Quando era pequeno, Filipe Pereira não adormecia com canções de embalar, mas com “Everytime”, de Britney Spears. Agora com 23 anos, ri-se ao recordar essa rotina que “resultava sempre”, mas sabe que foi ali que começou a paixão pela música. A relação fortaleceu-se e, este domingo, foi um dos escolhidos para ir às galas em direto do “The Voice Portugal”.
Licenciado em Gestão pelo ISEG desde 2024, Filipe trabalha numa agência de marketing e comunicação como gestor de redes sociais. “Faço a gestão de clientes, de campanhas, muito trabalho associado às redes”, explica. O objetivo, naturalmente, passa por viver apenas e só da música, isto apesar de, ainda em criança, ter sonhado ser pediatra.
“Tinha 12 anos e gostava muito da área da medicina. Tinha familiares na área, então dizia que queria ser igual.” Ao mesmo tempo, o teatro entrou de forma natural na sua vida. Começou aos 13 anos e tornou-se numa das suas atividades favoritas. “O teatro sempre foi muito importante para mim. Permitiu-me explorar lados meus que eu nem sabia que tinha.”
A ligação à música desenvolveu-se ainda mais graças à tia, com quem sempre teve uma relação especial. “Ela cantava muito em casa da minha avó paterna. Eu estava sempre lá e aquilo foi-me puxando”, recorda. Entre as cantorias da tia, as noites embaladas por Britney Spears e a vontade natural de cantar, Filipe percebeu que havia ali algo mais. “Foi um acumular de situações que me fez olhar para a música com outros olhos.”
Cresceu a ouvir Adele, por influência do pai, e muita pop, como Lady Gaga, Katy Perry e tudo o que passava nas rádios. Hoje, o seu universo musical é mais vasto e inclui Billie Eilish — a maior inspiração do cantor —, pop-rock, indie, hip hop português e nomes como Tame Impala, Imagine Dragons, Slow J, Marisa Liz e Carolina Deslandes.
Aos 16 anos começou a publicar covers nas redes sociais e despertou a atenção de algumas pessoas, mas foi em 2020, com 18 anos, que tudo mudou. “Fui ao ‘The Voice’ pela primeira vez e essa experiência foi o meu ponto de viragem. Foi aí que percebi que era aquilo que queria.” Na altura chegou até às Batalhas, mas a marca ficou. “Entre 2020 e 2025 comecei a investir muito mais em mim como artista, a definir a minha identidade, a lançar canções, a garantir que isto é o que quero fazer para o resto da vida. Faz-me feliz e completo.”
Também começou a tocar guitarra, ou pelo menos a tentar. Embora admita que não é o melhor, sabe que é uma ferramenta que o ajuda a escrever as melodias das suas canções. “Também sempre gostei muito de versões só de guitarra e voz.”
Voltar ao “The Voice” este ano não foi um impulso, mas uma decisão estratégica e emocional. Está a preparar o seu primeiro EP e queria mostrar ao público aquilo que se tornou. “Senti que era uma boa forma de mostrar a minha evolução. Toda a gente sabe que o ‘The Voice’ dá muita exposição.” Outro objetivo era provar a si mesmo que conseguia ir mais longe — e já o fez, visto que em 2020 não passou das Batalhas.
No programa deste domingo interpretou “The Door”, de Teddy Swims, um artista com o qual se identifica. “A minha voz tem alguma rouquidão e fazia sentido mostrar essa faceta. Fiquei mesmo feliz com a minha prestação.” Quando soube que passou para a próxima fase, viveu “um sonho tornado realidade”. O Filipe de há cinco anos “nunca pensaria que isto aconteceria” e o Filipe mais novo, que nem imaginava ser possível, “estaria ainda mais orgulhoso”. “Foi um momento anestesiante. Demorou a cair a ficha. Trabalhei muito para chegar aqui.”
Quanto às galas em direto, Filipe diz apenas que o público “pode esperar o inesperado”. Quer continuar a desafiar-se, a surpreender-se e a ir mais longe. Ao mesmo tempo, está a preparar o seu primeiro EP, onde surge com o nome artístico D’Alma.
A mudança não é apenas uma questão de branding, mas uma forma de mostrar aquilo que pretende fazer com a sua voz. “Cada palavra que escrevo e cada melodia que componho vem da minha alma. Sinto necessidade de transmitir isso. Quero que a minha música chegue às pessoas que precisam de a ouvir.”

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