Música

Fora do habitat natural, os The National deram o seu melhor no Rock in Rio Lisboa

Estrearam-se no Parque da Bela Vista, embora os norte-americanos sejam velhos conhecidos dos portugueses.
A banda atuou antes dos Muse.

Os The National não são desconhecidos do público português. Pelo contrário. Afinal, a banda americana deu este sábado, 18 de junho, o seu 18.º concerto no nosso País. Mas foi a primeira vez que tocaram no Rock in Rio Lisboa — o festival mais generalista e mainstream do panorama nacional, onde foram instados a conquistar, uma vez mais, a multidão.

Por um lado, Matt Berninger e companhia pareceram triunfar. Através das suas canções sentidas e sofisticadas, onde exorcizam demónios e cantam dores, estiveram em sintonia com parte da plateia, que puxou convictamente pelos músicos, gerando reações emocionadas do outro lado.

Embora seja o oposto da explosão e extroversão em palco, Berninger é um frontman nato — um vocalista carismático que se aproximou bastante das pessoas em frente do palco para lhes cantar ao ouvido (apesar de bem alto, com um microfone).

Dezenas (ou centenas) de luzes no ar embalaram os temas do grupo nalguns momentos, que parecia envolto, como de costume, numa aura divina — até porque, desta vez, Matt Berninger viu os anjos, embora não acredite neles, confessou-nos a todos enquanto assistia aos visitantes que atravessavam o Parque da Bela Vista no slide. A banda tocou temas de vários dos seus oito discos de originais. “Mr. November”, “Fake Empire” ou “Terrible Love” foram dos que mais se destacaram.

Por outro lado, é desafiante encaixar uma jornada musical tão íntima e delicada num festival como o Rock in Rio Lisboa — onde grande parte do público deambula constantemente pelo espaço, com luzes de todas as cores representando marcas a piscar nas colinas, com tantos estímulos visuais e sonoros a inundar o recinto, com filas para recolher brindes em cada esquina.  

Não é o habitat ideal, com o foco de atenção desejável, para estas canções profundas e intensas — o sublime perdido no ruído. E os The National talvez não se tenham deparado ali com muitos dos fãs que os tornaram numa banda de culto, porque se tiveram de apresentar perante um público mais abrangente que talvez também não tenha tido as melhores condições para apreciar o espetáculo. 

Sendo assim, não é estranho que a atuação possa ter sido algo sonolenta — ou pelo menos possa ter provocado esse efeito — para uma boa fatia dos presentes. O que não invalida que os The National tenham cumprido (e bem) o seu papel. Talvez seja manifestamente exagerado falarmos em erro de casting para um concerto que correu bem, mas é claro para todos que Portugal e os The National já tiveram noites de cumplicidade muito mais íntimas, profundas e memoráveis do que esta.

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