Sad Happy” de 2020. Os tempos de ouvir um álbum inteiro no dia de lançamento já lá vão e como tal, já ouvimos 4 faixas de avanço do novo disco: “Living In The Grey”, “Carry You Home”, “Do You Wanna Talk” e “Hell On Earth”.  Espero que o novo disco da banda de Liverpool seja mais como o sombrio “Living In The Grey”, e menos como o tonto “Do You Wanna Talk”.

We Are Scientists — “Lobes” (20 Janeiro)
Odiados pela crítica americana, mas com uma fanbase significativa no Reino Unido, os We Are Scientists são praticamente desconhecidos em Portugal, apesar de já andarem nisto há mais de 20 anos. O trio californiano volta a 20 de Janeiro para o seu oitavo (!) álbum “Lobes” e, se ouvirem o contagiante single de avanço “Less From You”, perceberão que o disco pode trazer mais que uns meros LCD Soundsystem de marca branca. Ou não.

The Smashing Pumpkins — “Atum: Act Two” (27 Janeiro)
Billy Corgan, o que dizer? Sempre um pastiche de si próprio, Billy decidiu agora fazer uma trilogia de álbuns que perfazem uma Ópera Rock, a que chamou “Atum” (leia-se “Autumn”, mas em português tem mais piada). Estas coisas não se inventam. O primeiro acto desta Ópera Rock foi desvendado a 14 de Novembro do ano passado, a 27 de Janeiro chega o segundo, e o terceiro chega em Abril. Dito isto, o single de avanço “Beguiled” é das melhores faixas dos Smashing Pumpkins que eu ouvi nos últimos 20 anos, desde “Machina II”. Por outro lado, sinto que já disse isto sobre outros temas da banda americana neste período. Pelo menos estão a melhorar.

Ryan Adams – “(What’s The Story) Morning Glory?” (Janeiro?)
Ryan Adams tem vindo, quase diariamente, a revelar faixa a faixa as suas versões do icónico disco dos Oasis “(What’s The Story) Morning Glory?” — um dos álbuns mais vendidos de sempre no Reino Unido e um marco indelével na cultura popular britânica nos anos 90. Não há data de lançamento para este projecto, mas tendo em conta que Ryan tem lançado uma média de quase um disco por mês no seu site, em ligação directa com os seus fãs, eu aposto que vamos ouvir notícias nas próximas semanas.

Yo La Tengo — “This Stupid World” (10 de Fevereiro)
Formados em 1984, os Yo La Tengo já levam muitos anos e muitos álbuns no seu currículo. “This Stupid World” é o décimo sétimo da banda de New Jersey e foi totalmente produzido pela própria banda. O disco sai a 10 de Feveveiro, sucedendo ao experimentalista “We Have Amnesia Sometimes”, de 2020. O single de avanço, “Fallout”, dá excelentes indicações para o que pode trazer este álbum.

Orbital — “Optical Delusion” (17 Fevereiro)
Os Orbital são uma relíquia dos anos 90 e, como a maioria delas, separaram-se algures nos anos 00 e regressaram uns anos mais tarde para a vaga revivalista (que agora já está a chegar aos próprios 00). Dito isto, “Optical Delusion” promete ser muito mais que um mero exercício de revivalismo. O primeiro single “Dirty Rat”, em colaboração com os Sleaford Mods, é das faixas mais entusiasmantes que ouvi nos últimos meses, por isso atentem no regresso dos Orbital, que podem voltar a invadir as pistas de dança em 2023.

Shame — “Food For Worms” (24 de Fevereiro)
Acompanho os Shame desde o início e posso dizer que fui um dos primeiros a comprar o seu disco de estreia “Songs Of Praise”, na bancada de merchandising de um concerto muito transpirado no Electric Ballroom em Camden, estávamos em 2018. O tempo passa a correr e aqui estamos já para o terceiro álbum “Food For Worms”, a chegar dia 24 de Fevereiro. O single de avanço “Fingers Of Steel” revela que os rapazes de Brixton mantêm a mesma fúria, mas o som desta feita vem mais polido.

Gorillaz — “Cracker Island” (24 Fevereiro)
Estes dispensam apresentação. Depois de um concerto no Porto em 2022 que converteu muitos cépticos à banda de desenhos animados de Damon Albarn e Jamie Hewlett, os Gorillaz regressam aos discos dia 24 de Fevereiro para o seu oitavo álbum “Cracker Island”. Damon é neste momento um dos artistas mais bem conectados da indústria, por isso não é de admirar o desfile de estrelas na folha de créditos do álbum, incluindo os Tame Impala, Bootie Brown e Thundercat. Já pudemos ouvir os singles “Cracker Island”, “Baby Queen” e “New Gold”, sendo este último, com os Tame Impala, o tema mais forte até ao momento. E não esquecer que ainda teremos o regresso aos palcos dos blur em 2023.

The Lathums — “From Nothing To A Little Bit More” (24 Fevereiro)
O nono álbum dos The Lathums, “From Nothing To A Little Bit More”, chega também a 24 de Fevereiro, sucedendo a “How Beautiful Life Can Be”, de 2021. O vibrante single de avanço, “Say My Name”, faz com o novo disco da banda de Wigan seja uma das minhas apostas para 2023.

Lana Del Rey — “Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd” (10 Março)
A maravilhosa Lana Del Rey regressa a 10 de Março com o seu nono álbum, “Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd”, sucessor de “Blue Bannisters” de 2021. O excelente tema-título saiu em Setembro passado e só nos dá indicações positivas para o que eu espero que seja um dos álbuns do ano.

A Certain Ratio — “1982” (31 Março)
Os veteranos de Manchester já andam nisto desde 1977, e apesar de manterem sempre uma base de seguidores sólida, parece que andam sempre escondidos das luzes, sempre nos bastidores da indústria. E nisto têm um novo álbum, “1982”, que será com certeza um dos mistérios do ano.

Metallica — “72 Seasons” (14 Abril)
Não há banda que trate melhor os seus fãs, que os Metallica. Anunciado em Novembro passado, com data para 14 de Abril, o décimo primeiro álbum da banda de São Francisco, “72 Seasons”, vai chegar com uma mega digressão já projectada para 2024. Os velhotes não enganam, vão ser os novos Rolling Stones.

Noel Gallagher’s High Flying Birds — “Council Skies” (Maio)
Ainda sem anúncio oficial, o novo disco de Noel Gallagher já aparece na Amazon com data marcada para Maio, mês do 55º aniversário do Chefe. Noel já anunciou que o álbum vai ser uma “homenagem a Manchester”, o que pode significar muita coisa. O single de avanço, “Pretty Boy”, com guitarras de Johnny Marr (Manchester!) indica que Noel mantém-se no seu território familiar nos últimos anos, mais virado para o beat do que para o refrão orelhudo. Ainda bem. Ia detestar ver o Noel tornar-se num pastiche de si mesmo.

Depeche Mode — “Memento Mori” (Maio?)
Depois da morte do membro fundador, Andy Fletcher, em Maio passado, os membros sobreviventes dos Depeche Mode, Dave Gahan e Martin Gore, anunciaram ao mundo a vontade de continuar e um regresso ao estúdio para trabalhar em material original. Ainda não há música nova, mas já está uma digressão marcada, com o nome de Memento Mori, a revelar o nome do novo álbum. A digressão começa em Maio, por isso devemos ouvir mais detalhes do novo disco até lá.

Peter Gabriel — “i/o” (Maio?)
O cantor chocou os seus (já descrentes) fãs quando anunciou o regresso aos palco no fim do ano passado, numa digressão para promover um novo disco, intitulado de “i/o”. O último álbum do ex vocalista dos Genesis, “Up”, já data de 2002, há 20 anos portanto. Os bilhetes começaram a ser vendidos (eu já tenho o meu), mas notícias do álbum é que nada. Tendo em conta que a tour começa em Maio, presumo que, até lá, vamos ter o álbum nas mãos. Desde a meia noite de hoje, que já podem ouvir o  primeiro single no Spotify, “Panopticom”, e não desaponta.

Morrissey — “Bonfire Of Teenagers” (?)
Originalmente alinhado para lançamento em Fevereiro deste ano, o décimo quarto álbum a solo de Morrissey, “Bonfire Of Teenagers”, pode nunca ver a luz do dia. O disco foi descrito pelo vocalista dos The Smiths como o melhor da sua carreira e se é difícil fazer fé no que sai da boca do mancuniano nestes últimos anos, o maravilhoso primeiro single “Rebels Without Applause” (com um riff a fazer lembrar “This Charming Man”) indica que é possível que ele não esteja assim tão longe da verdade. Se nos faz lembrar The Smiths, só pode ser bom. A verdadeira constelação de participações neste disco (Chad Smith, Flea, Josh Klinghoffer, Iggy Pop, Miley Cyrus) também adivinha que podemos estar na presença de algo especial. O problema é que (e com o Stephen parece haver sempre um problema) a Capitol Records deixou Morrissey e por isso o álbum não tem uma editora para o seu lançamento. Teremos então que esperar que Morrissey resolva este imbróglio para finalmente poder ouvir “Bonfire Of Teenagers”, o autoproclamado melhor álbum de sempre de Morrissey.

The Cure — “Songs Of A Lost World” (?)
Sem data de lançamento, o décimo quarto álbum dos The Cure já tem nome, “Songs Of A Lost World”, e está previsto para este ano. É o primeiro disco da banda de Robert Smith desde “4:13 Dream”, de 2008.

Podem ouvir tudo o que está em cima e mais ainda na playlist que se segue, uma lista mais exaustiva dos lançamentos deste ano, também ordenada cronologicamente.

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