Há um novo vício entre os lisboetas, que junta música, nostalgia e patins: chama-se Lisbon By Roller e é um projeto que está a transformar pavilhões de Lisboa em verdadeiras roller discos ao estilo dos anos 70 e 80. A ideia nasceu oficialmente em abril de 2023, mas a história começou muitos anos antes. O próximo evento acontece já este domingo, 30 de novembro, entre as 18 e as 22 horas, no Pavilhão Gimnodesportivo do Alto da Faia, na zona do Lumiar.
A responsável é Patrícia Aguiar, de 27 anos, que cresceu na Amadora. Foi por lá que teve as primeiras aulas de patinagem, na escola secundária. “Fiquei logo com o bichinho”, conta à NiT. Com o passar do tempo, contudo, surgiram outros hobbies, como o teatro, e esta modalidade foi posta de parte.
Em 2018, tudo mudou graças ao festival internacional de roller dance, que decorre em Barcelona, e a série da Disney Channel, “Soy Luna”, cuja protagonista patinava. “Fui ao festival e fiquei completamente inspirada. Quando voltei, reuni um grupo de quatro pessoas que me ajudaram a lançar a Lisbon By Roller“, recorda.
O início não foi fácil. Os colegas foram perdendo disponibilidade e interesse, a pandemia chegou, e Patrícia ficou sozinha a tentar manter vivo um projeto que, desde então, funciona essencialmente com voluntários — todos com outros empregos, horários irregulares e vidas próprias. Ela própria trabalha num call center. “Tentamos coexistir entre isto tudo”, afirma.
O conceito da roller disco é simples: todos os domingos do mês, as pessoas “encontram-se, socializam e patinam”. Quando chegam ao local, são recebidas por fitas de festa coloridas e música alta. O resto acontece naturalmente quando se entra na pista circular para passar as quatro horas seguintes a patinar. “É impossível parar. Ficam focados na música, nos patins e nas manobras. Há quem exiba passos de dança e quem venha só para aprender”, revela.
A fórmula recupera a tradição das roller discos dos anos 70 e 80, que nasceram nos Estados Unidos como uma evolução natural dos ringues de patinagem e das discotecas da época. Luzes néon, grandes êxitos pop, pistas circulares faziam parte desta tendência — que hoje vive um renascimento global graças às redes sociais e projetos como este.
As atividades são indicadas para todos, quer sejam iniciantes ou peritos em patinagem. Ali juntam-se miúdos, adultos, lisboetas, pessoas de outras cidades e até turistas que estão só de passagem pela capital. Na pista há sempre monitores especializados que dão assistência, dicas e apoio.
As playlists variam de mês para mês e são decididas pelos próprios participantes. Nas redes sociais, especialmente no WhatsApp e no Instagram, surgem votações com temas, artistas e géneros. Há noites dedicadas aos anos 80, outras à pop dos 2000, e até eventos centrados em ícones específicos como Beyoncé, Lady Gaga ou Taylor Swift. Para este domingo, 30 de novembro, a escolha foi os grandes êxitos dos Black Eyed Peas. “Vão poder ouvir os hits todos”, garante Patrícia Aguiar.
O feedback, diz, “tem sido fantástico”. Com apenas dois anos de vida, o projeto já conquistou público fiel que pede mais datas, mais locais e mais oportunidades para patinar. “As pessoas apoiam a 100 por cento o conceito. Dizem que é muito divertido e que devia existir noutros distritos.”
Para Patrícia, que não patina profissionalmente e encara a atividade principalmente como diversão, a filosofia é mesmo “divertir, juntar pessoas e criar comunidade sem competição e pressão, mas sempre com boa música”.
Os bilhetes para a próxima edição podem ser adquiridos online. Custam 15€ para quem não tem patins e 10€ para aqueles que já têm o material necessário.

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