Música

Festival de luxo: uma família gasta mais de 350€ por dia no Rock in Rio

A NiT fez as contas: entre bilhetes, deslocações, comida e bebida, a fatura final pode ser proibitiva para vários orçamentos.
Família Martins Ribeiro no Rock in Rio Lisboa.

Os festivais de música marcam os meses de verão com concertos inesquecíveis ao lado dos amigos e da família. Estamos no segundo fim de semana de Rock in Rio Lisboa, o festival que arrancou a 18 de junho no Parque da Bela Vista, em Lisboa. Nesta outra metade da festa, os cabeças de cartaz são Duran Duran, A-Ha, UB40 e Bush; e Post Malone, Anitta, Jason Derulo e HMB no domingo. 

O Rock in Rio foi pensado para ser um festival familiar. Até foi desenvolvida a Family Tour, um circuito interativo que leva as famílias a vários pontos do recinto, sempre com atividades programadas. Porém, no final, as contas podem ser bem duras para qualquer orçamento. A NiT fez as contas para provar precisamente isso.

O bilhete diário custa 74€ e um passe de dois dias 121€. Caso opte pelo passaporte familiar, para um dia, tem o custo de 152€, que é válido para três adultos e duas crianças (sendo um adulto acima de 65 anos e duas crianças com idades entre os 3 e 10 anos inclusive.) Neste caso, o bilhete é único, sendo obrigatória a entrada das cinco pessoas em simultâneo no recinto.

Em relação às deslocações, dependem do local de onde vem. Se vier de metro, a viagem de ida e volta tem o custo de 3€. Caso opte por Uber/Bolt, uma deslocação do Parque das Nações até ao festival pode custar até 7€ e no final do festival com mais adesão a este tipo de deslocação, pode mesmo chegar aos 20€. Caso venha de carro, tem de ter em conta que será complicado estacionar perto. Se fizer uma viagem de cerca de 20 quilómetros, deve contar com um custo de cerca de 20/25€. 

Já no recinto, há outras despesas a que não pode fugir se quiser passar um dia inteiro no festival. Estamos a falar da restauração. Entre as inúmeras bancas de comida e bebida que vai encontrar espalhadas pelo recinto do Rock in Rio Lisboa, o melhor sítio para comer é sem dúvida o Continente Chef’s Garden, que fica do lado esquerdo da entrada no festival, mas que pode não ser para todas as carteiras. 

Este espaço está a funcionar do meio-dia às duas da manhã — e tem menus assinados por reputados chefs nacionais. Se quiser provar as especialidades preparadas por Vítor Sobral, está disponível o hambúrguer de vitela arouquesa com cebola caramelizada, tomate, rúcula e queijo da ilha de São Jorge (12€); a lasanha de legumes, com emulsão de tomate, couve-flor e beringela assadas, anis estrelado e manjericão (10€); ou a mousse de chocolate melgão, com morangos confitados, flor de sal e açafroa dos Açores (5€).

Já a chef Justa Nobre preparou um menu com uma sanduíche de peru com pesto de manjerico, tremoços e vegetais (8€); sopa fria de beterraba (5€); e leite de creme de abóbora com frutos do bosque (4€). Há também as sandes de peixe do rio com legumes assados em pão rústico (8€) do chef Miguel Castro e Silva, bem como o cozido de grão e legumes com lucio (10€). 

Noélia Jerónimo tem um menu com tosta de cavala com tomate, cebola e pimentos (10€); e um wrap de polvo com batata doce e piso de coentros (12€). O menu Kids, destinado aos miúdos até aos 12 anos, inclui um mini hambúrguer de vitela com queijo ou uma mini lasanha de legumes, além de um Compal de laranja do Algarve e um copo personalizado. Custa 8€.

Depois não faltam também os habituais conceitos com cachorros (6,50€), sandes de presunto ou queijo (7€), leitão (9,50€), prego com queijo amanteigado (12€) e hambúrgueres (9,50€) com pacotes de batatas fritas (2,50€). Em relação às bebidas disponíveis no festival, podemos encontrar cerveja, água e sidra. O valor de um copo de sidra e cerveja é de 4€, sendo que acresce 1€ pelo copo. Já uma garrafa de água custa 2,50€. Os sumos custam 4€ e há a opção de refill que custa 3€. 

A NiT falou com algumas famílias que visitaram o festival de forma a perceber quanto é que pagaram para passar o dia no Rock in Rio Lisboa. A família Ribeiro Martins, por exemplo, veio da Marinha Grande com as duas filhas, Lara, de 16 anos, e Flor de 11 anos. 

Os pais Carla e Pedro, 44 e 45 anos, são operários fabris. Nunca tinham vindo ao Rock in Rio Lisboa e quiseram ter esta experiência este ano. Trouxeram sandes para comer durante o dia e garrafas de água que vão enchendo durante o festival nos pontos de refill disponíveis espalhados pelo recinto. “Talvez seja necessário ainda fazer uma refeição por aqui, mas já vimos que os preços são um pouco elevados”, conta Pedro Martins Ribeiro à NiT. 

A família comprou três bilhetes há dois anos, antes da pandemia, e agora, que a filha mais nova está mais crescida, compraram mais um bilhete para virem os quatro. “Achamos o festival caro, mas é uma vez na vida e queremos aproveitar. Vale a pena vir pela experiência, pelo espetáculo que é mas com o custo de vida a subir, não devemos conseguir vir mais”, acrescenta Carla. 

Já o casal Gonçalves veio com os filhos e os avós, que vivem numa zona da Bela Vista próxima do recinto, pelo que têm direito a bilhetes. Os pais e os dois filhos compraram bilhetes individuais. “Queríamos ter comprado o passe familiar, mas achámos que é um pouco limitativo em termos de condições. Nem todas as famílias têm um familiar com mais de 65 anos e crianças até aos 10 anos”, contam à NiT. 

A família Gonçalves vem ao festival desde o primeiro ano.

A família é de Alcochete e já vem ao festival desde o primeiro ano. Em relação às refeições, os avós trouxeram sandes e águas mas os pais e os filhos vão comer mais tarde pelo festival. “Vamos fazer aqui uma refeição, hambúrgueres ou sandes e normalmente bebemos cerveja e águas, mas já vimos que os preços este ano estão mais caros e nota-se diferença para os anos anteriores”. 

Tendo a experiência de outros anos, o casal pensa que, desta vez, os preços são mais elevados do que o habitual. “Achamos que é um festival caro se juntarmos todas as despesas que envolve: bilhetes, deslocação, alimentação e bebidas. No entanto, preferimos gastar este dinheiro num festival, onde conseguimos ver várias bandas e ter vários tipos de entretenimento do que, por exemplo, num concerto único.” 

Feitas as contas totais, os gastos de cada uma destas famílias, com deslocação, bilhetes, alimentação e uma bebida para cada um, ficou em pouco mais de 350€ por dia. 

Durante os dois fins de semana o recinto do festival transforma-se numa verdadeira Cidade do Rock com mais de 12 horas de entretenimento por dia. Além de grandes concertos no Palco Mundo e no Galp Music Valley, há pool parties, apresentações dos maiores fenómenos do mundo online, dança, ritmos e culturas do mundo e muito entretenimento para toda a família. 

Além de tudo isto, os visitantes também podem usufruir dos vários espaços verdes, desafiar-se em experiências mais radicais como andar de slide ou experimentar a roda gigantes. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT