Música

Festival MED volta a transformar Loulé num palco do mundo

Vai haver quatro dias de festa, mais de 50 concertos, artistas de 30 países e novas experiências no centro histórico da cidade algarvia.

Há festivais que vivem do cartaz. Outros vivem do lugar onde acontecem. O Festival MED consegue a proeza rara de juntar as duas coisas. Durante quatro dias, as ruas estreitas, os largos e os recantos do centro histórico de Loulé vão ser parte integrante de uma experiência cultural que junta música, comida, artes e tradições vindas de todos os continentes.

A 22.ª edição do festival será a mais ambiciosa de sempre, entre 25 e 28 de junho. O cartaz vai reunir artistas de cerca de 30 países, distribuídos por mais de 50 concertos espalhados pela Zona Histórica de Loulé. Entre os nomes já confirmados estão Los Van Van, oriundos de Cuba; Bonga, de Angola; Asian Dub Foundation, vindos do Reino Unido; Lura, de Cabo Verde; Seun Kuti & The Egypt 80, da Nigéria e de França; Tiken Jah Fakoly, da Costa do Marfim; e ainda o português Sérgio Godinho. 

Num momento em que muitos eventos apostam em fórmulas repetidas, o MED continua a distinguir-se pela sua identidade própria. Mais do que um festival de música, é um encontro entre culturas, onde o público pode passar de um concerto de afrobeats para uma atuação de música balcânica, provar sabores de diferentes geografias e descobrir expressões artísticas que dificilmente encontraria noutro contexto. É precisamente essa mistura improvável que fez do MED uma referência europeia da world music e um dos eventos mais emblemáticos do Algarve. 

O alinhamento continua a crescer e inclui também artistas como Orchestra Baobab, Tulipa Ruiz, Groundation, Arnaldo Antunes, Mário Lúcio & The Pan African Band, Dikanda, Lalalar, Labess Trio, Ëda Diaz e Tó Trips & The Fake Latinos, reforçando a diversidade musical que sempre definiu o evento.  

As novidades de 2026 vão muito além da música. Pela primeira vez, o Mercado Municipal de Loulé estará totalmente integrado no recinto do festival, para receber uma programação musical diária. Haverá também uma nova entrada através do Largo de São Francisco e um aumento da área do recinto, permitindo uma circulação mais fluida do público. Entre os novos espaços encontra o MED Lounge, uma zona temática com decoração própria e DJ sets ao longo de três dias de festa.  

A programação paralela também ganha força com a criação do Ciclo de Conferências MED, uma exposição interativa dedicada aos instrumentos da bacia do Mediterrâneo: divididos entre percussão, cordas e sopros, fundamentais para ritmos e melodias tradicionais que cruzam influências do Médio Oriente, do Norte de África e do Sul da Europa. Pelo meio, nas ruas da cidade, vai encontrar, artesanato, artes plásticas, cinema, comida e várias outras ativações surpreendentes.

“O conceito ‘Cidade MED’ pretende precisamente aproximar ainda mais o festival da vida quotidiana de Loulé, envolvendo ruas, comerciantes e habitantes locais.”, afirma a organização do festival. 

O festival que reinventou o centro histórico da cidade

Quando nasceu, em 2004, o Festival MED tinha uma missão que ia além da programação artística: “devolver vida ao centro histórico de Loulé e valorizar o património da cidade”, segundo a autarquia. O projeto acabou por superar todas as expetativas. Ao longo de mais de duas décadas, tornou-se uma das maiores referências nacionais e europeias da world music, atraindo milhares de visitantes portugueses e estrangeiros todos os anos.  

Uma das suas particularidades é precisamente a forma como utiliza a cidade como palco. Em vez de concentrar tudo num recinto fechado, o MED espalha-se por ruas, praças, muralhas e edifícios históricos, convidando o público a descobrir Loulé enquanto assiste aos concertos. Esta relação entre património, multiculturalidade e música tornou-se uma das imagens de marca do evento — e uma das razões pelas quais continua a destacar-se no panorama dos festivais europeus.

Os bilhetes já estão à venda. As entradas diárias custam 10€ até 21 de junho, e passam para 15@ a partir de 22 de junho. Já o passe.geral para os três dias pagos tem o valor de 30€ até 21 de junho, e sobe para 40€ depois dessa data. O último dia do festival, 28 de junho, terá entrada gratuita para todos.

Os bilhetes podem ser comprados no Cineteatro Louletano, na Loja MED, instalada no Mercado Municipal de Loulé, e online através da plataforma BOL.  

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Este artigo foi escrito em parceria com o Festival MED.